9 min 4 horas

Investigação da Polícia Civil levou à identificação de suspeito de 22 anos e permitiu retirar uma criança de 11 anos de uma situação de violência; aparelhos apreendidos serão periciados para verificar a existência de outras vítimas

Uma ação da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul interrompeu uma situação de violência sexual contra uma criança em Corumbá. A ocorrência foi descoberta durante uma nova fase da Operação Sentinela, deflagrada na terça-feira (29 de julho) com atuação da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) e apoio da Delegacia Regional de Corumbá.

A investigação, conduzida durante meses por equipes especializadas em crimes praticados no ambiente digital, chegou a um homem de 22 anos, apontado como suspeito de armazenar material de abuso sexual infantil e de produzir registros envolvendo uma criança de 11 anos.

A notícia Continua Após o Anúncio

A intervenção policial possibilitou retirar a vítima da situação de risco e encaminhá-la para atendimento especializado. Agora, os equipamentos eletrônicos apreendidos durante a operação serão submetidos a perícia para determinar a dimensão da atuação do investigado e verificar a possível existência de outras vítimas.

Investigação começou com inteligência policial

A Operação Sentinela integra as ações da Polícia Civil voltadas ao combate à exploração sexual de crianças e adolescentes no ambiente virtual.

Em Corumbá, os investigadores da DEPCA passaram meses reunindo informações e analisando elementos relacionados a possíveis crimes digitais. O trabalho resultou na identificação do suspeito e na obtenção de elementos considerados suficientes para fundamentar um pedido judicial de busca e apreensão.

A ordem foi autorizada pela Justiça e cumprida na residência do investigado por equipes da Polícia Civil.

A notícia Continua Após o Anúncio

Durante a diligência, foram recolhidos computadores, celulares e outros equipamentos eletrônicos que poderão contribuir para esclarecer a dinâmica dos crimes investigados.

Polícia identificou indícios de produção de material

A análise inicial dos dispositivos apreendidos apontou uma situação considerada ainda mais grave pelas autoridades.

Segundo a investigação, o suspeito não estaria apenas armazenando material de abuso sexual infantil. Os policiais encontraram indícios de que ele também produzia o próprio conteúdo, utilizando equipamentos para registrar imagens envolvendo uma criança de 11 anos.

A descoberta permitiu que a Polícia Civil identificasse a vítima e interrompesse a situação de violência.

A criança foi retirada do ambiente de risco e encaminhada à rede de proteção psicossocial, onde passou a receber acompanhamento especializado. A atuação nesse momento busca preservar a integridade da vítima e garantir que ela tenha acesso aos serviços necessários após a intervenção policial.

Equipamentos serão submetidos a perícia

O investigado e os aparelhos recolhidos durante o cumprimento do mandado foram encaminhados para a Delegacia de Atendimento à Infância, Juventude e Idoso (DAIJI) de Corumbá.

A partir de agora, os equipamentos deverão passar por uma análise pericial mais aprofundada. O procedimento pode revelar informações sobre a quantidade de arquivos existentes, contatos mantidos pelo investigado e outras evidências relacionadas à investigação.

Um dos principais objetivos é verificar se existem outras crianças vítimas e se o suspeito mantinha contato com outras pessoas envolvidas na produção ou circulação de material de abuso sexual infantil.

A perícia também poderá ajudar a determinar se a atuação investigada estava restrita ao município de Corumbá ou se havia conexões com pessoas ou grupos de outras localidades.

Crime digital amplia alcance da investigação

A investigação evidencia uma característica específica dos crimes de abuso sexual infantil praticados com auxílio da tecnologia: os registros digitais podem ultrapassar rapidamente os limites geográficos onde a violência ocorreu.

Por isso, a análise de celulares, computadores e outros dispositivos é uma etapa fundamental. Além de buscar arquivos ilícitos, os investigadores podem encontrar informações que indiquem a origem do material, possíveis destinatários e contatos relacionados à sua circulação.

A Polícia Civil utiliza a sigla internacional CSAM, correspondente a Child Sexual Abuse Material, para designar esse tipo de conteúdo. A terminologia reforça que não se trata simplesmente de material ilegal, mas de registros associados a crimes reais cometidos contra crianças e adolescentes.

Operação Sentinela combate exploração infantil em MS

A Operação Sentinela é desenvolvida pela DEPCA para investigar e combater crimes relacionados à exploração sexual de crianças e adolescentes no ambiente virtual.

A atuação envolve ferramentas de inteligência, investigação cibernética e análise de equipamentos eletrônicos, permitindo identificar suspeitos mesmo quando os crimes ocorrem ou são articulados por meio de plataformas digitais.

Em Mato Grosso do Sul, esse tipo de investigação tem relevância também fora de Campo Grande. Municípios do interior, como Corumbá, estão inseridos em uma realidade na qual crimes digitais podem envolver conexões que ultrapassam os limites municipais e estaduais.

No caso de Corumbá, a localização na região de fronteira acrescenta complexidade ao trabalho das forças de segurança, embora a investigação deste caso ainda precise determinar se existem conexões externas.

Proteção da vítima é prioridade após descoberta

Além da responsabilização criminal, a retirada da criança do ambiente de violência representa uma das consequências imediatas da operação.

A vítima passou a receber acompanhamento da rede de proteção, que atua para garantir segurança, atendimento psicossocial e preservação de direitos durante o andamento do caso.

A condução cuidadosa dessas etapas é necessária para evitar novas situações de exposição e reduzir os impactos provocados pela violência.

Ao mesmo tempo, a investigação continuará buscando elementos que possam esclarecer todos os fatos e identificar eventuais envolvidos.

Investigação continua em Corumbá

Com a apreensão dos equipamentos eletrônicos, a investigação entra agora em uma etapa considerada estratégica pela Polícia Civil.

A perícia deverá analisar os dispositivos em busca de arquivos, registros de comunicação e outros elementos que possam esclarecer a extensão da atuação do suspeito.

O trabalho também poderá indicar se existem outras vítimas, além de apontar eventuais vínculos com pessoas envolvidas na produção, armazenamento ou circulação de material de abuso sexual infantil pela internet.

A criança identificada durante a operação permanece sob acompanhamento da rede de proteção, enquanto as autoridades adotam medidas para preservar sua segurança e evitar novas situações de exposição.

O caso segue sob investigação em Corumbá, e novas informações poderão ser divulgadas conforme o avanço das diligências e dos exames periciais.

Como denunciar

Situações suspeitas de abuso ou exploração sexual de crianças e adolescentes podem ser denunciadas pelo Disque 100, canal nacional destinado ao recebimento de denúncias de violações de direitos humanos, ou diretamente às autoridades policiais.

A comunicação de uma suspeita pode contribuir para interromper situações de violência, proteger possíveis vítimas e fornecer informações relevantes para o trabalho de investigação.

Anúncio