Pesquisadores desenvolveram uma terapia inovadora com três medicamentos capaz de eliminar completamente tumores de câncer de pâncreas em testes realizados com animais. Além da regressão total da doença, a estratégia conseguiu evitar a resistência ao tratamento, um dos maiores desafios da oncologia moderna.
🔬 Estudo foi publicado em revista científica internacional
A pesquisa foi divulgada na revista científica PNAS em dezembro de 2025 e conduzida por uma equipe do Centro Nacional de Pesquisa Oncológica da Espanha (CNIO). Os testes demonstraram resultados consistentes em diferentes modelos animais.
⏱️ Tumores desapareceram em poucas semanas
De acordo com os dados do estudo, os tumores pancreáticos regrediram completamente entre três e quatro semanas após o início do tratamento. Mesmo após mais de 200 dias sem a administração dos medicamentos, os animais permaneceram livres da doença e não apresentaram sinais de toxicidade.
⚙️ Como funciona a terapia combinada
A estratégia terapêutica reúne três compostos distintos, cada um atuando em um mecanismo-chave do crescimento tumoral:
- Um medicamento age diretamente sobre o oncogene KRAS, considerado o principal fator genético do câncer de pâncreas
- Os outros dois bloqueiam as proteínas EGFR e STAT3, envolvidas em vias de sinalização essenciais para a progressão do tumor
A atuação simultânea impede que as células cancerígenas se adaptem ou desenvolvam resistência ao tratamento.
🧠 Entenda o câncer de pâncreas
O pâncreas é um órgão localizado na região abdominal, responsável pela produção de insulina e de enzimas digestivas. Anatomicamente, é dividido em cabeça, corpo e cauda.
O câncer de pâncreas costuma evoluir de forma silenciosa nos estágios iniciais, o que dificulta o diagnóstico precoce. O tipo mais comum é o adenocarcinoma, responsável por mais de 90% dos casos.
📊 Doença tem alta letalidade no Brasil
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de pâncreas apresenta alta taxa de mortalidade devido à detecção tardia e ao comportamento agressivo.
No Brasil, excluindo os tumores de pele não melanoma, a doença ocupa a 14ª posição em incidência, representando cerca de 1% dos diagnósticos, mas responde por aproximadamente 5% das mortes por câncer. Em números absolutos, mais de 11 mil óbitos foram registrados em um único ano.
🔮 Próximos passos da pesquisa
Apesar dos resultados expressivos em laboratório, a terapia ainda está em fase experimental. O próximo desafio envolve o ajuste das substâncias para que possam ser avaliadas em ensaios clínicos com humanos, seguindo critérios rigorosos de segurança.
Os dados indicam que a regressão tumoral ocorreu independentemente da resposta do sistema imunológico, o que sugere potencial eficácia mesmo em pacientes imunocomprometidos. Os achados abrem caminho para novas abordagens terapêuticas e ampliam as perspectivas de tratamento para um dos tipos de câncer mais letais da atualidade.
Fonte: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/01/29/cientistas-usam-combinacao-tripla-de-medicamentos-e-eliminam-cancer-de-pancreas-em-testes-com-animais.ghtml