A morte do cão comunitário Orelha, após agressões na Praia Brava, em Florianópolis, provocou comoção nacional, mobilizou moradores, protetores da causa animal e levou as autoridades a aprofundarem a investigação. O caso resultou na identificação de adolescentes por ato infracional de maus-tratos e no indiciamento de adultos por coação de testemunha.
A seguir, confira um guia completo com perguntas e respostas, com os principais fatos já apurados.
O que aconteceu com o cão Orelha
A Polícia Civil aponta que o animal foi violentamente agredido no dia 4 de janeiro. O cão foi encontrado gravemente ferido e agonizando, socorrido e levado a uma clínica veterinária. Diante da extensão dos ferimentos, Orelha foi submetido à eutanásia no dia 5 de janeiro.
Laudos periciais indicaram que o cachorro sofreu traumatismo na cabeça, provocado por objeto contundente, sem lâmina ou ponta. O objeto utilizado não foi localizado.
Quem são os suspeitos pelas agressões
Quatro adolescentes foram identificados como responsáveis pelo ato infracional de maus-tratos contra animal. Em razão do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), dados pessoais não foram divulgados.
Dois adolescentes estão no Brasil e foram alvos de ação policial, enquanto outros dois se encontram nos Estados Unidos, em viagem previamente programada.
Existem imagens do momento da agressão?
Não há registros em vídeo do instante exato das agressões. No entanto, a identificação dos envolvidos ocorreu a partir da análise de imagens de câmeras da região, cruzamento de informações e depoimentos de testemunhas.
A investigação inclui a avaliação de mais de mil horas de gravações de segurança.
Há suspeita de outros maus-tratos na região
Além do caso de Orelha, a polícia apura uma tentativa de afogamento de outro cão comunitário, conhecido como Caramelo, na mesma praia.
Há registros visuais e relatos que indicam que o animal teria sido lançado ao mar, sendo resgatado posteriormente.
Por que adultos também foram indiciados
Três adultos — dois pais e um tio dos adolescentes — foram indiciados por suspeita de coação de testemunha. A investigação aponta que um vigilante, que possuía material relevante para o esclarecimento do caso, teria sofrido intimidação durante o andamento das apurações.
Por questões de segurança, o profissional foi afastado temporariamente de suas funções.
O que caracteriza o crime de coação
Coação ocorre quando há ameaça ou constrangimento a testemunhas ou pessoas envolvidas em um processo, com o objetivo de interferir na investigação ou no desfecho judicial.
Quantas pessoas já foram ouvidas
Somente no inquérito que apura a coação, 22 pessoas foram ouvidas. A Justiça não autorizou a apreensão de dispositivos eletrônicos dos adultos investigados.
Como a investigação foi organizada
A apuração foi dividida em duas frentes principais:
- Auto de apuração de ato infracional, conduzido pela delegacia especializada em adolescentes, para analisar a conduta dos menores;
- Inquérito policial, conduzido pela Delegacia de Proteção Animal, voltado à investigação da coação praticada por familiares.
Quem era o cão Orelha
Orelha era um cão comunitário da Praia Brava, vivendo em uma das casinhas instaladas para animais que se tornaram símbolos da região. Ele recebia cuidados de moradores e comerciantes, era conhecido por seu comportamento dócil e brincalhão e era muito querido por frequentadores e turistas.
Fonte: https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2026/01/28/cao-orelha-veja-perguntas-e-respostas-sobre-o-que-aconteceu-com-animal-agredido-por-adolescentes-em-florianopolis.ghtml