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Ação policial em Coxim cumpriu mandados, prendeu suspeitos e apreendeu veículo roubado; investigações apontam expansão planejada de grupos criminosos ligados ao tráfico

A ofensiva das forças de segurança em Coxim, no norte de Mato Grosso do Sul, evidenciou a escalada de uma disputa silenciosa entre facções criminosas pelo controle de território estratégico no Estado. A Operação Leviatã, deflagrada nesta segunda-feira (27), cumpriu 10 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão, mirando suspeitos apontados como integrantes diretamente ligados a organizações criminosas que tentam se consolidar na região.

Além das prisões, a polícia apreendeu um carro roubado em São Paulo, que estaria sendo utilizado pelo grupo investigado. O cenário reforça o alerta sobre a tentativa de expansão de facções vindas de fora do Estado, impulsionadas pela posição geográfica de Mato Grosso do Sul, considerado corredor estratégico para o tráfico internacional.


Força-tarefa reuniu cerca de 60 policiais e mobilizou equipes de várias cidades

A operação foi coordenada pelo Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros) e contou com apoio de policiais civis de Coxim, São Gabriel do Oeste, Camapuã, Pedro Gomes e Rio Verde de Mato Grosso, além da Polícia Militar, da Polícia Civil e da CGPA (Coordenadoria Geral de Policiamento Aéreo).

Ao todo, cerca de 60 policiais participaram da ação, indicando um esforço concentrado e articulado para conter o avanço das facções antes que se estabeleçam de forma definitiva na região norte do Estado.


Investigações apontam migração de criminosos e tentativa de domínio territorial

As investigações indicam que os alvos fazem parte de facções que teriam migrado para Mato Grosso do Sul com o objetivo de criar bases permanentes, expandir atuação e controlar crimes como tráfico, furtos e roubos.

A polícia aponta que esse avanço não ocorre de forma improvisada: o modelo seria estruturado, com divisão de funções, planejamento e uso de intimidação como estratégia para impor domínio e influenciar criminosos locais.

O impacto já se reflete no aumento da tensão e no crescimento de ocorrências violentas em cidades consideradas estratégicas, especialmente aquelas próximas a rotas de deslocamento entre Estados.


Coxim se torna ponto crítico na disputa por rotas do tráfico

A região norte de Mato Grosso do Sul, especialmente Coxim, entrou no radar das forças de segurança após semanas de monitoramento e cruzamento de informações entre unidades policiais.

A localização do Estado, que faz fronteira com Paraguai e Bolívia, aumenta sua relevância para o tráfico de drogas e armas. Esse fator, segundo a investigação, atrai facções que buscam consolidar pontos de apoio para facilitar transporte, distribuição e movimentação de integrantes.

Além disso, a proximidade com Mato Grosso e Goiás favorece a logística criminosa e amplia o risco de disputas por domínio regional.


Comando Vermelho é citado como um dos grupos envolvidos na disputa

O avanço das facções é agravado por conflitos internos e rivalidade entre grupos que disputam o controle do território. Entre os citados na investigação está o Comando Vermelho (CV), apontado como parte de uma disputa direta por espaço e influência em Mato Grosso do Sul.

Esse tipo de disputa tende a elevar os índices de violência, especialmente homicídios ligados a acertos de contas e confrontos por controle de pontos de venda e rotas de distribuição.

A escalada de crimes violentos tem gerado aumento da sensação de insegurança, com registros de ocorrências em situações consideradas cada vez mais graves, inclusive em locais com presença de famílias.


Suspeito reagiu à abordagem e morreu durante a operação

Durante o cumprimento dos mandados, um dos alvos reagiu à abordagem policial. Fabrício Troch Soares, de 33 anos, conhecido como “Branco do CV”, foi baleado após desobedecer ordens e reagir armado contra equipes do Garras.

Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. O suspeito era apontado como traficante e integrante ativo do grupo criminoso investigado, com atuação conhecida na região norte do Estado.

O caso reforça o nível de risco envolvido nas operações contra facções, principalmente quando os alvos possuem histórico de envolvimento direto com o crime organizado.


Veículo roubado em SP era usado em tentativas de homicídio, aponta investigação

Um dos principais achados da operação foi a localização de um Chevrolet Prisma roubado em São Paulo, que estaria sendo utilizado pelo grupo investigado. Segundo a apuração policial, o veículo teria sido empregado em pelo menos duas tentativas recentes de homicídio em Coxim.

Em um imóvel ligado aos suspeitos, a polícia também encontrou roupas compatíveis com as utilizadas por autores de crimes investigados. Todo o material foi apreendido e será submetido à análise.

A apreensão reforça a suspeita de que os criminosos atuavam com estrutura logística, utilizando veículos de origem ilícita para deslocamento e execução de ações violentas.


Modelo de expansão inclui aluguel de imóveis e cooptação de criminosos locais

As investigações descrevem um padrão recorrente: integrantes vindos de outros Estados alugam imóveis, montam bases de apoio, identificam rivais e tentam recrutar criminosos locais.

A recusa em aderir ao grupo, segundo a apuração, pode resultar em ameaças e ataques, o que alimenta um ambiente de medo e fortalece o controle social exercido pelas facções.

Esse tipo de movimentação tem sido observado também em municípios como Sonora e Costa Rica, indicando que o avanço não se limita a Coxim e pode representar uma tendência de expansão regional.


Ações de inteligência buscam conter avanço antes da consolidação

A Operação Leviatã foi classificada como resposta direta à tentativa de expansão criminosa e representa uma estratégia de enfrentamento baseada em inteligência policial, integração de forças e atuação concentrada.

A avaliação das autoridades é de que ações preventivas e coordenadas podem impedir que as facções consolidem domínio territorial, evitando o crescimento de redes estruturadas de tráfico e crimes patrimoniais.

O avanço de organizações criminosas tende a provocar consequências diretas para a população, incluindo aumento de homicídios, fortalecimento do tráfico, insegurança urbana e pressão sobre o sistema público de segurança.


Investigações continuam e mandados foram autorizados pela Justiça

A Polícia Civil informou que as investigações seguem em andamento, com base em informações reunidas durante cerca de 15 dias de trabalho intensivo.

Todos os mandados foram autorizados pela Justiça de Mato Grosso do Sul, e a condução do caso permanece sob responsabilidade das autoridades locais, mesmo com conexões apontadas com criminosos de outros Estados.

A expectativa é de que novas fases da investigação possam revelar mais envolvidos, além de possíveis conexões com rotas interestaduais e internacionais ligadas ao crime organizado.