Acidente ocorreu no Jardim Santa Inês; criança chegou a receber alta após atendimento, mas voltou a passar mal e morreu na Santa Casa
Uma bebê de 1 ano e 9 meses morreu em Campo Grande (MS) após ser atropelada por uma motocicleta conduzida por um jovem que, segundo relatos de familiares, estaria empinando o veículo no momento do acidente. A tragédia aconteceu no Jardim Santa Inês, região do Nova Lima, e está sendo investigada pela polícia para esclarecer tanto as circunstâncias do atropelamento quanto o atendimento médico prestado à criança.
O caso chama atenção pela gravidade da ocorrência, pela suspeita de imprudência no trânsito e pela sequência de atendimentos médicos que culminou na morte da bebê, após ela ter sido liberada inicialmente.
Atropelamento ocorreu durante retorno da família para casa
De acordo com informações repassadas por familiares, o atropelamento aconteceu na quinta-feira à noite (26). Os pais haviam levado a criança a um parque do bairro e retornavam a pé para casa quando passaram por um trecho considerado escuro.
Nesse local, a motocicleta atingiu o pai da bebê, que a carregava no colo. A criança foi diretamente impactada no acidente e precisou ser socorrida com urgência.
A dinâmica descrita pela família aponta para uma situação de alto risco, especialmente em vias residenciais, onde a circulação de pedestres é comum e manobras perigosas podem provocar consequências fatais.
Bebê foi levada a UPA, transferida para a Santa Casa e recebeu alta
Após o atropelamento, os próprios pais levaram a criança até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Bairro Nova Bahia. Em seguida, ela foi transferida para a Santa Casa, onde passou por avaliação médica.
Ainda conforme os relatos familiares, a bebê chegou a receber alta médica no fim da noite, retornando para casa com os pais.
O desfecho posterior levantou questionamentos entre familiares sobre a gravidade real das lesões e se todos os sinais clínicos foram devidamente identificados na primeira avaliação.
Criança voltou a passar mal e morreu após ser intubada
No dia seguinte ao acidente, a bebê voltou a apresentar piora no quadro de saúde. A família procurou atendimento na UPA Coronel Antonino, onde a criança precisou ser intubada.
Após o procedimento, ela foi novamente transferida para a Santa Casa. Apesar das tentativas de reanimação, a bebê não resistiu e morreu.
O caso expõe um cenário delicado, em que a evolução clínica rápida e grave após a alta inicial pode indicar lesões internas ou complicações traumáticas que nem sempre se manifestam imediatamente.
Família cita possível fratura e questiona atendimento
Segundo informações repassadas pela família, a mãe teria relatado que a bebê estava com uma costela quebrada, o que, de acordo com familiares, pode não ter sido identificado no primeiro atendimento hospitalar.
Além disso, parentes afirmam que houve dificuldade para obter informações sobre o estado de saúde da criança, relatando que o acesso de familiares como avós e bisavós teria sido restringido, inclusive com relatos de bloqueio na Santa Casa.
A situação deve ser apurada para verificar se houve falhas de comunicação, limitações legais de acesso ou outros fatores relacionados ao atendimento hospitalar.
Conselho Tutelar acompanhava mãe e criança
Ainda conforme informações apuradas, a bebê e a mãe já eram acompanhadas pelo Conselho Tutelar. A família paterna acredita que o acompanhamento teria relação com o fato de a mãe ser menor de idade quando teve a criança.
Esse detalhe adiciona um componente social ao caso, já que envolve histórico de acompanhamento institucional e possíveis medidas protetivas relacionadas ao núcleo familiar.
Ausência de acionamento da polícia e do socorro oficial será investigada
Outro ponto que deve ser analisado pelas autoridades é o fato de que, segundo relatos, no momento do atropelamento não houve acionamento imediato da polícia, nem solicitação de atendimento do Samu ou do Corpo de Bombeiros.
A ausência de registro oficial e de atendimento pré-hospitalar pode impactar tanto a investigação sobre o atropelamento quanto a reconstrução do caso, incluindo a identificação do condutor e a verificação de responsabilidades.
Velório ocorre nesta segunda-feira e caso deve ter desdobramentos
O velório da bebê está previsto para ocorrer a partir das 13h desta segunda-feira (30). A investigação deve reunir informações sobre o acidente, o comportamento do motociclista e o histórico de atendimentos prestados à criança desde o primeiro socorro até o óbito.
O caso pode gerar desdobramentos tanto na esfera criminal — caso seja confirmada imprudência ou direção perigosa — quanto na esfera administrativa, se forem levantadas dúvidas sobre protocolos médicos ou decisões de alta hospitalar.
Santa Casa não respondeu até a publicação
A reportagem tentou contato com a Santa Casa para obter esclarecimentos sobre o atendimento prestado à bebê, mas não obteve retorno até a publicação das informações.
A expectativa é que, com a apuração oficial, sejam esclarecidas as circunstâncias do atropelamento, o estado clínico da criança após o trauma e os fatores que levaram ao agravamento rápido do quadro.