Ocorrência começou com suspeita de que a vítima teria provocado a própria morte
Uma ocorrência inicialmente tratada como possível caso de morte atribuída à própria vítima mobilizou a Patrulha Rural da Polícia Militar em uma propriedade rural na região do Pantanal de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, na quinta-feira (15). No local, os policiais encontraram um trabalhador rural de 29 anos sem vida, com uma corda ao redor do pescoço, e ouviram a versão de dois colegas sobre o que teria acontecido durante a madrugada.
Os dois trabalhadores, de 37 e 40 anos, afirmaram ser primos e disseram que a vítima apresentava comportamento alterado durante a noite, falava sobre espíritos e demonstrava intenção de tirar a própria vida. Segundo eles, o homem teria ficado sozinho na residência por volta das 23h, enquanto os dois foram dormir em outra casa, a aproximadamente 50 metros dali.
Versão dos colegas começou a levantar suspeitas
De acordo com o relato inicial, os trabalhadores teriam retornado à residência por volta das 5h e encontrado o colega ferido, com sinais de sangue e segurando uma faca. Um deles teria recebido o objeto e o deixado cair no chão. Em seguida, os dois disseram que saíram para buscar um trator e, ao voltarem, encontraram o homem suspenso em uma árvore.
A situação encontrada pelos policiais, porém, exigiu uma investigação mais aprofundada. Dentro da residência, a equipe identificou manchas de líquido avermelhado na sala e na varanda, além de uma faca caída no chão. O corpo estava nos fundos do imóvel, suspenso por uma corda ao redor do pescoço.
Manchas, malas e roupas molhadas aumentaram as suspeitas
Durante os questionamentos, um dos trabalhadores demonstrou nervosismo, enquanto o outro manteve aparente tranquilidade. A diferença de comportamento levou os policiais a aprofundarem as entrevistas e verificarem os pertences dos envolvidos.
Na residência, foram encontradas duas malas com roupas aparentemente preparadas para uma possível saída da propriedade. Em uma delas, os militares identificaram peças molhadas e uma calça jeans com uma mancha de aspecto incomum. Os achados, somados às condições do imóvel e às versões apresentadas, aumentaram as suspeitas sobre o que realmente havia acontecido.
Um dos trabalhadores foi colocado no compartimento destinado a presos da viatura enquanto a equipe aguardava a chegada da Polícia Civil e da perícia criminal de Corumbá.
Investigação conjunta mudou o rumo do caso
Com a chegada dos investigadores da Polícia Civil e da equipe de perícia, foram iniciados os procedimentos técnicos na residência e no local onde o corpo foi encontrado. Durante as diligências, o encarregado dos funcionários da propriedade também compareceu ao local.
Foi nesse momento que a investigação avançou. Na presença do encarregado e de um sargento da Polícia Militar Rural, um dos trabalhadores confessou ter provocado a morte do colega.
Em sua declaração, ele afirmou que estava no quarto com o primo quando a vítima teria entrado no cômodo com uma faca, após arrombar a porta. Segundo o relato, ele tomou o objeto das mãos do colega e atingiu a região do pescoço dele. Ferido, o homem teria corrido até a sala, onde caiu próximo à porta da varanda.
Corpo teria sido suspenso em uma árvore para encobrir o caso
Ainda conforme a confissão, depois de acreditarem que a vítima estava sem vida, os dois trabalhadores arrastaram o corpo até a varanda. Em seguida, teriam conversado sobre o ocorrido, e um deles teria sugerido uma forma de ocultar as circunstâncias da morte.
Segundo a versão apresentada, os dois levaram o corpo até uma árvore próxima e o suspenderam com uma corda ao redor do pescoço, tentando fazer o caso parecer uma morte atribuída inicialmente à própria vítima.
A investigação também teve outro desdobramento: inicialmente, o primo do suspeito que confessou manteve sua versão e demonstrou incredulidade diante da declaração. Depois, porém, confirmou que o parente teria sido responsável pela morte e admitiu ter ajudado a colocar o corpo na corda.
Após os trabalhos periciais, a Polícia Civil realizou uma reconstituição dos acontecimentos, que foi gravada pela equipe.
Dupla foi presa por suspeita de crime contra a vida com agravantes
Diante dos elementos reunidos e das declarações dos envolvidos, a autoridade policial determinou a prisão em flagrante dos dois trabalhadores.
O caso foi registrado como suspeita de homicídio qualificado pelo uso de recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima, além de fraude processual, por uma possível tentativa de alterar a cena para encobrir o ocorrido.
A perícia recolheu objetos encontrados no local e solicitou exame necroscópico. Os dois suspeitos foram encaminhados à delegacia sem lesões corporais aparentes.
A investigação deverá esclarecer as circunstâncias da morte e a participação individual de cada envolvido. As acusações registradas ainda dependem da apuração e da tramitação judicial, não representando uma condenação definitiva.
