6 min 30 segundos

Estado registra tendência de crescimento nos casos de SRAG, enquanto crianças pequenas e idosos concentram os quadros mais graves e as maiores taxas de internação e mortalidade

Mato Grosso do Sul passou a integrar a lista de estados brasileiros em alerta para o aumento de casos de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave), conforme o novo boletim InfoGripe, divulgado nesta quinta-feira pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O levantamento aponta tendência de crescimento sustentado das infecções respiratórias no Estado, acompanhando um cenário de pressão crescente sobre os serviços de saúde em diversas regiões do país.

O avanço dos casos ocorre em meio ao aumento da circulação de vírus respiratórios típicos do período mais frio do ano, especialmente o VSR (Vírus Sincicial Respiratório) e a Influenza A, responsáveis pela maior parte das internações registradas nas últimas semanas.

Mato Grosso do Sul aparece entre os estados com avanço prolongado da doença

Segundo o boletim da Fiocruz, Mato Grosso do Sul está entre as 18 unidades da federação com tendência de crescimento de SRAG no longo prazo. O monitoramento considera os casos graves de infecções respiratórias que evoluem para hospitalização.

O período analisado compreende os dias 10 e 16 de maio, intervalo em que praticamente todo o território nacional apresentou nível de alerta, risco ou alto risco para doenças respiratórias. Rondônia foi o único estado fora da zona crítica.

Além de Mato Grosso do Sul, estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul também registraram aumento consistente nos indicadores epidemiológicos.

O dado considerado mais preocupante é o fato de o Estado não apenas figurar no mapa nacional de alerta, mas permanecer com curva ascendente de crescimento, indicando continuidade da transmissão e possibilidade de aumento na demanda hospitalar nas próximas semanas.

Crianças pequenas lideram internações por VSR

O boletim revela que o VSR se mantém como principal agente associado aos casos graves entre crianças pequenas. O vírus é conhecido por provocar bronquiolite e outras complicações respiratórias que frequentemente exigem internação, especialmente em bebês e crianças menores de dois anos.

Nas últimas quatro semanas analisadas pela Fiocruz, o VSR respondeu por 44,5% dos casos positivos para vírus respiratórios no Brasil. Na sequência aparecem Influenza A, com 24,5%, rinovírus, com 24,4%, Influenza B, com 4,4%, e Covid-19, com 2,6%.

O cenário reforça o impacto sazonal das doenças respiratórias infantis durante o outono e o inverno, período historicamente marcado pelo aumento da circulação viral e pela sobrecarga em unidades pediátricas.

Influenza A concentra maior número de mortes

Embora o VSR seja responsável pela maior parte das internações infantis, o vírus Influenza A aparece como principal causa de mortes entre os casos graves registrados no país.

De acordo com o levantamento, 51,8% dos óbitos associados a vírus respiratórios nas últimas semanas tiveram relação com Influenza A. O rinovírus aparece em seguida, com 15,4%, enquanto a Covid-19 responde por 11,8% das mortes, seguida pelo VSR, com 11,4%.

Os dados mostram que os idosos seguem como grupo de maior vulnerabilidade para evolução grave da doença, sobretudo diante de complicações provocadas pela gripe e pela Covid-19.

Mesmo com menor circulação do coronavírus em comparação aos períodos mais críticos da pandemia, especialistas alertam que a doença ainda possui impacto significativo entre pacientes idosos e pessoas com baixa cobertura vacinal.

Vacinação ganha importância diante do aumento dos casos

O avanço das síndromes respiratórias reacende o alerta das autoridades de saúde para a vacinação contra gripe e VSR, consideradas as principais formas de prevenção contra complicações graves.

Em Mato Grosso do Sul, a campanha de vacinação contra Influenza foi ampliada para toda a população, independentemente da faixa etária. A medida busca elevar a cobertura vacinal antes do período de maior circulação viral.

Já a vacina contra o VSR passou a integrar recentemente o Programa Nacional de Imunizações (PNI) e é indicada para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez. A estratégia permite que anticorpos produzidos pela mãe sejam transferidos ao bebê ainda durante a gestação, reduzindo o risco de complicações respiratórias nos primeiros meses de vida.

Brasil já ultrapassa 63 mil casos graves em 2026

O InfoGripe aponta que o Brasil acumula 63.634 casos de SRAG em 2026. O número reforça a dimensão do atual cenário epidemiológico e evidencia a pressão crescente sobre hospitais e unidades de pronto atendimento em diferentes regiões do país.

O avanço simultâneo de múltiplos vírus respiratórios também amplia os desafios para o sistema de saúde, especialmente em estados que já apresentam tendência de crescimento prolongado, como Mato Grosso do Sul.

Especialistas alertam que o comportamento das próximas semanas será decisivo para medir a intensidade do período sazonal das doenças respiratórias, principalmente com a chegada das temperaturas mais baixas e o aumento da circulação de pessoas em ambientes fechados.