Adrielle foi encontrada sem vida no bairro Maria Leite na manhã desta sexta-feira (31); companheiro, de 49 anos, foi detido em flagrante e caso é investigado como feminicídio
Uma mulher de 26 anos foi morta a facadas na manhã desta sexta-feira (31 de julho) dentro de uma residência no bairro Maria Leite, na parte alta de Corumbá, a cerca de 420 quilômetros de Campo Grande. A vítima foi identificada como Adrielle Encarnação Rodrigues. O principal suspeito é o companheiro dela, Douglas Richard Ribeiro, de 49 anos, preso em flagrante pela Polícia Militar ainda no local.
O crime ocorreu após uma discussão entre o casal, segundo as informações preliminares reunidas pelas autoridades. Quando os policiais chegaram ao imóvel, Adrielle já estava morta. O caso foi encaminhado à Polícia Civil e registrado como feminicídio, modalidade de homicídio associada à violência doméstica ou à condição de gênero da vítima.
Discussão terminou em morte no bairro Maria Leite
Conforme os primeiros levantamentos da investigação, Adrielle e Douglas mantinham um relacionamento marcado por instabilidade. Na noite anterior ao crime, os dois haviam saído juntos para a região do Porto Geral de Corumbá.
Depois de retornarem para a residência, localizada no bairro Maria Leite, teve início uma discussão que evoluiu para uma situação de violência.
Durante o episódio, Adrielle conseguiu telefonar para o irmão de Douglas e pedir ajuda. O familiar foi até o endereço e acionou a Polícia Militar.
A chegada das equipes, entretanto, ocorreu quando a jovem já não apresentava sinais de vida. Segundo os dados preliminares, ela tinha quatro perfurações provocadas por faca.
A dinâmica exata do crime ainda deverá ser esclarecida ao longo da investigação, incluindo as circunstâncias que antecederam a agressão e a sequência dos acontecimentos dentro da residência.
Suspeito foi preso em flagrante
Douglas permaneceu no imóvel quando os policiais chegaram e recebeu voz de prisão em flagrante.
O homem apresentava lesões na cabeça e em outras partes do corpo e foi encaminhado para atendimento médico sob custódia antes de ser levado à 1ª Delegacia de Polícia Civil de Corumbá.
Segundo o relato registrado inicialmente pela polícia, ele admitiu ter cometido o crime e alegou que houve uma briga entre os dois. A versão apresentada pelo suspeito também deverá ser confrontada com os demais elementos reunidos pela investigação.
A Polícia Civil deverá analisar as circunstâncias da morte, os vestígios encontrados na residência e demais informações capazes de esclarecer a dinâmica do feminicídio.
Crime amplia alerta sobre violência contra a mulher em MS
O assassinato de Adrielle ocorreu poucas horas depois de outro feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul.
Na noite de quinta-feira (30), Ana Cordeiro Goes, de 45 anos, foi morta a facadas pelo ex-namorado em Água Clara, município localizado na região leste do Estado.
A proximidade entre os dois casos reforça a dimensão da violência contra a mulher como um problema de segurança pública que ultrapassa os grandes centros e também atinge municípios do interior sul-mato-grossense.
De acordo com o levantamento apresentado na notícia original, com o caso de Corumbá o Estado chega a 18 feminicídios em 2026.
Os números também ganham relevância diante do histórico recente de Mato Grosso do Sul. Dados divulgados pela Polícia Civil apontaram que o Estado havia registrado 13 feminicídios nos primeiros seis meses de 2026, contra 18 no mesmo período de 2025, uma redução de aproximadamente 27%.
Corumbá também enfrenta histórico de violência doméstica
Em Corumbá, a ocorrência chama atenção para a necessidade de fortalecer mecanismos de prevenção e proteção às mulheres em situação de violência doméstica.
A cidade, juntamente com Ladário e outros municípios da região de fronteira, possui uma dinâmica populacional e territorial própria, o que torna a atuação integrada das forças de segurança e da rede de atendimento especialmente importante.
Além da resposta policial após uma agressão, a identificação de ameaças, agressões e situações de risco antes que evoluam para episódios graves é um dos principais pontos de atenção nas políticas de enfrentamento à violência doméstica.
O caso de Adrielle deverá seguir sob investigação da Polícia Civil para esclarecer todos os aspectos do crime e reunir os elementos necessários à responsabilização do suspeito.
Onde pedir ajuda em casos de violência
A orientação das autoridades é que situações de violência doméstica sejam comunicadas antes que a agressão evolua para um episódio de maior gravidade.
Em Corumbá, mulheres que estejam sofrendo violência podem procurar a Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) para atendimento especializado e orientação sobre medidas protetivas.
Em situações de emergência ou flagrante, o acionamento da Polícia Militar pelo 190 permite uma resposta imediata.
Também é possível buscar orientação por meio do Ligue 180, canal nacional de atendimento à mulher, gratuito e destinado ao recebimento de denúncias e à orientação sobre situações de violência.
A prevenção é particularmente importante em casos nos quais já existem ameaças, agressões, perseguição ou outros sinais de escalada da violência. O registro desses episódios pode permitir a adoção de medidas de proteção antes que a situação chegue a consequências irreversíveis.
