O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) pediu à Justiça a condenação de 23 pessoas denunciadas na Operação Infiltrados, investigação que apura um suposto esquema de desvio e revenda de drogas apreendidas por integrantes das forças de segurança. Na denúncia, o Gaeco também solicita a perda dos cargos públicos de policiais envolvidos e o pagamento de R$ 10 milhões por danos morais coletivos.
A acusação foi apresentada em 9 de outubro e encaminhada à 2ª Vara Criminal de Campo Grande. Com 490 páginas, o documento descreve uma estrutura que, segundo o Ministério Público, teria utilizado recursos, informações e posições ocupadas por agentes públicos para retirar drogas do controle oficial e posteriormente destiná-las ao tráfico.
MPMS pede indenização de R$ 10 milhões
O pedido de indenização coletiva é fundamentado nos prejuízos que, conforme a acusação, teriam sido provocados à sociedade e à própria administração pública. Para o Ministério Público, a utilização da estrutura estatal para favorecer atividades criminosas teria atingido diretamente a confiança da população nas instituições responsáveis pela segurança pública.
Além da indenização, a Promotoria requer o confisco de dinheiro, veículos e imóveis que tenham relação com as atividades investigadas. Entre os bens mencionados está uma residência localizada no condomínio Alphaville 1, em Campo Grande, atribuída ao delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, apontado na investigação como um dos principais responsáveis pela organização criminosa.
Perda dos cargos pode atingir nove policiais
O MPMS também pede que a eventual condenação resulte na perda dos cargos públicos de Hoffman, de oito policiais civis e de um policial penal.
São citados na denúncia os investigadores Douglas Tobias, Luiz Carlos de Souza, Marcos André Santos Chaves, Nelson Ricardo Barros de Oliveira, Neverson Vieira de Araújo, Nilton Cesar Sales dos Santos, Roberto Palmeira da Silva e Augusto Torres Galvão Florindo. Também é mencionado o policial penal Vitor Ribeiro Venâncio dos Santos.
Segundo a acusação, Augusto já havia sido excluído administrativamente dos quadros da Polícia Civil. Ainda assim, o Ministério Público pede que a perda do cargo seja determinada também pela Justiça criminal, diante da possibilidade de eventual anulação ou reversão da decisão administrativa.
Investigação aponta desvio de mais de meia tonelada de drogas
A Operação Infiltrados foi deflagrada em 24 de setembro de 2026, como desdobramento das investigações das operações Traquetos e Blindspot. Conforme o Gaeco, policiais civis teriam aproveitado a estrutura e informações obtidas durante suas atividades para retirar drogas de apreensões oficiais e repassá-las a traficantes.
O esquema investigado teria funcionado entre 2021 e 2026, com divisão de tarefas entre agentes públicos, intermediários, pessoas responsáveis pela comercialização dos entorpecentes e integrantes encarregados da movimentação dos valores.
As investigações apontam para o desvio de mais de meia tonelada de drogas que deveriam permanecer sob custódia das autoridades. Segundo a acusação, parte dos carregamentos teria sido retirada de apreensões ou interceptações realizadas durante operações e posteriormente colocada novamente em circulação por meio do tráfico.
Delegado é apontado como integrante central do esquema
O delegado Hoffman é apontado pelo Ministério Público como responsável por facilitar a atuação do grupo a partir de sua posição de comando. Já Lucas da Silva dos Santos, conhecido como LK, teria participado da negociação dos carregamentos desviados e da distribuição dos valores entre os envolvidos.
A denúncia também descreve suspeitas relacionadas ao recebimento de vantagens indevidas, uso de informações restritas e ocultação de valores provenientes do tráfico. A apuração busca individualizar a participação de cada denunciado e estabelecer a responsabilidade pelos diferentes crimes atribuídos ao grupo.
Acusações envolvem diferentes crimes
De acordo com a denúncia, os investigados poderão responder, conforme a participação atribuída individualmente a cada um, por crimes como organização criminosa, tráfico de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro, peculato e violação de sigilo funcional.
O Ministério Público requer que a Justiça receba a denúncia, dê continuidade ao processo criminal e, ao final, condene os acusados pelos delitos que forem comprovados durante a ação penal.
Operação expôs suspeitas dentro da segurança pública de MS
A investigação ganhou dimensão estadual por envolver agentes que atuavam diretamente em estruturas responsáveis pelo combate ao tráfico de drogas. O caso coloca sob análise não apenas a conduta individual dos denunciados, mas também os mecanismos de controle e custódia de entorpecentes apreendidos durante operações policiais.
Para Mato Grosso do Sul, estado que ocupa posição estratégica nas rotas de entrada e distribuição de drogas devido à extensa fronteira internacional, investigações desse tipo têm impacto direto sobre a credibilidade das ações de repressão ao tráfico. O andamento do processo deverá esclarecer a extensão do esquema e a eventual responsabilidade criminal de cada denunciado.
A denúncia foi assinada pelos promotores Gerson Eduardo de Araujo, Tiago Di Giulio Freire, Antenor Ferreira de Rezende Neto e Eduardo de Araujo Portes Guedes.
Com informações de: Diário Online
