6 min 2 horas

Coleta de material genético de 486 detentos em presídios de Campo Grande fortalece sistema utilizado para identificar autores de crimes e conectar ocorrências em todo o país

Mato Grosso do Sul ampliou sua estrutura de investigação criminal com a inclusão de 486 novos perfis genéticos no banco estadual de DNA. As coletas foram realizadas em duas etapas no Complexo Penitenciário da Gameleira, em Campo Grande, e fazem parte da estratégia nacional de fortalecimento das ferramentas científicas utilizadas na elucidação de crimes.

A medida aumenta a capacidade das forças de segurança de identificar suspeitos por meio de vestígios biológicos encontrados em cenas de crime, além de permitir o cruzamento de informações entre investigações conduzidas em diferentes municípios e estados.

Coletas foram realizadas em duas unidades prisionais

A etapa mais recente ocorreu na Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira I, onde foram coletadas 186 amostras genéticas de internos. Anteriormente, em abril deste ano, outras 300 amostras haviam sido recolhidas na unidade Gameleira II.

Após a coleta, o material é encaminhado para análise laboratorial especializada. Somente os perfis que atendem aos critérios técnicos e legais são inseridos nos bancos estadual e nacional de perfis genéticos, integrando uma rede utilizada por órgãos de segurança pública em todo o país.

O procedimento permite comparar amostras biológicas encontradas durante investigações com perfis já cadastrados, ampliando as possibilidades de identificação de autores de crimes e contribuindo para o esclarecimento de ocorrências que, muitas vezes, permanecem sem solução por longos períodos.

Ferramenta já contribuiu para dezenas de investigações

Dados da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos mostram que Mato Grosso do Sul possuía, até maio deste ano, 5.471 perfis cadastrados.

Desse total, 4.081 pertencem a pessoas condenadas judicialmente, enquanto 918 registros correspondem a vestígios biológicos coletados durante investigações criminais.

Os resultados já demonstram impacto prático para as autoridades. O sistema auxiliou 88 investigações no Estado e permitiu a confirmação de 59 coincidências genéticas, situações em que o material encontrado em uma ocorrência apresentou correspondência com perfis armazenados na base de dados.

Essas coincidências podem ajudar tanto na identificação de suspeitos quanto na conexão entre diferentes crimes, revelando possíveis vínculos entre ocorrências registradas em locais distintos.

Mudança na legislação ampliou alcance das coletas

A expansão do banco genético ocorre em um momento de mudança na legislação federal.

Com a entrada em vigor da Lei nº 15.295/2025, a coleta de perfil genético passou a abranger condenados que iniciam o cumprimento da pena em regime fechado, independentemente da natureza do crime praticado.

Antes da alteração legal, a obrigatoriedade estava restrita a determinadas categorias criminais previstas na legislação. A nova regra ampliou significativamente o universo de pessoas sujeitas ao cadastramento genético, acelerando o crescimento das bases de dados utilizadas pelas forças de segurança.

Especialistas em investigação criminal apontam que a ampliação dos bancos genéticos segue uma tendência observada em diversos países, onde a utilização de evidências científicas tem ganhado espaço como ferramenta complementar para produção de provas e reconstrução de fatos.

Impactos para a segurança pública em Mato Grosso do Sul

O fortalecimento do banco de DNA ocorre em um estado que ocupa posição estratégica na rota de circulação de pessoas e mercadorias entre o Brasil e países vizinhos, especialmente na faixa de fronteira com a Bolívia e o Paraguai.

Municípios como Corumbá, Ponta Porã e outras cidades fronteiriças frequentemente participam de operações de combate ao tráfico de drogas, contrabando e organizações criminosas. Nesse cenário, ferramentas de identificação genética podem contribuir para acelerar investigações e fornecer elementos técnicos que auxiliem o trabalho das polícias.

Além de aumentar a capacidade de identificação de suspeitos, o cruzamento de perfis genéticos também pode ajudar na resolução de crimes antigos, no reconhecimento de autores reincidentes e na integração de informações entre diferentes unidades de investigação.

Novas etapas devem ampliar banco genético no interior

A expectativa das autoridades é que novas coletas sejam realizadas em unidades prisionais localizadas no interior de Mato Grosso do Sul nos próximos meses.

Com a continuidade do processo, a tendência é que o banco estadual de perfis genéticos siga crescendo, fortalecendo uma das principais ferramentas de investigação científica utilizadas atualmente pelas forças de segurança para o esclarecimento de crimes e produção de provas técnicas.