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A crescente demanda por inteligência artificial tem provocado uma forte pressão sobre a indústria global de memória RAM, criando um cenário de escassez que deve impactar diretamente o preço de eletrônicos nos próximos anos. A previsão do setor indica que computadores, smartphones, servidores e outros dispositivos poderão ficar mais caros até pelo menos o fim de 2028, diante da dificuldade dos fabricantes em atender o avanço do consumo mundial.

Produção de DRAM não acompanha demanda global

Dados recentes divulgados pelo Nikkei Asia mostram que a produção de memória DRAM deverá alcançar apenas cerca de 60% da demanda global até 2027. O déficit revela um desequilíbrio significativo entre oferta e procura, com reflexos imediatos no varejo e na indústria de tecnologia.

Esse tipo de memória é essencial para o funcionamento de PCs, celulares, data centers e servidores corporativos, tornando sua escassez um problema que ultrapassa o setor especializado e chega diretamente ao consumidor final.

Inteligência artificial acelera disputa por chips

O principal fator por trás dessa pressão é a rápida expansão da inteligência artificial generativa e dos sistemas conhecidos como agentic AI, que exigem volumes extremamente altos de memória para processamento de dados em larga escala.

Grandes empresas de tecnologia passaram a reservar lotes inteiros de produção com antecedência, reduzindo drasticamente a disponibilidade para o mercado tradicional. Isso faz com que fabricantes priorizem contratos corporativos e aplicações de alto desempenho, diminuindo a oferta para produtos voltados ao consumo cotidiano.

Investimentos bilionários ainda não resolvem o problema

Gigantes do setor como Samsung, SK Hynix, Micron e a chinesa YMTC aceleraram investimentos em novas fábricas e ampliação de linhas de produção. No entanto, a construção e a maturação dessas estruturas exigem anos até alcançar plena capacidade operacional.

Essa limitação impede uma resposta rápida à crise atual e mantém a perspectiva de escassez prolongada, mesmo com o aumento dos aportes financeiros no setor.

Parte desses investimentos também está sendo direcionada para memórias mais avançadas, como as HBM (High Bandwidth Memory), utilizadas especialmente em aplicações de inteligência artificial. Isso reduz ainda mais a produção de chips tradicionais usados em eletrônicos convencionais.

Tecnologias antigas perdem espaço no mercado

Outro fator que agrva o cenário é a redução gradual da fabricação de padrões mais antigos, como DDR3, DDR4 e LPDDR4. As fabricantes têm migrado para soluções mais rentáveis e tecnologicamente avançadas, deixando lacunas importantes no abastecimento do mercado convencional.

Com isso, diversas marcas e linhas de produtos destinadas ao consumidor final acabam perdendo prioridade, enquanto empresas reposicionam seus portfólios para atender setores corporativos e demandas de alto desempenho.

Preços mais altos e menor oferta no varejo

Para que o mercado volte a um ponto de equilíbrio, seria necessário um crescimento anual de produção próximo de 12% entre 2026 e 2027. No entanto, estimativas da Counterpoint Research apontam avanço bem menor, na faixa de 7,5%.

Essa diferença amplia o descompasso entre oferta e demanda e reforça a tendência de alta nos preços globais. O consumidor deve sentir esse impacto de forma gradual, principalmente na compra de computadores, smartphones e componentes de hardware.

A expectativa da indústria é de que a normalização dos preços só aconteça no final de 2028, mantendo o setor sob pressão e transformando a memória RAM em um dos principais gargalos tecnológicos da nova era da inteligência artificial.