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Paralisação por tempo indeterminado atinge centros de distribuição da Capital e preocupa cidades do interior, como Corumbá, que dependem da rota logística via Campo Grande

A greve dos Correios teve início nesta terça-feira (29) em Campo Grande, após servidores de dois centros de distribuição aprovarem paralisação por tempo indeterminado. O movimento ocorre em meio à reestruturação nacional da estatal e pode comprometer o fluxo de encomendas e correspondências não apenas na Capital, mas também em cidades do interior, como Corumbá, que dependem diretamente da malha logística concentrada em Campo Grande para recebimento e encaminhamento de objetos postais.

Segundo estimativa do Sintect-MS (Sindicato dos Trabalhadores nos Correios, Telégrafos e Similares de Mato Grosso do Sul), a paralisação pode afetar aproximadamente 30% das entregas em Campo Grande, o que pode gerar atrasos em cascata em rotas estaduais.


Greve começa após fechamento de centros de distribuição ser anunciado

A paralisação foi aprovada por trabalhadores de dois centros de distribuição dos Correios na Capital: um localizado na zona leste, no Jardim São Lourenço, e outro na zona oeste, na Vila Alba.

O principal motivo do movimento é o anúncio de que as duas unidades serão fechadas, sendo uma com encerramento previsto para maio e a outra para junho, conforme informado pelo sindicato.

A categoria afirma que a medida faz parte de um processo de reestruturação que vem sendo aplicado em nível nacional, mas considera que os impactos sobre os trabalhadores e sobre a qualidade do serviço não estão sendo devidamente considerados.


Cerca de 80 servidores serão transferidos para outras unidades

Com o fechamento das unidades, aproximadamente 80 trabalhadores deverão ser transferidos para outros centros de distribuição em Campo Grande.

A redistribuição já teria destino definido:

  • Servidores da unidade da zona leste devem ser direcionados ao centro localizado em frente à Rodoviária de Campo Grande;
  • Trabalhadores da unidade da zona oeste devem ser realocados para o centro de distribuição do Guanandi, nas proximidades do Jardim Leblon.

O sindicato aponta que essas mudanças podem gerar instabilidade no funcionamento operacional, com impacto direto na triagem e no envio de encomendas.


Sindicato alerta para risco de corte salarial e perda de funções

Entre as principais preocupações levantadas pelos trabalhadores está o risco de redução salarial. A entidade sindical afirma que servidores transferidos podem perder funções e gratificações, o que pode representar queda de até 30% no salário, dependendo do cargo exercido após a mudança.

A situação aumenta a tensão entre a categoria, já que parte dos trabalhadores não tem garantia sobre qual função ocupará no novo local de trabalho, o que pode interferir diretamente na renda familiar.


Preocupação é com superlotação e condições de trabalho consideradas precárias

Além das questões salariais, o sindicato aponta que os centros de distribuição que receberão os trabalhadores já enfrentam limitações estruturais e podem não ter capacidade adequada para absorver mais servidores.

A entidade também menciona preocupações relacionadas a condições consideradas insalubres, como falta de climatização e ambientes inadequados para o aumento do fluxo operacional. A avaliação é de que a concentração de equipes pode agravar problemas já existentes e comprometer ainda mais a eficiência do serviço.


Interior pode sentir impacto: Corumbá depende diretamente da rota via Campo Grande

Embora o movimento esteja concentrado em Campo Grande, o reflexo pode atingir rapidamente cidades do interior, principalmente aquelas que dependem da Capital como principal elo logístico para recebimento e distribuição postal.

No caso de Corumbá, o cenário gera preocupação adicional: boa parte das encomendas e correspondências que chegam ao município passa pelo fluxo de triagem e encaminhamento realizado em Campo Grande. Qualquer redução operacional na Capital pode provocar atrasos significativos na chegada de mercadorias, documentos e objetos postais, afetando moradores, empresas e serviços públicos.

A paralisação também pode comprometer o abastecimento de entregas em municípios mais distantes, já que Campo Grande funciona como um dos principais pontos de redistribuição de cargas no Estado.


Atrasos podem afetar comércio, documentos e encomendas essenciais

Com o avanço da greve, o impacto pode ser percebido em diferentes setores, como:

  • compras feitas pela internet, com aumento do tempo de entrega;
  • envio e recebimento de documentos importantes, incluindo correspondências oficiais;
  • pequenos empreendedores, que dependem dos Correios para despachar produtos;
  • entrega de itens essenciais, como medicamentos e equipamentos.

Caso a paralisação se prolongue, o acúmulo de objetos postais pode gerar congestionamento logístico e atrasos mesmo após eventual retomada das atividades.


Correios ainda não divulgaram posicionamento oficial

A reportagem procurou a assessoria regional dos Correios e aguarda posicionamento oficial sobre a greve, o fechamento das unidades e as transferências previstas.

Enquanto isso, a paralisação segue sem previsão de término, ampliando o risco de atrasos em Campo Grande e aumentando a preocupação em municípios do interior de Mato Grosso do Sul, como Corumbá, que dependem diretamente da rota logística que passa pela Capital.