O Brasil voltou a registrar crescimento nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), impulsionado principalmente pela circulação antecipada da Influenza A (H3N2) e do Vírus Sincicial Respiratório, um dos principais responsáveis por internações respiratórias em crianças. O alerta consta no novo boletim Infogripe, divulgado pela Fiocruz nesta quinta-feira (7), com dados referentes ao período de 26 de abril a 2 de maio.
Além disso, o avanço dos vírus respiratórios no primeiro semestre de 2026 aponta para um cenário de atenção nacional, com aumento de internações e impacto direto sobre a rede pública de saúde, especialmente com a aproximação do inverno.
Casos graves crescem antes do pico do inverno
De acordo com a Fiocruz, a circulação de vírus respiratórios começou mais cedo do que o esperado, ainda durante o verão e o início do outono. Normalmente, o período mais crítico ocorre no inverno. No entanto, em 2026, os dados indicam que o aumento chegou de forma antecipada.
Por isso, especialistas alertam que o país pode enfrentar uma temporada mais longa de doenças respiratórias. Além do clima seco, a permanência em ambientes fechados tende a acelerar a transmissão nos próximos meses.
Influenza A (H3N2) domina e mortes sobem 37% em quatro semanas
O surto de Influenza A, especialmente do subtipo H3N2, tem sido apontado como o principal fator para o crescimento das complicações respiratórias. Nas últimas semanas, o Brasil registrou aumento de 37% nas mortes em apenas quatro semanas, o que reforça o risco de agravamento da doença em grupos vulneráveis.
Além disso, a variante predominante, conhecida como H3N2 Darwin, já havia causado surtos internacionais antes de ganhar força no Brasil. Dessa forma, o avanço da cepa contribui para a elevação de casos graves registrados neste início de ano.
Fiocruz aponta 16 estados com tendência de alta da SRAG
Segundo o boletim, com exceção de São Paulo e Paraná, praticamente todos os estados brasileiros apresentam incidência de doenças respiratórias em nível de alerta, risco ou alto risco.
Ao mesmo tempo, a Fiocruz identificou tendência de crescimento de SRAG em 16 estados:
<strong>Acre (AC), Alagoas (AL), Amapá (AP), Amazonas (AM), Distrito Federal (DF), Goiás (GO), Maranhão (MA), Mato Grosso (MT), Mato Grosso do Sul (MS), Pará (PA), Paraíba (PB), Pernambuco (PE), Paraná (PR), Rio Grande do Norte (RN), Santa Catarina (SC) e Tocantins (TO).</strong>
Com isso, o cenário se torna mais preocupante, já que o aumento simultâneo em várias regiões pode dificultar a resposta rápida e elevar a demanda por atendimentos hospitalares.
Vírus respiratório infantil também aumenta internações
Além da gripe, outro fator relevante é o crescimento de internações associadas ao Vírus Sincicial Respiratório, considerado uma das principais causas de complicações graves em bebês e crianças pequenas.
Consequentemente, a procura por pronto-atendimento pediátrico e internações tende a aumentar. Em cidades onde a rede hospitalar já opera com alta ocupação, esse avanço pode gerar maior pressão sobre leitos clínicos e de UTI infantil.
Boletim também aponta sinais de aumento de Covid-19 em dois estados
Embora a principal pressão esteja concentrada na Influenza A e no vírus respiratório infantil, o boletim também registrou indícios iniciais de crescimento de casos graves por Covid-19 em dois estados: Ceará e Maranhão.
Dessa maneira, a circulação simultânea de múltiplos vírus volta a preocupar especialistas, pois aumenta o risco de agravamento em pacientes vulneráveis e pode elevar o número de internações em um curto intervalo.
Internações em alta aumentam pressão sobre hospitais
Com o avanço dos casos graves, hospitais e unidades de pronto atendimento tendem a registrar maior procura por consultas, exames e internações. Além disso, a elevação de SRAG pode comprometer a capacidade de resposta do sistema de saúde para outras doenças e emergências.
Por outro lado, o impacto é ainda maior em regiões que já enfrentam limitações estruturais, como falta de leitos ou equipes reduzidas. Assim, o aumento de pacientes respiratórios pode causar sobrecarga em serviços essenciais.
Vacinação contra gripe segue como principal forma de proteção
Diante desse cenário, a Fiocruz reforça que a vacinação contra Influenza continua sendo a medida mais eficaz para prevenir casos graves e reduzir mortes. Por isso, o Ministério da Saúde mantém a campanha de vacinação contra a gripe até o dia 30 de maio nas regiões:
<strong>Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste.</strong>
Entretanto, no caso da região Norte, a vacinação deve ocorrer apenas no segundo semestre, seguindo o calendário epidemiológico tradicional.
Grupos de risco devem se vacinar o quanto antes
A recomendação é que os grupos prioritários busquem a imunização o mais rápido possível. Entre eles estão:
- <strong>crianças</strong>
- <strong>idosos</strong>
- <strong>gestantes</strong>
- <strong>imunossuprimidos</strong>
- <strong>pessoas com comorbidades</strong>
Além de proteger indivíduos mais vulneráveis, a vacinação ajuda a reduzir internações e, consequentemente, diminui a pressão sobre hospitais.
Gestantes também podem proteger bebês contra infecções respiratórias
Outro ponto importante é a imunização de gestantes a partir da 28ª semana, recomendada para reduzir riscos em recém-nascidos nos primeiros meses de vida. Dessa forma, a vacinação materna contribui para diminuir hospitalizações infantis, especialmente em períodos de circulação intensa de vírus.
Sintomas da gripe exigem atenção e podem evoluir rapidamente
Os sintomas mais comuns associados à gripe e infecções respiratórias graves incluem:
- <strong>febre alta</strong>
- <strong>dor de garganta</strong>
- <strong>tosse persistente</strong>
- <strong>dores no corpo</strong>
- <strong>coriza intensa</strong>
- <strong>cansaço extremo</strong>
- <strong>falta de ar</strong>
Caso o paciente apresente piora rápida, especialmente dificuldade para respirar, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente.
Medidas simples ajudam a reduzir transmissão dos vírus
Além da vacinação, cuidados básicos continuam sendo essenciais. Entre as recomendações estão:
- higienizar as mãos com frequência
- evitar contato próximo com pessoas gripadas
- manter ambientes ventilados
- usar máscara em locais fechados, principalmente em períodos de surto
- evitar aglomerações quando houver sintomas
Assim, medidas simples podem reduzir a circulação viral e diminuir o número de casos graves.
Brasil entra em fase crítica antes do inverno
Com a circulação antecipada da Influenza A (H3N2) e do vírus que causa internações infantis, especialistas avaliam que o Brasil pode enfrentar um período prolongado de doenças respiratórias em 2026.
Portanto, o aumento da SRAG já observado pela Fiocruz reforça a necessidade de prevenção imediata. Nesse contexto, a vacinação e os cuidados básicos se tornam fundamentais para evitar novas internações e reduzir riscos antes do pico do inverno.