Terceiro-sargento reformado faleceu enquanto dormia e será sepultado nesta segunda-feira (11) no cemitério da cidade
A Marinha do Brasil confirmou a morte do terceiro-sargento reformado Edson Arguelho da Silva, considerado o veterano mais longevo do Corpo de Fuzileiros Navais. O militar faleceu na tarde de domingo (10), aos 101 anos, enquanto dormia, em Ladário, município onde nasceu e construiu sua trajetória.
O sepultamento está previsto para esta segunda-feira (11), às 16h, no cemitério de Ladário.
Carreira começou em 1943 e marcou a história militar do Pantanal
Natural de Ladário, Edson Arguelho ingressou na Marinha em 2 de janeiro de 1943, como marinheiro-recruta, atuando na 1ª Companhia Regional de Ladário. Seis meses após o ingresso, foi promovido a soldado fuzileiro naval, iniciando uma trajetória que se consolidaria como referência histórica para a presença militar na região pantaneira.
Em 1944, foi enviado ao Rio de Janeiro para realizar curso de especialização como motorista, formação estratégica em um período em que o Brasil participava de ações de preparação militar relacionadas à Segunda Guerra Mundial.
Atuação durante período da Segunda Guerra e retorno ao Pantanal
Após concluir o curso, retornou ao Pantanal, onde participou de treinamentos e exercícios militares vinculados ao contexto da época. A atuação na região reforçou o papel estratégico de Corumbá e Ladário como áreas sensíveis para logística, mobilização e presença institucional do Estado brasileiro, especialmente devido à posição fronteiriça e às rotas fluviais.
O histórico militar de Edson Arguelho se conecta diretamente à memória institucional da Marinha no Mato Grosso do Sul, onde a presença naval tem importância para patrulhamento, integração regional e apoio logístico.
Acidente grave em Corumbá resultou na reforma
Ainda durante sua trajetória, o militar sofreu um grave acidente ao conduzir um jipe em missão na cidade de Corumbá. Ele ficou entre a vida e a morte e teve perda óssea em um dos braços, condição que levou à sua reforma.
Mesmo afastado das atividades operacionais, o veterano permaneceu como símbolo histórico da instituição na região, sendo reconhecido por décadas de dedicação e por representar uma geração de militares ligada aos eventos do século XX.
Marinha manifesta solidariedade à família
O Comando do 6º Distrito Naval manifestou solidariedade aos familiares e amigos do terceiro-sargento reformado. A morte de Edson Arguelho representa o encerramento de um ciclo histórico, marcado pela ligação entre a Marinha e a formação institucional de Ladário e Corumbá, cidades que concentram estruturas estratégicas das Forças Armadas no Pantanal.
Legado reforça memória militar e identidade regional
Com mais de um século de vida, Edson Arguelho tornou-se uma referência não apenas pela longevidade, mas também pelo valor simbólico que sua trajetória representa para a memória dos Fuzileiros Navais e para a identidade militar da região. Em municípios onde a presença naval faz parte do cotidiano, histórias como a dele ajudam a preservar a ligação entre a população local e as instituições responsáveis pela defesa e soberania nacional.