Um filhote de harpia, considerada a maior águia do mundo, foi registrado no início de janeiro de 2026 em Corumbá, no Pantanal de Mato Grosso do Sul. A espécie, que enfrenta risco elevado de desaparecimento, vinha sendo acompanhada desde 2025 por pesquisadores que monitoram o único ninho ativo conhecido na região.
O nascimento representa um marco importante para a conservação da ave no Pantanal, encerrando meses de incerteza e ampliando o conhecimento científico sobre a presença reprodutiva da espécie no bioma.
Monitoramento confirma nascimento no Maciço do Urucum
O filhote foi identificado durante ações de monitoramento no Maciço do Urucum, área estratégica para a fauna pantaneira. As imagens obtidas mostram a fêmea no ninho ao lado do filhote, indicando que o nascimento ocorreu na primeira quinzena de janeiro.
O acompanhamento contínuo do local permitiu a confirmação da reprodução, algo considerado raro devido ao comportamento discreto da espécie e à dificuldade de acesso às áreas onde constrói seus ninhos.
Registro ocorreu durante turismo de observação no Pantanal
O ninho foi localizado durante uma atividade de turismo de observação de aves e da vida selvagem, o que deu início ao trabalho sistemático de acompanhamento da harpia. As imagens foram captadas com apoio de iniciativas voltadas à educação ambiental e divulgação científica, reforçando a importância da integração entre conservação e turismo responsável.
Cuidado parental prolongado marca comportamento da espécie
A harpia é conhecida pelo intenso cuidado com o filhote, especialmente nos primeiros meses de vida. Inicialmente, a fêmea permanece quase integralmente no ninho para proteção. Com o passar do tempo, os pais passam a se alternar nas atividades de caça, reduzindo gradualmente a permanência no local.
O período de dependência do filhote é longo: pode chegar a até dois anos e meio, dependendo do sexo, o que torna cada nascimento ainda mais significativo para a manutenção da espécie.
Descoberta de ninho encerra mistério de mais de uma década
A localização de ninhos de harpia no Pantanal sempre foi um desafio para pesquisadores. Um dos ninhos do casal foi encontrado em julho de 2025, após anos de buscas. Já o ninho onde o filhote nasceu foi identificado em novembro do mesmo ano, confirmando a área como ponto efetivo de reprodução.
A presença da espécie na região havia sido registrada pela primeira vez em 2012, mas até então não havia confirmação de reprodução ativa.
Nascimento fortalece estudos e conservação da harpia no Pantanal
O surgimento do filhote comprova que o Pantanal sul-mato-grossense oferece condições para a reprodução da harpia, fato considerado essencial para estratégias de preservação da espécie em longo prazo. O registro amplia a base de dados científicos e reforça a necessidade de proteção dos habitats naturais da ave.
Maior águia do mundo e ameaçada de extinção
Conhecida também como gavião-real, a harpia pode atingir até 2,20 metros de envergadura, além de possuir garras extremamente potentes. Apesar de seu porte impressionante, a espécie enfrenta sérias ameaças.
Ela é classificada como “quase ameaçada” em nível nacional e “ameaçada” em Mato Grosso do Sul, principalmente devido à destruição do habitat natural e à caça ilegal.
Fonte: https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2026/01/31/filhote-de-maior-aguia-do-planeta-surge-em-ninho-apos-meses-de-misterio-e-reascende-esperanca.ghtml