Animal estava debilitado, muito magro, infestado por parasitas e exposto à chuva; caso foi descoberto após denúncia recebida pela 1ª Delegacia de Polícia
Um cachorro idoso foi resgatado pela Polícia Civil em situação de maus-tratos em Corumbá, após investigadores constatarem que o animal vivia em condições inadequadas de saúde e bem-estar. O responsável pelo cão foi identificado e indiciado pelo crime de maus-tratos a animais.
A ocorrência teve início a partir de uma denúncia encaminhada à 1ª Delegacia de Polícia de Corumbá, por meio do Disque-Denúncia da unidade. A informação apontava a existência de animais que estariam sendo mantidos sem os cuidados necessários.
A partir da denúncia, policiais realizaram diligências no endereço informado e encontraram uma situação que envolvia mais de um animal.
Primeiro animal já havia sido encaminhado ao CCZ
Durante a averiguação, os investigadores constataram que o cachorro inicialmente citado na denúncia já havia sido encaminhado ao Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) para procedimentos de eutanásia.
O animal apresentava uma doença em estágio avançado e encontrava-se em estado grave e debilitado. Conforme as informações reunidas durante a diligência, a ausência de tratamento veterinário e de cuidados básicos contribuiu para a deterioração de suas condições de saúde.
A situação levou os policiais a ampliarem a averiguação para um imóvel vizinho, onde outro cachorro foi encontrado.
Cão idoso vivia do lado de fora e ficava exposto à chuva
No imóvel ao lado, a equipe encontrou um cachorro idoso e visivelmente debilitado, mantido em uma pequena casinha localizada na área externa da residência.
O animal permanecia exposto à chuva e, segundo as informações levantadas pelos investigadores, não tinha autorização para permanecer dentro da casa.
Inicialmente, o morador afirmou aos policiais que o cachorro não lhe pertencia. Entretanto, no decorrer das diligências, foram obtidos elementos que indicaram que o animal estava sob sua responsabilidade.
A situação também revelou que vizinhos vinham auxiliando o cachorro. A própria casinha utilizada como abrigo teria sido cedida por moradores próximos, que também contribuíam com a alimentação do animal diante da falta de cuidados adequados por parte do responsável.
Animal apresentava sinais de abandono e precisava de atendimento
Durante a ação, os policiais constataram que o cachorro apresentava magreza acentuada, infestação por parasitas externos e sinais de debilidade.
Também foram observados indícios compatíveis com enfermidade, incluindo sinais sugestivos de leishmaniose, o que reforçou a necessidade de avaliação veterinária e retirada do animal daquele ambiente.
A condição encontrada pelos investigadores evidenciava que o cão precisava de cuidados de saúde, alimentação adequada e acompanhamento especializado.
Diante da situação, a Polícia Civil retirou o animal da guarda do responsável e realizou o resgate.
Cachorro foi encaminhado para proteção animal
Após o resgate, o cachorro foi encaminhado para uma organização de proteção animal, onde passou por atendimento veterinário.
O animal deverá receber tratamento, alimentação adequada e os cuidados necessários para a recuperação de sua saúde.
O responsável foi identificado e, após as providências de polícia judiciária, indiciado pelo crime de maus-tratos a animais.
O caso chama atenção para uma questão que vai além da agressão física. Em situações de abandono ou negligência, a falta de alimentação, água, abrigo, higiene e atendimento veterinário também pode colocar a vida e o bem-estar dos animais em risco.
O que caracteriza maus-tratos contra animais?
De acordo com a Polícia Civil, maus-tratos não se resumem a agressões físicas.
Também podem caracterizar o crime situações como deixar o animal sem alimentação ou água adequadas, mantê-lo continuamente exposto ao sol, chuva ou frio sem abrigo apropriado, não oferecer condições mínimas de higiene e bem-estar ou deixar de buscar atendimento veterinário quando o animal apresenta doença ou sofrimento.
Nos casos envolvendo cães e gatos, a legislação prevê tratamento penal mais severo. O artigo 32, § 1º-A, da Lei nº 9.605/1998 estabelece pena de dois a cinco anos de reclusão, multa e proibição da guarda para quem pratica maus-tratos contra esses animais.
Denúncias podem ajudar a identificar casos em Corumbá
A ocorrência também reforça a importância da participação da população na identificação de situações de abandono e maus-tratos em Corumbá.
Casos em que animais estejam sendo mantidos sem alimentação adequada, abrigo, cuidados básicos ou atendimento veterinário podem ser comunicados às autoridades para averiguação.
A 1ª Delegacia de Polícia de Corumbá disponibiliza o telefone (67) 3231-2810 para o recebimento de denúncias. Segundo a Polícia Civil, a identidade do denunciante é mantida em sigilo.
