Um fuzileiro naval de 24 anos sobreviveu a uma tentativa de execução após ser atingido por um disparo na nuca durante o roubo de seu veículo, entre a noite de quarta-feira (10) e a madrugada desta quinta-feira (11), em Corumbá.
A vítima conseguiu escapar mesmo ferida e pedir socorro, enquanto três suspeitos acabaram presos em flagrante pela Polícia Militar. Entre eles está outro militar da Marinha, apontado como responsável por atrair a vítima para a emboscada.
O caso mobilizou equipes da Força Tática e do Grupo Especializado Tático de Motos (GETAM) e chama atenção pela violência da ação criminosa, além da suspeita de que o automóvel roubado seria levado para a Bolívia por meio da fronteira entre os dois países.
Emboscada começou com pedido de carona
De acordo com as informações apuradas pelas autoridades, a vítima estava em seu alojamento quando recebeu um pedido de carona de um colega de farda, de 21 anos. Sem desconfiar da situação, aceitou conduzi-lo até o destino informado.
Durante o trajeto, porém, o suspeito retirou a chave da ignição do veículo e sacou um revólver, rendendo o motorista. Sob ameaça, o militar foi obrigado a se deslocar para o banco traseiro e manter a cabeça abaixada.
Pouco depois, outros dois homens entraram no automóvel e passaram a participar da ação criminosa.
As investigações indicam que o grupo pretendia inicialmente seguir para a região da Bocaina, mas alterou a rota após suspeitar da presença de equipes policiais na área. O destino passou a ser uma estrada de terra localizada nos fundos do Residencial Flamboyant III, na parte alta de Corumbá.
Foi nesse local que a vítima foi retirada do veículo e colocada no chão. Em seguida, sofreu um disparo na região da nuca.
Militar conseguiu sobreviver e pedir ajuda
Mesmo gravemente ferido, o fuzileiro naval permaneceu consciente. Após o ataque, conseguiu caminhar até uma conveniência próxima, onde recebeu auxílio de moradores.
O militar foi encaminhado inicialmente para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Guatós. Exames de imagem confirmaram que o projétil permaneceu alojado na região da nuca.
Posteriormente, ele foi transferido para a Santa Casa de Corumbá, onde segue internado sob acompanhamento médico.
A sobrevivência da vítima é considerada um dos fatores que contribuíram para o rápido avanço das investigações, já que ela conseguiu fornecer detalhes importantes sobre a dinâmica do crime e a identidade de um dos envolvidos.
Polícia agiu rapidamente para impedir travessia para a Bolívia
Com as informações obtidas, a Polícia Militar iniciou diligências para localizar os suspeitos e recuperar o veículo, um Chevrolet Onix prata.
A possibilidade de o automóvel ser levado para a Bolívia colocou em alerta equipes que atuam na região de fronteira. Corumbá possui uma das principais ligações terrestres entre o Brasil e o país vizinho, realidade que frequentemente exige operações de fiscalização voltadas ao combate de crimes transfronteiriços.
As características dos envolvidos e os dados do veículo foram compartilhados com diversas equipes, incluindo policiais que atuam no Posto Fiscal Esdras.
A estratégia teve resultado rápido. O carro foi localizado antes que deixasse o território nacional.
Arma, munições, droga e objetos suspeitos foram apreendidos
Um dos investigados, o militar apontado como articulador da ação, foi localizado em uma lanchonete na cidade de Ladário.
Durante a abordagem, policiais encontraram em seu veículo um revólver calibre .22 contendo munições deflagradas, intactas e percutidas.
Também foram apreendidos aproximadamente 10,4 gramas de uma substância semelhante à skunk, além de joias, relógio, celulares, um soco inglês e uma fita crepe.
Segundo as apurações iniciais, a fita poderia ser utilizada para imobilizar a vítima durante a execução do plano criminoso.
O suspeito apresentou resistência durante a prisão e precisou ser contido pelos policiais.
Plano previa levar carro roubado para o país vizinho
Os outros dois envolvidos foram localizados no Posto Fiscal Esdras junto ao veículo roubado.
Durante os procedimentos policiais, os suspeitos informaram que receberiam cerca de R$ 1 mil cada pela participação na ação criminosa.
As investigações apontam que um deles teria a função de atuar como guia na Bolívia, enquanto o outro ficaria responsável pela travessia e entrega do automóvel.
Conforme os relatos obtidos pela polícia, o plano inicial previa manter a vítima amarrada, mas a estratégia teria sido alterada durante a execução do crime, culminando na tentativa de homicídio.
A linha investigativa reforça a hipótese de que o roubo possuía características de uma ação previamente planejada e com divisão de funções entre os participantes.
Caso expõe desafios de segurança na região de fronteira
A ocorrência também evidencia um cenário recorrente enfrentado pelas forças de segurança em Corumbá e na faixa de fronteira entre Brasil e Bolívia.
A localização estratégica do município, importante corredor logístico e comercial de Mato Grosso do Sul, faz com que veículos roubados frequentemente estejam entre os alvos de organizações criminosas que atuam em crimes transfronteiriços.
Nos últimos anos, operações integradas entre forças estaduais e federais têm intensificado o monitoramento de rotas utilizadas para o transporte ilegal de veículos, drogas e mercadorias.
Neste caso, a rápida comunicação entre as equipes policiais foi decisiva para impedir que o automóvel deixasse o país.
Marinha acompanha investigação
Como vítima e um dos suspeitos pertencem à Marinha do Brasil, o caso também passou a ser acompanhado pela instituição.
O Comando do 6º Distrito Naval informou que presta assistência ao militar ferido e acompanha permanentemente sua recuperação.
A instituição também confirmou que está colaborando com os órgãos responsáveis pela investigação para o esclarecimento dos fatos e eventual responsabilização dos envolvidos.
Crimes investigados
Os três suspeitos foram encaminhados ao 1º Distrito Policial de Corumbá e permanecem à disposição da Justiça.
A ocorrência foi registrada pelos crimes de:
- Tentativa de homicídio;
- Roubo qualificado;
- Associação criminosa;
- Porte ilegal de arma de fogo;
- Resistência à prisão.
A Polícia Civil segue com as investigações para esclarecer todos os detalhes do planejamento da ação, a possível participação de outras pessoas e eventuais conexões com crimes praticados na região de fronteira.
