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Fogo iniciado na região de Forte Coimbra avançou para a Área de Manejo Integrado Otuquis, em Puerto Suárez; equipes dos dois países monitoram a situação e trabalham para conter novos focos

Um incêndio florestal que começou na região de Forte Coimbra, em Corumbá, na última quinta-feira (16), ultrapassou a fronteira entre Brasil e Bolívia e atingiu uma área de conservação ambiental no país vizinho. A propagação das chamas foi acelerada por rajadas de vento norte que chegaram a 70 km/h no Pantanal sul-mato-grossense, criando condições favoráveis para o deslocamento rápido do fogo pela vegetação seca.

O avanço internacional do incêndio mobilizou equipes ambientais dos dois países, já que as chamas chegaram à Área de Manejo Integrado Otuquis, uma unidade de conservação localizada no município boliviano de Puerto Suárez, região próxima à comunidade Triángulo Foianini e à fronteira com Corumbá.

De acordo com o monitoramento realizado por satélites e acompanhado pelo Instituto Homem Pantaneiro (IHP), os focos que estavam no lado brasileiro da região de Forte Coimbra foram controlados, e a atenção das equipes passou a se concentrar no território boliviano.

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Fogo avançou após mudança nas condições climáticas

O incêndio foi identificado inicialmente por sistemas de monitoramento da NASA e por equipes de guarda-parques que atuam na região pantaneira. O ponto de origem estava localizado a aproximadamente 5,8 quilômetros da fronteira com a Bolívia, mas as condições meteorológicas registradas na sexta-feira (17) contribuíram para a rápida expansão das chamas.

A combinação entre altas temperaturas, vegetação vulnerável e ventos intensos criou um cenário de maior risco para a propagação do fogo. As rajadas de vento funcionaram como um fator determinante para transportar brasas e acelerar o deslocamento das chamas, permitindo que o incêndio ultrapassasse a linha internacional.

A região de Forte Coimbra possui características ambientais específicas por estar inserida no complexo do Pantanal, um dos maiores biomas alagáveis do mundo. Durante o período de estiagem, áreas de vegetação acumulam material orgânico seco, aumentando a possibilidade de ocorrência e propagação de incêndios florestais.

Área protegida na Bolívia entra em alerta ambiental

Após cruzar a fronteira, o incêndio alcançou a Área de Manejo Integrado Otuquis, uma região de grande importância para a conservação da biodiversidade no território boliviano.

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Imagens de satélite e registros feitos por moradores locais mostraram grandes colunas de fumaça sobre a área conhecida pela transição entre os ambientes do Pantanal e do Chaco, dois ecossistemas de elevada relevância ambiental na América do Sul.

A principal preocupação das autoridades ambientais é o impacto sobre a fauna silvestre e sobre áreas de vegetação nativa que funcionam como abrigo e corredor ecológico para diversas espécies. A região de Puerto Suárez, por sua proximidade com Corumbá, faz parte de um corredor ambiental compartilhado entre Brasil e Bolívia, onde alterações no equilíbrio ecológico podem gerar reflexos nos dois lados da fronteira.

Bolívia reforça equipes para monitorar avanço das chamas

O Serviço Nacional de Áreas Protegidas da Bolívia (Sernap) confirmou a identificação de focos ativos de calor próximos à faixa de fronteira e iniciou ações de monitoramento para avaliar a evolução do incêndio.

O combate enfrenta dificuldades devido ao isolamento geográfico da área atingida, com acesso terrestre limitado e condições naturais que dificultam a chegada rápida de equipes e equipamentos. Como resposta, guarda-parques e unidades da Armada Boliviana foram mobilizados para auxiliar no acompanhamento da situação e no trabalho de contenção.

A cooperação entre Brasil e Bolívia tem papel estratégico neste tipo de ocorrência, especialmente em uma região de fronteira onde os limites administrativos não impedem o deslocamento de fenômenos ambientais como incêndios florestais.

Mudança no tempo pode ajudar no controle do incêndio

As próximas horas serão consideradas decisivas para a evolução do combate. Modelos meteorológicos indicam uma redução significativa na intensidade dos ventos a partir deste domingo (19), condição que pode diminuir a velocidade de avanço das chamas.

Outro fator considerado positivo pelas equipes ambientais é a umidade presente na biomassa da região afetada. Diferentemente de períodos de seca extrema registrados em outros anos no Pantanal, a vegetação desta área ainda apresenta níveis de umidade capazes de dificultar uma propagação mais acelerada do fogo.

Mesmo com uma perspectiva meteorológica mais favorável, órgãos ambientais seguem acompanhando o incêndio por meio de imagens de satélite e dados compartilhados em tempo real para avaliar novos focos e reduzir possíveis impactos ambientais.

Alerta para o Pantanal na região de Corumbá

O episódio reforça a importância do monitoramento permanente dos incêndios florestais no Pantanal de Corumbá, uma das áreas mais sensíveis do bioma em Mato Grosso do Sul.

O município, que concentra uma das maiores extensões territoriais do estado e abriga importantes áreas de preservação, enfrenta anualmente o desafio de equilibrar a proteção ambiental, as atividades econômicas ligadas ao campo e o turismo de natureza, um dos principais setores da economia local.

A ocorrência também evidencia que incêndios em áreas pantaneiras podem ultrapassar fronteiras e exigir ações coordenadas entre diferentes países, já que o ecossistema funciona de maneira integrada independentemente das divisões territoriais.

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