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O Brasil está a caminho de se tornar o país com a maior carga de imposto sobre o consumo do mundo a partir de 2026, caso se confirmem as projeções relacionadas à reforma tributária aprovada durante o atual governo. Estudos técnicos apontam que a alíquota do novo Imposto sobre Valor Agregado (IVA) pode alcançar cerca de 28%, superando a Hungria, que hoje lidera o ranking global com taxa de 27%.

O percentual projetado coloca o país em um patamar superior ao de economias desenvolvidas e também de nações emergentes, reacendendo o debate sobre os impactos do novo sistema tributário.


🧾 Unificação de tributos muda modelo de cobrança

A reforma estabelece a unificação de impostos atualmente cobrados sobre o consumo, como ICMS, ISS, PIS, Cofins e IPI, que passarão a ser substituídos por dois novos tributos:

  • CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), de competência federal
  • IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), administrado por estados e municípios

Com isso, o país passa a adotar um IVA dual, aplicado de forma contínua ao longo de toda a cadeia produtiva, desde a produção até o consumidor final.


📊 Alíquota elevada gera alerta econômico

Embora a proposta oficial sustente que não haverá aumento da carga tributária total, mas apenas uma redistribuição mais clara e transparente, o nível da alíquota estimada chama atenção pelo impacto potencial sobre preços e consumo.

Comparações internacionais exigem cautela, já que cada país adota regras próprias, exceções e regimes especiais. Ainda assim, uma taxa próxima de 28% é considerada elevada, com potencial para pressionar preços finais, afetar o poder de compra da população e reduzir a competitividade de empresas brasileiras.


🏭 Impactos para consumidores e setor produtivo

A perspectiva de um imposto sobre consumo nesse patamar levanta preocupações sobre os efeitos diretos no custo de produtos e serviços, especialmente em um cenário de renda pressionada. O setor produtivo também tende a enfrentar desafios adicionais, com reflexos na formação de preços e na capacidade de competir no mercado internacional.


🔄 Promessas de simplificação e compensações

O novo modelo tributário tem como objetivo reduzir a cumulatividade, simplificar a estrutura de impostos e diminuir o chamado “Custo Brasil”. Também estão previstos mecanismos de devolução de impostos para famílias de baixa renda e tratamentos diferenciados para setores considerados essenciais, como forma de amenizar os efeitos da alíquota elevada.


⏳ Regulamentação ainda pode alterar cenário

Apesar das projeções, a alíquota final ainda não está definida. O valor dependerá da regulamentação da reforma e da implementação gradual do novo sistema nos próximos anos.

Até que todas as etapas sejam concluídas, a possibilidade de o Brasil assumir o posto de maior imposto sobre consumo do mundo segue alimentando debates e ampliando as discussões sobre os impactos econômicos e sociais da reforma tributária.

Fonte: https://www.folhadoestado.com.br/politica-nacional/com-a-reforma-tributaria-de-lula-brasil-tera-o-maior-imposto-do-mundo-em-2026/631726