8 min 8 horas

Força-tarefa com Ibama, ICMBio, PMA e Exército realizou operação na noite de sábado (2); felino passou por exames, recebeu colar de monitoramento e foi removido para área preservada do Pantanal

Uma operação conjunta coordenada por instituições ambientais e forças de segurança resultou na captura de uma onça-pintada fêmea em plena área urbana de Corumbá, na noite de sábado, 2 de maio de 2026, após uma sequência de aparições recorrentes e ataques a animais domésticos que vinham preocupando moradores. O animal foi submetido a exames clínicos no dia seguinte e, com apoio de helicóptero do Exército Brasileiro, foi transportado e reintroduzido na Serra do Amolar, a cerca de 200 quilômetros do perímetro urbano.

A ação foi conduzida pelo Grupo Técnico Onças Urbanas Corumbá-Ladário, uma força-tarefa formada por órgãos como Ibama, CENAP/ICMBio, Polícia Militar Ambiental (PMA-MS), Fundação de Meio Ambiente do Pantanal, Defesa Civil de Corumbá, Instituto Homem Pantaneiro (IHP), Jaguarte, além de pesquisadores e entidades parceiras.


Captura ocorreu após aumento do risco em área residencial

A presença da onça vinha sendo registrada com maior frequência desde janeiro de 2025, especialmente na região do Mirante da Capivara, próxima às margens do rio Paraguai. O comportamento do animal passou a chamar atenção por ocorrer em ambiente urbano, com registros de circulação em ruas, proximidade de residências e predação de animais domésticos.

A situação gerou crescente tensão entre moradores, principalmente diante do risco potencial a crianças e idosos em áreas residenciais. Um dos episódios mais alarmantes ocorreu na madrugada de 22 de abril de 2026, quando uma cadela foi atacada e morta na varanda de uma residência monitorada por câmeras de segurança.

Diante do cenário, as equipes intensificaram o acompanhamento e passaram a considerar medidas mais rigorosas para evitar que o felino permanecesse utilizando a cidade como território.


Monitoramento vinha sendo feito há quase um ano com armadilhas e rondas

Desde maio de 2025, o animal vinha sendo monitorado por equipes técnicas, com uso de armadilhas fotográficas, rondas noturnas e acompanhamento de avistamentos comunicados pela população. Além disso, foram realizadas ações de educação ambiental e orientações preventivas aos moradores.

Durante o período, instituições envolvidas também tentaram estratégias de afugentamento, com apoio do Prevfogo/Ibama e da própria PMA, além da utilização de recursos como repelentes luminosos para afastar o felino de áreas habitadas.

Mesmo com essas medidas, o padrão de repetição dos avistamentos indicou que a onça vinha expandindo o uso da chamada paisagem antropizada, principalmente motivada por oferta fácil de alimento, como animais domésticos.


Operação foi planejada desde abril e seguiu protocolos técnicos

A captura foi definida oficialmente após avaliação do Grupo Técnico e confirmação do ICMBio/CENAP, ainda em março de 2026, devido ao comportamento recorrente do animal em área urbana.

O plano passou a ser executado no final de abril, com reforço de estudos de campo e apoio da comunidade local, que ajudou com relatos de deslocamento e presença do felino.

A onça foi capturada por meio de armadilha de contenção, instalada em ponto estratégico, utilizando isca e técnicas de manejo de fauna, seguindo protocolos para garantir segurança ao animal e à população.

A coordenação local envolveu principalmente a Polícia Militar Ambiental, o Instituto Homem Pantaneiro e a organização Jaguarte, com suporte da Fundação de Meio Ambiente do Pantanal e colaboração do Exército.


Animal passou por exames e recebeu colar de rastreamento

Na manhã de domingo, 3 de maio, o felino foi levado à sede da PMA em Corumbá, onde passou por avaliações clínicas. O quadro de saúde foi considerado bom, sem alterações relevantes, segundo análise das equipes técnicas.

Durante o procedimento, foi instalado um colar de monitoramento, permitindo o rastreamento remoto do animal e o acompanhamento de seus deslocamentos após a soltura.

Esse tipo de equipamento é considerado fundamental em operações do tipo, pois permite observar se o animal retorna a áreas urbanas, além de auxiliar pesquisas sobre comportamento e deslocamento de grandes felinos no Pantanal.


Transporte foi feito com helicóptero do Exército até área preservada

Após os exames, a onça foi transportada com apoio de um helicóptero do Exército Brasileiro, por meio do Comando Militar do Oeste (CMO). O destino foi a Serra do Amolar, considerada uma das áreas mais preservadas do Pantanal sul-mato-grossense e adequada para reinserção do animal em habitat natural.

A escolha do local busca reduzir riscos de novos conflitos entre a fauna silvestre e a população urbana, além de oferecer condições ambientais compatíveis com a espécie.


Caso evidencia desafio crescente entre cidades e vida selvagem no Pantanal

A captura em Corumbá reforça um problema que tem se tornado mais frequente em regiões pantaneiras: a aproximação de grandes predadores de áreas habitadas. Especialistas apontam que fatores como alteração ambiental, pressão sobre áreas naturais e presença de alimento fácil em bairros próximos a matas e rios podem contribuir para esse tipo de ocorrência.

Além do impacto direto na segurança da população, episódios assim também geram consequências econômicas e sociais, especialmente para moradores que mantêm animais domésticos e pequenos criatórios próximos de áreas abertas.

O caso também destaca a importância do trabalho integrado entre órgãos ambientais e forças de segurança, já que operações desse tipo exigem logística, profissionais especializados e planejamento rigoroso para evitar acidentes.


Autoridades orientam população e reforçam canais de emergência

As equipes envolvidas reforçaram a necessidade de medidas preventivas, principalmente durante o período noturno. Entre as orientações, está evitar deixar animais domésticos soltos ou expostos em quintais, além de comunicar imediatamente qualquer novo avistamento.

A população pode acionar a Polícia Militar Ambiental pelo telefone (67) 99266-4052 e a Defesa Civil pelo 199.


Coletiva de imprensa deve detalhar próximos passos do monitoramento

Uma coletiva de imprensa está marcada para segunda-feira, 4 de maio de 2026, às 8h, na sede da Polícia Militar Ambiental de Corumbá, localizada na rodovia Ramão Gomes. Representantes do Ibama, ICMBio/CENAP, PMA, Defesa Civil, Fundação de Meio Ambiente do Pantanal, IHP, Jaguarte e Exército Brasileiro devem apresentar informações complementares sobre a captura, transporte e estratégias futuras de acompanhamento do animal.

Com o uso do colar de rastreamento, a expectativa é que o monitoramento continue nos próximos meses para garantir que a onça permaneça em ambiente natural e que o risco de novos episódios urbanos seja reduzido.