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A cidade de Corumbá, na fronteira entre Brasil e Bolívia, tem sido apontada por autoridades como uma das principais rotas utilizadas pelo tráfico internacional de cocaína. De acordo com investigações conduzidas por órgãos de segurança, criminosos utilizam pessoas conhecidas como “mulas humanas” para transportar a droga dentro do próprio corpo, levando o entorpecente até grandes centros brasileiros e, posteriormente, para outros países.

Dados reunidos por instituições como a Polícia Federal, a Receita Federal do Brasil e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) indicam que o esquema envolve logística organizada, exploração de pessoas vulneráveis e movimentação frequente de grandes quantidades da droga.


🧳 Transporte de cocaína usa “mulas humanas”

Um dos métodos mais utilizados pelos traficantes consiste na ingestão de cápsulas contendo cocaína, técnica conhecida no meio criminal como transporte por ingestão. Nesse modelo, o corpo da pessoa é utilizado para esconder a droga e tentar evitar a fiscalização nas fronteiras.

Cada transportador pode ingerir cerca de 100 cápsulas, quantidade que pode representar aproximadamente 1,1 quilo de pasta base de cocaína por pessoa.

Especialistas classificam esse tipo de transporte em duas categorias principais:

  • Body packer: pessoas recrutadas para ingerir cápsulas preparadas e transportá-las em viagens planejadas;
  • Body stuffer: indivíduos que engolem pequenas quantidades de droga de forma improvisada, geralmente para tentar escapar de flagrantes policiais.

Além de ser um método usado pelo crime organizado, essa prática representa alto risco à saúde, já que a ruptura de uma cápsula dentro do organismo pode provocar intoxicação grave e até morte.


🚌 Ônibus cruzam a fronteira diariamente

A fronteira entre Brasil e Bolívia registra intenso fluxo de passageiros. Estimativas indicam que entre 8 e 10 ônibus atravessam diariamente a região de Corumbá, conectando cidades bolivianas ao território brasileiro.

Autoridades apontam que, em alguns casos, até 8 passageiros por veículo podem estar transportando cocaína no organismo. O esquema costuma distribuir pequenas quantidades entre diferentes pessoas para reduzir suspeitas durante fiscalizações.

Em períodos de maior movimento, podem sair da região entre 10 e 15 ônibus por dia, o que representa potencial transporte de dezenas de quilos de droga em uma única jornada.


🌎 Corumbá é rota de passagem para grandes centros

Investigações indicam que a cidade de Corumbá funciona principalmente como rota de trânsito para o tráfico internacional, e não como destino final da droga.

Após entrar no Brasil pela fronteira, a cocaína costuma seguir para Campo Grande e principalmente para São Paulo, onde há estruturas logísticas utilizadas por organizações criminosas. A partir desses centros, o entorpecente pode ser encaminhado para portos e aeroportos com destino ao exterior, incluindo rotas internacionais ligadas ao tráfico global.


🕵️‍♂️ Fiscalização tenta identificar o transporte ilegal

O combate ao transporte de drogas por ingestão é considerado um dos principais desafios para as forças de segurança na região de fronteira.

Durante abordagens em rodovias e fiscalizações de transporte, agentes observam diversos sinais que podem indicar o transporte ilegal de entorpecentes, como:

  • comportamento nervoso ou respostas contraditórias durante entrevistas;
  • linguagem corporal incomum;
  • sinais físicos associados ao transporte interno de cápsulas.

Quando existe suspeita, o passageiro pode ser encaminhado a unidades de saúde para exames de imagem, que confirmam ou descartam a presença da droga no organismo.


⚠️ Método pode causar morte imediata

Especialistas alertam que o transporte de drogas dentro do corpo apresenta riscos extremos à saúde. Caso uma cápsula se rompa no estômago, a cocaína pode ser rapidamente absorvida pelo organismo.

Entre as possíveis consequências estão:

  • batimentos cardíacos extremamente acelerados;
  • convulsões;
  • hipertermia;
  • falência de múltiplos órgãos.

Mesmo em casos de sobrevivência, o indivíduo pode sofrer sequelas permanentes, incluindo danos neurológicos, cardíacos e renais.


⚠️ Vulnerabilidade social alimenta o esquema criminoso

Investigações apontam que grande parte das pessoas recrutadas para esse tipo de transporte vive em situação de vulnerabilidade social, sendo atraída por promessas de pagamento para realizar o transporte da droga.

Esses indivíduos são aliciados por intermediários que organizam toda a logística da viagem, desde a preparação da droga até o deslocamento entre cidades da Bolívia e a travessia da fronteira com o Brasil.

O cenário reforça os desafios enfrentados pelas autoridades no combate ao crime organizado transnacional, especialmente em regiões de fronteira onde há intenso fluxo de pessoas e mercadorias.