Pesquisa aponta que milhões de brasileiros pretendem gastar mais durante a Copa do Mundo 2026, impulsionando o comércio, mas também elevando o alerta para o aumento das dívidas e das compras por impulso.
A Copa do Mundo de 2026 não está movimentando apenas a paixão dos torcedores dentro e fora dos estádios. O maior evento esportivo do planeta também vem provocando uma mudança significativa no comportamento de consumo dos brasileiros, impulsionando as vendas no comércio e aumentando os gastos das famílias em diversos setores da economia. Ao mesmo tempo, especialistas em finanças alertam que o entusiasmo com a competição pode resultar em um crescimento do endividamento, especialmente entre consumidores que recorrem ao cartão de crédito e ao parcelamento para financiar compras relacionadas ao torneio.
Consumidores buscam novas tecnologias para acompanhar os jogos da Seleção Brasileira. Foto: Divulgação
Levantamentos divulgados nas últimas semanas mostram que uma parcela expressiva dos brasileiros pretende fazer algum tipo de compra motivada pela Copa do Mundo. O gasto médio estimado ultrapassa os R$ 600 por consumidor, enquanto consumidores de maior renda projetam despesas ainda mais elevadas. As pesquisas também indicam que a maioria dos entrevistados afirma que a competição alterou seus hábitos de consumo, incentivando compras que normalmente não fariam em outros períodos do ano.
O cenário reforça como grandes eventos esportivos têm capacidade de aquecer a economia, aumentar o consumo e estimular diversos segmentos do varejo, desde supermercados até lojas de eletrônicos e artigos esportivos. Em regiões como o Pantanal, o comércio de Corumbá já registra decoração temática e aumento na circulação de clientes, refletindo o otimismo local.
Copa do Mundo impulsiona gastos com alimentos, bebidas, televisores e camisetas
Entre os principais produtos procurados pelos brasileiros durante a Copa do Mundo estão alimentos para confraternizações, carnes para churrasco, bebidas, petiscos, refrigerantes e cervejas. Reunir amigos e familiares para assistir aos jogos da Seleção Brasileira continua sendo uma das tradições mais fortes do país, fazendo com que supermercados registrem aumento na procura por produtos típicos dessas reuniões.
A tradição do churrasco durante os jogos movimenta o setor de alimentos em todo o país. Foto: R7 Esportes
Além da alimentação, cresce a demanda por televisores de tela grande, sistemas de áudio, caixas de som, camisas da Seleção Brasileira, bandeiras, artigos de decoração nas cores verde e amarela e outros produtos relacionados ao futebol. A nova camisa da Seleção Brasileira para 2026 já é um dos itens mais desejados pelos torcedores.
Uniforme oficial da Seleção Brasileira é peça-chave no consumo sazonal do Mundial. Foto: Divulgação/Nike
O setor de bares, restaurantes, delivery e entretenimento também costuma registrar aumento no movimento durante a competição, beneficiado pelas transmissões das partidas e pela maior circulação de consumidores em dias de jogos.
Pesquisa mostra mudança no comportamento de consumo dos brasileiros
Mais do que aumentar os gastos, a Copa do Mundo também modifica a forma como os brasileiros consomem. Pesquisas recentes apontam que a maioria dos consumidores pretende adaptar sua rotina durante o torneio, priorizando compras relacionadas aos jogos, encontros com amigos e experiências ligadas ao futebol.
Especialistas explicam que esse fenômeno é conhecido como consumo emocional. Grandes eventos esportivos despertam sentimentos de pertencimento, celebração e entusiasmo, levando muitas pessoas a realizar compras motivadas pela emoção do momento, e não apenas pela necessidade. Segundo dados da CNDL e SPC Brasil, 60% dos brasileiros pretendem gastar durante o Mundial.
Esse comportamento pode beneficiar a economia no curto prazo, mas exige atenção para evitar que decisões impulsivas comprometam o orçamento familiar após o encerramento da competição.
Endividamento preocupa especialistas durante a Copa do Mundo
O aumento dos gastos também vem acompanhado de um dado que acende o alerta entre economistas e especialistas em educação financeira. Pesquisas divulgadas recentemente indicam que uma parcela dos consumidores brasileiros já acumulou dívidas relacionadas às despesas da Copa do Mundo, enquanto outros demonstram preocupação com a capacidade de manter os pagamentos em dia nos próximos meses.
O cartão de crédito aparece como uma das principais formas de pagamento utilizadas nesse período. Embora o parcelamento permita distribuir os custos ao longo do tempo, especialistas alertam que o acúmulo de parcelas pode comprometer a renda das famílias muito depois do fim da competição. A injeção de R$ 4,32 bilhões no varejo mostra a força do consumo, mas também o risco de sobrecarga financeira.
Além das compras planejadas, o risco aumenta quando o consumidor aproveita promoções sem avaliar se realmente precisa do produto ou serviço adquirido.
O que os brasileiros mais compram durante a Copa do Mundo?
Os levantamentos mostram que os gastos relacionados ao torneio se concentram principalmente em categorias ligadas ao lazer e às confraternizações. Entre os itens que registram maior procura estão:
- Alimentos para churrasco;
- Bebidas alcoólicas e refrigerantes;
- Petiscos e produtos para reuniões familiares;
- Televisores e equipamentos eletrônicos;
- Caixas de som e acessórios de áudio;
- Camisas da Seleção Brasileira e artigos esportivos;
- Bandeiras e itens de decoração;
- Serviços de delivery;
- Bares e restaurantes;
- Plataformas de streaming e TV por assinatura para acompanhar os jogos.
Esse comportamento ajuda a explicar por que a Copa do Mundo é considerada um dos maiores impulsionadores do consumo no varejo brasileiro.
Comércio espera crescimento nas vendas durante a Copa do Mundo
Para empresários, a competição representa uma das principais oportunidades de aumento nas vendas ao longo do ano. Supermercados, lojas de eletrodomésticos, comércio de artigos esportivos, distribuidoras de bebidas, restaurantes e empresas de entretenimento costumam registrar crescimento na demanda durante o torneio.
A expectativa é que o aumento do consumo gere impactos positivos em diferentes segmentos da economia, movimentando bilhões de reais em vendas e fortalecendo atividades ligadas ao turismo, alimentação, transporte e serviços. A Prefeitura de Corumbá, por exemplo, já organiza espaços públicos para transmissões, o que deve atrair ainda mais consumidores para o centro comercial.
Especialistas destacam que grandes eventos esportivos possuem forte capacidade de estimular a economia por meio do chamado consumo sazonal, quando os consumidores concentram parte dos gastos em períodos específicos motivados por datas comemorativas ou acontecimentos de grande repercussão.
Como evitar dívidas durante a Copa do Mundo
Apesar do clima de festa, especialistas recomendam que os consumidores estabeleçam um planejamento financeiro antes de realizar compras relacionadas à competição.
Entre as principais orientações estão definir um limite de gastos, evitar parcelamentos longos, comparar preços, priorizar compras realmente necessárias e não utilizar o limite do cartão de crédito como complemento da renda.
Também é importante reservar parte do orçamento para despesas fixas, evitando que a empolgação com a Copa comprometa contas essenciais nos meses seguintes.
Paixão pelo futebol não deve comprometer o orçamento das famílias
A Copa do Mundo continua sendo um dos eventos que mais mobilizam os brasileiros e exerce forte influência sobre o consumo em todo o país. O entusiasmo com a Seleção Brasileira impulsiona o comércio, aquece diversos setores da economia e fortalece o varejo, mas também exige responsabilidade financeira.
As pesquisas mostram que milhões de consumidores pretendem gastar mais durante o torneio, refletindo o impacto econômico da competição. No entanto, especialistas reforçam que aproveitar a Copa do Mundo não precisa significar assumir dívidas. Com planejamento e consumo consciente, é possível participar da festa do futebol sem comprometer o orçamento familiar, permitindo que as boas lembranças da competição permaneçam por muito mais tempo do que as parcelas das compras realizadas durante o evento.
