A população de Corumbá enfrenta uma situação preocupante provocada pela poeira de minério gerada pelo tráfego constante de caminhões de empresas mineradoras que atuam na região. O problema afeta tanto moradores da área urbana quanto comunidades ribeirinhas, resultando em danos à saúde, prejuízos ambientais e questionamentos sobre a eficiência da fiscalização.
Diante do agravamento do cenário, denúncias foram encaminhadas ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que avalia a adoção de medidas para conter os impactos.
Poeira se espalha por bairros e comunidades
Em diferentes pontos do município, especialmente em áreas próximas às rotas de transporte de minério, moradores relatam que uma camada espessa de poeira se deposita diariamente sobre casas, móveis, roupas, alimentos e eletrodomésticos, mesmo com portas e janelas fechadas.

Nas comunidades ribeirinhas, como Porto Esperança e a Comunidade Tradicional Antônio Maria Coelho, a situação é ainda mais crítica, já que muitas residências estão localizadas a poucos metros das estradas utilizadas pelos caminhões, que circulam durante todo o dia e também à noite.
Problemas de saúde aumentam e preocupam famílias
A exposição contínua à poeira tem sido associada ao crescimento de casos de asma, bronquite, rinite alérgica, irritações nos olhos, sangramentos nasais e doenças de pele. Também há relatos frequentes de estresse, fadiga e distúrbios do sono, provocados tanto pela poluição do ar quanto pelo excesso de ruído causado pelo tráfego pesado.
Os efeitos são mais intensos entre crianças e idosos, ampliando o alerta para riscos à saúde pública em todo o município.
Abastecimento de água sob risco
Outro fator que agrava o problema é a situação dos sistemas de captação e tratamento de água, que operam sem cobertura adequada em algumas localidades. A exposição direta às partículas de minério aumenta o risco de contaminação, elevando a vulnerabilidade sanitária da população, especialmente nas regiões ribeirinhas.
Impactos econômicos e sociais
Na Comunidade Tradicional Antônio Maria Coelho, além dos danos à saúde, a poeira compromete áreas de plantio, quintais e espaços produtivos. A situação afeta diretamente a agricultura familiar e o extrativismo da bocaiuva, atividades essenciais para a renda de muitas famílias.
Problemas semelhantes também são relatados em Ladário, onde moradores de vias utilizadas para o transporte mineral convivem diariamente com o fluxo intenso de caminhões e cobram soluções do poder público.
Reclamações antigas e ausência de soluções efetivas
Moradores afirmam que já buscaram apoio junto a órgãos competentes, mas até o momento não foram implementadas medidas eficazes para controlar a dispersão da poeira, restringir o tráfego de veículos pesados ou reduzir os impactos ambientais e sanitários.
Denúncias em análise e cobrança por transparência
As denúncias estão sob análise do MPMS, que deve avaliar a abertura de procedimentos investigativos, a responsabilização dos envolvidos e a necessidade de ações emergenciais.
A população também cobra transparência na aplicação dos recursos da CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais), alegando que não observa melhorias proporcionais em infraestrutura, saúde ou proteção ambiental nas áreas mais afetadas pela mineração.
Destaque final
O avanço da poeira de minério em Corumbá expõe um problema que vai além das comunidades ribeirinhas, atingindo toda a população e colocando em debate o equilíbrio entre atividade econômica, saúde pública e qualidade de vida, com crescente pressão por respostas rápidas e efetivas das autoridades.
Fonte: https://www.campograndenews.com.br/meio-ambiente/poeira-de-minerio-causa-problemas-de-saude-em-ribeirinhos-de-corumba