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Levantamento revela ao menos 13 ocorrências envolvendo menores ligados ao PCC e ao Comando Vermelho desde 2025; especialistas apontam que a cooptação avança sobre jovens em busca de pertencimento e proteção

O avanço das facções criminosas em Mato Grosso do Sul tem atingido uma parcela cada vez mais vulnerável da população: os adolescentes. Levantamento realizado com base em casos registrados entre 2025 e julho de 2026 revela que jovens vêm sendo utilizados em diferentes funções dentro das organizações criminosas, desde o transporte de armas e coleta de informações até a execução de homicídios. Em muitos episódios, o mesmo adolescente que participa de ações criminosas acaba se tornando vítima da própria disputa entre grupos rivais.

Os registros demonstram que o fenômeno deixou de estar restrito ao tráfico de drogas e passou a envolver uma estrutura criminosa mais complexa, com adolescentes ocupando papéis estratégicos na guerra entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).


Número de casos cresce e preocupa autoridades

O levantamento identificou 13 ocorrências envolvendo adolescentes ligadas às duas principais facções criminosas do país. Desse total, cinco casos ocorreram em 2025 e oito foram registrados apenas entre janeiro e 21 de julho de 2026, indicando um aumento significativo da participação de menores em crimes de alta violência.

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Os episódios analisados não representam o número total de adolescentes envolvidos, mas sim a quantidade de ocorrências noticiadas. Em diversos casos, mais de um jovem participou da mesma ação, enquanto alguns apareceram em diferentes investigações ao longo do período.

Os registros incluem homicídios consumados, tentativas de assassinato, apreensões por transporte de armamentos, participação em organizações criminosas e mortes durante intervenções policiais.


Estatísticas mostram impacto da violência entre menores

Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) apontam que, entre 1º de janeiro e 21 de julho de 2026, oito adolescentes e quatro crianças foram vítimas de homicídio doloso em Mato Grosso do Sul, totalizando 12 mortes de menores de idade.

No ano anterior, o Estado contabilizou 19 vítimas, sendo 12 adolescentes e sete crianças. Já em 2024, foram registradas 17 mortes, das quais 13 adolescentes e quatro crianças.

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Outro levantamento da Sejusp mostra que cinco adolescentes morreram em ações policiais somente em 2026, número superior ao registrado em 2025, quando houve duas ocorrências desse tipo.

Embora os indicadores não estabeleçam relação direta entre todas essas mortes e o crime organizado, os dados evidenciam o peso da violência letal envolvendo crianças e adolescentes no Estado.


Funções vão muito além do tráfico de drogas

As investigações demonstram que os adolescentes não são utilizados apenas para comercialização de entorpecentes.

Em diferentes operações policiais, jovens foram apontados como responsáveis por:

  • localizar integrantes de facções rivais;
  • monitorar movimentações;
  • transmitir informações estratégicas;
  • conduzir motocicletas utilizadas em execuções;
  • transportar e esconder armas;
  • participar diretamente de homicídios;
  • prestar apoio logístico às ações criminosas.

Essa divisão de tarefas evidencia uma estrutura organizada, na qual menores assumem funções operacionais importantes dentro das facções.


Casos registrados em diversas cidades do Estado

As investigações reunidas envolvem municípios como Dourados, Miranda, Pedro Gomes, Chapadão do Sul, Ribas do Rio Pardo, Caarapó, Costa Rica, Bataguassu e Coxim, onde adolescentes aparecem tanto como suspeitos quanto como vítimas da disputa entre PCC e Comando Vermelho.

Em vários episódios, jovens investigados por participação em assassinatos acabaram mortos meses depois, demonstrando a elevada rotatividade dentro dessas organizações criminosas.

Também houve casos de adolescentes recrutados para executar rivais logo após ingressarem em determinada facção, recebendo tarefas consideradas demonstrações de lealdade ao grupo.


Busca por pertencimento facilita recrutamento

Especialistas que atuam no sistema prisional avaliam que a adolescência representa um período de maior vulnerabilidade para o recrutamento por organizações criminosas.

A necessidade de aceitação social, identidade, proteção e reconhecimento torna muitos jovens mais suscetíveis ao aliciamento. Nesse contexto, as facções oferecem funções, hierarquia e sensação de pertencimento, fatores que acabam substituindo vínculos familiares, comunitários ou escolares fragilizados.

As investigações também indicam que muitos adolescentes passam a desempenhar atividades cada vez mais complexas conforme conquistam confiança dentro da organização.


Internação pode fortalecer vínculos criminosos

Outro ponto observado é o ambiente das Unidades Educacionais de Internação (Uneis).

Segundo a análise apresentada na reportagem original, adolescentes internados podem ampliar o contato com integrantes de organizações criminosas durante o período de cumprimento das medidas socioeducativas.

Embora a separação dos internos considere critérios previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), ainda não existem estudos conclusivos capazes de demonstrar se essa divisão reduz ou fortalece os vínculos entre jovens ligados às mesmas facções.


Redes sociais ampliam alcance da violência

A facilidade de comunicação proporcionada pelas redes sociais também passou a integrar a dinâmica do crime organizado.

A circulação rápida de informações, ameaças e localização de possíveis alvos contribui para acelerar confrontos e ampliar a repercussão dos episódios de violência envolvendo adolescentes.

Ao mesmo tempo, a maior exposição desses casos pode refletir tanto o aumento das ocorrências quanto a maior divulgação das ações criminosas.


Reflexos para Mato Grosso do Sul e a região de Corumbá

Embora a maior parte dos casos recentes tenha ocorrido na região de Dourados e em municípios do interior do Estado, o fortalecimento das facções criminosas representa um desafio para toda a segurança pública sul-mato-grossense.

Em cidades de fronteira como Corumbá, que mantém intensa circulação de pessoas e mercadorias devido à proximidade com a Bolívia, o combate às organizações criminosas já faz parte da rotina das forças policiais. A atuação integrada entre Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Federal e demais órgãos de segurança busca impedir que essas estruturas ampliem sua influência sobre adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade.

O avanço do recrutamento juvenil preocupa porque amplia o ciclo da violência, dificulta políticas de ressocialização e gera impactos diretos na segurança das comunidades.


Desafio vai além da repressão policial

Os casos registrados entre 2025 e 2026 mostram que adolescentes passaram a ocupar funções estratégicas dentro das facções criminosas, deixando de ser apenas participantes ocasionais para integrar estruturas organizadas de apoio, inteligência e execução de crimes.

Ao mesmo tempo, especialistas apontam que o enfrentamento desse cenário depende não apenas das ações policiais, mas também de políticas públicas voltadas à educação, inclusão social, proteção familiar e criação de oportunidades capazes de reduzir a vulnerabilidade que favorece o recrutamento de jovens pelo crime organizado.

Com informações de Campo Grande News

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