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Recurso foi depositado no Fundo Municipal de Saúde em dezembro, mas trâmites burocráticos impediram liberação; mais de 70 famílias foram impactadas com a interrupção do serviço

O Centro de Equoterapia Odilza Miranda de Barros, referência há quase duas décadas em Corumbá e Ladário, anunciou a suspensão temporária dos atendimentos após enfrentar uma crise financeira provocada pelo atraso no repasse de um recurso de R$ 300 mil, destinado à manutenção das atividades e ao pagamento da equipe técnica.

A instituição, que atua há 19 anos oferecendo suporte terapêutico a crianças e famílias, informou que o valor foi depositado em dezembro no Fundo Municipal de Saúde, mas não chegou ao centro dentro do prazo esperado. A demora gerou acúmulo de dívidas e tornou inviável a continuidade do serviço sem remuneração profissional.


Recurso prometido após repercussão nas redes sociais

A situação ganhou destaque após, no ano anterior, a instituição enfrentar dificuldades financeiras que tiveram ampla repercussão nas redes sociais. Em meio a esse cenário, um assessor da senadora Soraya Thronicke visitou o Centro de Equoterapia para acompanhar de perto a realidade da entidade e, posteriormente, foi informado que seria viabilizado um aporte de R$ 300 mil.

Segundo o centro, o objetivo do repasse era garantir a continuidade dos atendimentos, reforçando a estrutura financeira necessária para custear despesas operacionais e assegurar o pagamento da equipe técnica responsável pelas terapias.

O recurso foi oficialmente depositado no Fundo Municipal de Saúde no mês de dezembro, mas a instituição foi comunicada de que o repasse ainda dependeria de procedimentos legais e administrativos, com previsão de liberação em aproximadamente 90 dias.


Instituição manteve atendimentos mesmo sem pagamento

Com a expectativa de que a liberação ocorreria dentro do prazo informado, a instituição buscou esclarecimentos junto à Secretaria Adjunta de Governo no mês de janeiro, recebendo orientação de que poderia manter o funcionamento normalmente.

Diante disso, o centro decidiu seguir com as atividades, priorizando a continuidade do acompanhamento terapêutico das crianças atendidas. Os profissionais permaneceram atuando, mesmo sem remuneração, acreditando que a situação seria regularizada em pouco tempo.

No entanto, com o passar dos meses, a ausência de repasse começou a gerar impacto direto na sustentabilidade da entidade.


Atrasos se acumulam e equipe técnica enfrenta dificuldades

Com a demora prolongada, os profissionais passaram a enfrentar dificuldades financeiras, já que os salários não foram pagos no período previsto. A instituição voltou a procurar informações junto ao poder público e recebeu a indicação de que o assunto só começaria a ser tratado após o mês de junho, sem qualquer garantia concreta de quando os valores seriam efetivamente transferidos.

A indefinição e a falta de prazo para solução agravaram a situação, levando o centro a acumular uma dívida equivalente a cerca de quatro meses de pagamentos atrasados.

Sem condições de manter o funcionamento nessas circunstâncias, os atendimentos acabaram sendo interrompidos.


Mais de 70 famílias afetadas com interrupção do serviço

A suspensão dos atendimentos atingiu diretamente mais de 70 famílias de Corumbá e Ladário, que dependem da equoterapia como parte essencial do tratamento e do desenvolvimento das crianças.

O serviço é considerado fundamental para auxiliar no progresso motor, físico, emocional e social, especialmente em casos que exigem acompanhamento contínuo. A interrupção, portanto, representa um impacto significativo não apenas para os pacientes, mas também para responsáveis que dependem da rotina terapêutica para manter estabilidade no tratamento.

A situação evidencia o quanto instituições desse tipo exercem papel estratégico na rede de apoio à saúde e inclusão, principalmente em municípios onde o acesso a terapias especializadas costuma ser limitado.


Burocracia e falta de previsibilidade ampliam crise

Embora o recurso esteja formalmente depositado no Fundo Municipal de Saúde desde dezembro, a demora nos trâmites administrativos gerou um efeito em cadeia: o centro manteve o atendimento por meses sem estrutura financeira suficiente, confiando na previsão inicial, até atingir um ponto de colapso.

O caso reforça um problema recorrente enfrentado por entidades que prestam serviços essenciais: mesmo quando há recursos disponíveis, entraves burocráticos e falta de cronograma claro podem impedir que o dinheiro chegue ao destino final no tempo necessário.

Na prática, isso compromete a continuidade de atendimentos sensíveis e coloca em risco a estabilidade de serviços que dependem diretamente de profissionais especializados.


Instituição afirma que tentou manter atividades até o limite

O Centro de Equoterapia informou que não abandonou os praticantes e que manteve o funcionamento pelo máximo de tempo possível, buscando evitar prejuízos às crianças atendidas.

No entanto, a impossibilidade de manter profissionais atuando sem pagamento acabou tornando inevitável a suspensão, ampliando a preocupação entre famílias e levantando novamente o debate sobre a importância de garantir suporte financeiro regular para serviços terapêuticos no município.


Situação pode gerar novos desdobramentos e pressão por solução

A paralisação do atendimento tende a ampliar a mobilização social, já que envolve diretamente famílias que dependem do serviço para acompanhamento contínuo. Além do impacto imediato, a interrupção pode comprometer avanços terapêuticos conquistados ao longo do tempo, especialmente em tratamentos que exigem constância.

O caso também deve aumentar a pressão para que os responsáveis pela tramitação do recurso acelerem procedimentos e apresentem um posicionamento definitivo, uma vez que o atendimento prestado pelo centro tem relevância social e representa um suporte fundamental para crianças em tratamento em Corumbá e Ladário.

Enquanto não houver uma definição sobre o repasse, permanece a incerteza sobre quando os atendimentos poderão ser retomados e em quais condições a instituição conseguirá reestruturar sua equipe técnica.