Trânsito travado por até 7 horas rumo ao autódromo gerou revolta, desistências no caminho e expôs falhas na operação viária; muitos seguiram a pé pela BR-262
O que deveria ser uma noite histórica para milhares de fãs do Guns N’ Roses em Campo Grande acabou marcado por frustração, prejuízo e revolta. Na quinta-feira (9 de abril de 2026), o deslocamento até o Autódromo de Campo Grande, local do evento, entrou em colapso horas antes da apresentação principal, provocando um congestionamento de grandes proporções e impedindo que parte do público chegasse a tempo.
Relatos apontam que algumas pessoas passaram até sete horas presas no trânsito, em um percurso que normalmente não leva mais do que 20 minutos. A lentidão extrema fez com que fãs desistissem do trajeto, abandonassem carros e ônibus fretados e seguissem a pé pela rodovia, em busca de não perder totalmente o espetáculo.
Além do transtorno, a situação também provocou prejuízo financeiro significativo. Alguns fãs relataram ter gasto mais de R$ 5 mil com ingressos, combustível, hospedagem e deslocamento, mas acabaram perdendo parte do show ou não conseguindo entrar no local.
Trânsito colapsou horas antes e travou a principal rota de acesso

O congestionamento começou ainda na região urbana e rapidamente tomou conta da principal ligação até o autódromo. A retenção se formou na Rua Joaquim Murtinho, nas proximidades da Escola Estadual Hércules Maymone, e se estendeu por quilômetros até a área do evento.
A situação piorou no fim da tarde e entrou em colapso total cerca de quatro horas antes do início da apresentação principal. Motoristas relataram trechos completamente parados, sem avanço perceptível durante longos períodos.
Em um dos pontos críticos, o trajeto levou 1h20 para percorrer apenas 100 metros na Avenida João Arinos, considerada o principal corredor de acesso à BR-262, estrada que leva diretamente ao autódromo.
Com isso, o público que saiu após as 16h enfrentou o pior cenário, enquanto apenas quem se antecipou conseguiu chegar com menos transtornos.
Engarrafamento passou de 14 km e motoristas ficaram sem saída
O congestionamento ultrapassou 14 quilômetros e, em diversos momentos, simplesmente não havia qualquer fluxo. Nem mesmo motocicletas conseguiam avançar em meio ao bloqueio.
Sem rotas alternativas eficientes, a via se transformou em um funil onde milhares de veículos ficaram presos simultaneamente. O caso expôs um problema recorrente em Campo Grande: a dependência de poucos corredores viários para suportar grandes deslocamentos em massa, especialmente em eventos de grande porte.
O resultado foi um cenário de colapso generalizado, com filas intermináveis, buzinas, tensão e relatos de pessoas sem água, alimentação ou acesso rápido a qualquer apoio no trajeto.
Fãs abandonaram carros e caminharam quilômetros pela BR-262
Com a lentidão extrema e a perspectiva de perder a apresentação, muitos decidiram deixar o carro e seguir a pé. Em alguns casos, o deslocamento a pé chegou a 13 quilômetros, transformando o acesso ao evento em uma espécie de “maratona improvisada”.
A movimentação de pessoas caminhando pela rodovia chamou atenção e evidenciou o nível de desorganização enfrentado pelo público. Grupos inteiros optaram por seguir pelo acostamento, enquanto outros tentaram acessar atalhos sem sucesso.
A situação também afetou ônibus fretados. Muitos coletivos ficaram parados por horas e começaram a perder passageiros ao longo do caminho, com pessoas descendo no meio do trajeto para tentar chegar caminhando.
Viaduto virou gargalo e travou completamente a Avenida João Arinos
Um dos pontos mais críticos foi o viaduto que conecta a Avenida João Arinos à BR-163, com acesso direto à BR-262. No local, a falta de controle eficiente transformou a passagem em um gargalo severo.
A concentração de veículos aumentou de forma descontrolada e criou um bloqueio em efeito cascata, travando toda a extensão da João Arinos. Motoristas relataram que o trecho virou um funil sem capacidade de escoamento, causando paralisação completa.
O local exigia operação intensa e coordenação precisa, mas relatos indicam que havia poucos agentes atuando e que o controle do tráfego não foi suficiente para impedir o colapso.
Carretas circularam mesmo com restrição e pioraram o caos
Outro fator que agravou ainda mais a situação foi a presença de veículos pesados no trecho. Mesmo com restrição de caminhões válida até as 22h, entre os quilômetros 233 e 328 da BR-262, carretas continuaram circulando normalmente.
A circulação de caminhões, somada ao fluxo de carros particulares, ônibus fretados e veículos vindos da BR-163, tornou o trânsito ainda mais lento. Em alguns momentos, o fluxo da João Arinos foi interrompido para permitir passagem de veículos pesados, travando completamente o avanço de quem seguia para o autódromo.
O cenário gerou revolta principalmente porque o público já estava parado há horas e via o congestionamento se prolongar sem qualquer solução imediata.
Operação de trânsito foi criticada e não conseguiu conter o colapso
Equipes da Guarda Civil Metropolitana, Polícia Militar, Detran e Polícia Rodoviária Federal estavam presentes, mas o volume de veículos e a falta de intervenções efetivas transformaram a operação em alvo de críticas.
Motoristas e pedestres relataram ausência de bloqueios estratégicos, falta de sinalização clara e inexistência de rotas alternativas organizadas. O resultado foi um congestionamento crescente, sem medidas capazes de reduzir o impacto.
O caso evidenciou que, diante de um evento com dezenas de milhares de pessoas, o planejamento de mobilidade urbana precisa ser mais rigoroso, especialmente quando o local depende de poucos acessos.
Prejuízo financeiro e frustração: fãs relataram gastos acima de R$ 5 mil
Além do desgaste físico e emocional, a noite também terminou com prejuízo para parte do público. Ingressos chegaram a custar até R$ 600, e o estacionamento antecipado alcançou valores de até R$ 100.
Somado a isso, muitos fãs vieram de outras cidades, pagando hotel, combustível e alimentação. Alguns relataram ter investido mais de R$ 5 mil para viver a experiência, mas acabaram perdendo o show por causa do congestionamento.
A frustração foi ampliada pelo fato de que o evento era considerado um dos mais aguardados do ano e, para muitos, representava a primeira oportunidade de assistir a banda ao vivo.
Revolta nas redes sociais expôs desgaste e cobrança por responsabilidade
A repercussão do colapso viário foi imediata nas redes sociais. O tom predominante foi de indignação, com críticas direcionadas à organização do evento e à estrutura da cidade para receber um público estimado em 35 mil pessoas.
A sensação entre muitos fãs foi de abandono, diante de um cenário onde o deslocamento virou uma experiência de estresse, insegurança e perda financeira.
O caso reforçou a cobrança por planejamento mais rígido em eventos de grande porte, especialmente quando realizados em locais que não possuem múltiplas vias de acesso.
Caso escancara limites da infraestrutura e reacende debate sobre grandes eventos
O congestionamento que marcou o show do Guns N’ Roses evidenciou um problema estrutural: a cidade ainda enfrenta limitações para absorver deslocamentos massivos sem gerar colapso.
Com acesso praticamente concentrado em poucos pontos e ausência de alternativas eficientes, qualquer falha operacional se transforma rapidamente em caos. A situação reacende o debate sobre logística, planejamento urbano e responsabilidade no gerenciamento do trânsito em grandes eventos.
O episódio também deve gerar pressão por mudanças, já que milhares de pessoas enfrentaram horas de espera e parte do público sequer conseguiu aproveitar o espetáculo, mesmo após investir valores altos para estar presente.