A Polícia Civil do Distrito Federal investiga um caso grave de homicídios ocorridos dentro de uma UTI do Hospital Anchieta. As apurações indicam que um técnico de enfermagem teria provocado a morte de três pacientes por meio da aplicação indevida de substâncias, incluindo cloreto de potássio e produto desinfetante. Outras duas técnicas de enfermagem também foram presas, suspeitas de participação ou omissão, e a investigação avalia a existência de novas vítimas.
Como os crimes teriam ocorrido
Segundo o relatório pericial e a investigação policial, os episódios aconteceram em novembro de 2025, dentro da UTI do hospital. O técnico utilizou credenciais indevidas para registrar no sistema hospitalar a prescrição de uma substância sem indicação médica para os pacientes.
As aplicações ocorreram em momentos distintos e foram seguidas por paradas cardiorrespiratórias, inicialmente revertidas, até que novas administrações resultaram nos óbitos. As ações teriam sido registradas por câmeras de segurança instaladas nos leitos.
Substâncias usadas e riscos à saúde
A apuração aponta o uso de cloreto de potássio, medicamento de uso restrito e indicado apenas em situações clínicas específicas, além da injeção de desinfetante, substância incompatível com uso intravenoso.
De acordo com a perícia, a administração inadequada pode provocar alterações cardíacas graves, choque circulatório e parada cardíaca imediata, especialmente quando aplicada em dose ou velocidade impróprias.
Vítimas identificadas e cronologia
As vítimas confirmadas são:
- Uma mulher de 75 anos, internada para tratamento clínico
- Um homem de 63 anos, hospitalizado após diagnóstico neurológico
- Um homem de 52 anos, internado com suspeita de pancreatite
Em todos os casos, a investigação indica paradas cardíacas sucessivas após a aplicação das substâncias. As mortes ocorreram horas ou dias depois, conforme a evolução clínica de cada paciente.
Participação de outros profissionais é investigada
A sindicância interna do hospital identificou a presença de outras duas técnicas de enfermagem nos dias das ocorrências. A polícia avalia se houve participação direta, conivência ou omissão durante os procedimentos realizados na UTI.
As três pessoas envolvidas estão presas, e o inquérito segue em andamento para esclarecer motivação, dinâmica completa dos fatos e a possível existência de outros casos semelhantes.
Imagens e perícia reforçam acusações
A investigação se baseia em registros de câmeras de segurança, análises laboratoriais, documentos hospitalares e reconstituições periciais. Após confronto com as evidências, o principal suspeito admitiu os fatos, segundo a polícia.
Providências adotadas pelo hospital
O Hospital Anchieta informou que instaurou sindicância, colaborou com as autoridades e acionou imediatamente os órgãos competentes ao identificar irregularidades. A instituição declarou solidariedade às famílias das vítimas e afirmou que os atos investigados não refletem seus protocolos nem os princípios da assistência em saúde.
Posicionamento do conselho profissional
O Conselho Regional de Enfermagem do DF manifestou preocupação com a repercussão do caso e destacou que generalizações não representam a categoria, composta majoritariamente por profissionais éticos e comprometidos com a vida.
Investigação segue sob sigilo
O inquérito corre sob sigilo e permanece em fase de aprofundamento, com análise de novos depoimentos e documentos. A polícia trabalha para confirmar responsabilidades, identificar eventuais novas vítimas e concluir o caso com base nas provas reunidas.
Fonte: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/01/25/mortes-no-hospital-anchieta-policia-detalha-crimes-e-diz-que-tecnico-de-enfermagem-injetou-desinfetante-em-duas-vitimas.ghtml