CORUMBÁ (MS) – Uma apreensão de quase 75 quilos de skunk na BR-262, principal corredor rodoviário entre a fronteira Brasil-Bolívia e o restante do país, revelou um esquema criminoso que chamou a atenção até mesmo dos investigadores. Além do grande carregamento de drogas, a mulher apontada como responsável pelo transporte utilizava o documento original de outra pessoa, perdido há cerca de quatro anos, para tentar ocultar sua verdadeira identidade.
O caso ganhou novos desdobramentos quando a verdadeira proprietária do documento, uma moradora de Puerto Quijarro, na Bolívia, descobriu pela internet que seus dados apareciam nas notícias policiais como se ela fosse a traficante. Assustada, ela procurou imediatamente a Polícia Civil de Corumbá para comprovar que era vítima de fraude e preservar seus direitos. A investigação agora busca identificar toda a rede criminosa envolvida.
🚨 Como começou a investigação
A ocorrência teve início durante uma fiscalização da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na madrugada de quinta-feira (16), no km 602 da BR-262, nas proximidades de Miranda. O ônibus fazia o itinerário Corumbá–São Paulo, uma rota frequentemente monitorada pelas forças de segurança devido ao intenso fluxo vindo da fronteira boliviana. :contentReference[oaicite:2]{index=2}
Durante a inspeção no bagageiro, os policiais perceberam um forte odor característico de entorpecentes e localizaram nove volumes contendo 90 tabletes de skunk, escondidos sob fardos de folhas de coca, estratégia utilizada para tentar dificultar o trabalho dos cães farejadores.
📌 Apreensão
✔ 74,9 kg de skunk
✔ 90 tabletes da droga
✔ 9 malas despachadas no ônibus
✔ Linha Corumbá → São Paulo
A passageira simplesmente desapareceu
Depois de localizar as malas, os policiais conferiram os tíquetes de bagagem e constataram que todos estavam registrados em nome de uma única passageira.
Quando entraram no ônibus para localizá-la, porém, ela já não ocupava sua poltrona. O motorista informou que não percebeu em qual parada a mulher havia desembarcado, indicando que ela deixou o veículo antes da abordagem.
A fuga, entretanto, durou pouco. O compartilhamento rápido das informações entre as forças policiais permitiu que a suspeita fosse encontrada horas depois em um restaurante às margens da BR-262, no município de Miranda, onde acabou presa em flagrante. :contentReference[oaicite:3]{index=3}
🔎 A descoberta que mudou completamente a investigação
Durante a identificação da presa, os investigadores perceberam que havia algo incomum.
Embora o documento apresentado fosse verdadeiro, ele não pertencia à mulher detida.
A investigação apontou que a suspeita utilizava a identidade de uma cidadã boliviana de 31 anos, residente em Puerto Quijarro, cidade vizinha a Corumbá. O RG havia sido perdido em 2022 e posteriormente substituído pela verdadeira proprietária, que desconhecia completamente o destino do documento extraviado. :contentReference[oaicite:4]{index=4}
Segundo a Polícia Civil, a documentação foi utilizada tanto para a compra da passagem quanto para o despacho das bagagens que transportavam a droga.
A vítima descobriu tudo pela internet
O episódio ganhou um contorno ainda mais surpreendente quando a verdadeira dona do documento acessou reportagens publicadas na imprensa local.
Ao ler as notícias, ela percebeu que seu nome e seus dados pessoais apareciam vinculados ao transporte da droga.
Imediatamente, atravessou a fronteira e compareceu à 1ª Delegacia de Polícia Civil de Corumbá, onde registrou um boletim de ocorrência de preservação de direito. Ela apresentou documentos que comprovavam a emissão de uma segunda via após o extravio do RG e afirmou não possuir qualquer ligação com a mulher presa ou com o esquema de tráfico internacional. :contentReference[oaicite:5]{index=5}
Corumbá segue na principal rota do tráfico internacional
A apreensão reforça um cenário conhecido pelas forças de segurança de Mato Grosso do Sul. Pela posição geográfica de Corumbá, localizada na fronteira com a Bolívia, a região continua sendo uma das principais portas de entrada de drogas produzidas em países vizinhos.
A BR-262 é considerada estratégica para organizações criminosas porque conecta a fronteira ao interior do Estado e aos grandes centros consumidores do Sudeste, especialmente São Paulo. Por esse motivo, operações da PRF, Polícia Civil e demais forças de segurança são frequentes ao longo da rodovia. :contentReference[oaicite:6]{index=6}
Nos últimos anos, além do aumento das apreensões de skunk, as autoridades também vêm identificando métodos cada vez mais sofisticados para ocultar a identidade de transportadores, incluindo o uso de documentos extraviados pertencentes a terceiros, prática que dificulta a identificação imediata dos envolvidos e pode causar sérios prejuízos às vítimas.
📍 O caso continua sob investigação
A Polícia Civil prossegue com as investigações para confirmar a verdadeira identidade da mulher presa, identificar a origem da carga de 74,9 kg de skunk, localizar outros integrantes da organização criminosa e esclarecer como o documento perdido passou a ser utilizado no esquema de tráfico internacional.
