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Nova estratégia começa a ser implantada em outubro e terá liberações semanais durante cerca de seis meses em 11 bairros do município.

Nova estratégia contra as arboviroses

Corumbá vai ampliar as ações de combate à dengue, chikungunya e zika com a implantação do método Wolbachia, tecnologia que utiliza o próprio Aedes aegypti como vetor de uma bactéria capaz de reduzir a capacidade de transmissão dos vírus. A previsão é que as primeiras liberações dos mosquitos ocorram em outubro de 2026.

A estratégia foi apresentada nesta quarta-feira (23), durante reunião do Comitê de Combate às Arboviroses, realizada no auditório do Paço Municipal. O encontro também serviu para avaliar as ações já desenvolvidas no município e detalhar as próximas etapas da implantação.

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A chegada da tecnologia ocorre em um cenário de preocupação recorrente com as arboviroses em Corumbá. O município enfrenta períodos de aumento de casos de dengue e, mais recentemente, também registrou circulação significativa do vírus chikungunya, o que amplia a necessidade de estratégias complementares de controle do mosquito.

Como funciona o método Wolbachia

A tecnologia utiliza mosquitos Aedes aegypti que carregam naturalmente a bactéria Wolbachia. Quando presente no organismo do mosquito, a bactéria dificulta o desenvolvimento dos vírus responsáveis pela dengue, zika e chikungunya, reduzindo a capacidade de transmissão das doenças.

A Wolbachia já é encontrada naturalmente em diferentes espécies de insetos, incluindo abelhas e libélulas. O método utilizado no controle das arboviroses não envolve modificação genética e, conforme as informações apresentadas na implantação, a bactéria não representa risco à saúde humana.

Outro aspecto da tecnologia é sua capacidade de manutenção ao longo das gerações. Uma vez estabelecida em uma população de mosquitos, a Wolbachia pode ser transmitida aos descendentes durante a reprodução, permitindo que a estratégia tenha continuidade sem depender exclusivamente de liberações permanentes.

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Experiências anteriores no Brasil

O método já foi empregado em diferentes países e vem sendo utilizado no Brasil há mais de uma década. Segundo os dados apresentados durante a reunião, estudos relacionados à implantação em Niterói (RJ) registraram redução de 89% nos casos de dengue.

Em Campo Grande (MS), resultados iniciais apontaram uma redução de 63% nos casos de dengue após a implantação da tecnologia. Os números fazem parte do contexto utilizado para apresentar a estratégia às autoridades e profissionais envolvidos no controle das arboviroses em Corumbá.

Para o município, a nova ferramenta não substitui as medidas tradicionais de prevenção. A eliminação de recipientes que acumulam água, a fiscalização de possíveis criadouros e a participação dos moradores continuam sendo componentes importantes para reduzir a proliferação do Aedes aegypti.

Onze bairros receberão as primeiras liberações

A primeira etapa da implantação abrangerá 11 bairros de diferentes regiões de Corumbá: Nossa Senhora de Fátima, Universitário, Centro América, Popular Velha, Arthur Marinho, Jardim dos Estados, Popular Nova, Aeroporto, Nova Corumbá, Maria Leite e Guarani.

A liberação será feita de maneira gradual e acompanhada pelas equipes responsáveis pelo monitoramento. O planejamento prevê aproximadamente 26 semanas de atividades, equivalentes a cerca de seis meses, com solturas realizadas uma vez por semana, durante o período da manhã.

Os deslocamentos serão feitos por veículos pelas ruas das áreas selecionadas. A escolha de diferentes regiões permite estruturar a implantação de forma controlada e acompanhar a adaptação da tecnologia às condições locais.

Monitoramento começa após as primeiras solturas

O trabalho não termina com a liberação dos mosquitos. Aproximadamente um mês após o início da soltura, as equipes deverão começar o monitoramento da presença da Wolbachia no ambiente. A atividade continuará depois do encerramento das liberações, com previsão de nove ciclos de coleta.

Para verificar o estabelecimento da bactéria na população de Aedes aegypti, serão utilizadas ovitrampas, armadilhas destinadas à coleta de ovos de mosquitos. O material será posteriormente analisado para identificar a presença da Wolbachia e acompanhar a evolução da implantação.

Corumbá terá núcleo para preparação dos mosquitos

A estrutura do projeto também prevê a criação de um núcleo de eclosão em Corumbá. O espaço será utilizado para preparar as cápsulas que contêm ovos de mosquitos e permitir que eles passem pelo processo natural de desenvolvimento até chegar à fase adulta.

Após essa etapa, os mosquitos serão transportados para os bairros definidos no cronograma de soltura. Para viabilizar o projeto, agentes de endemias já passaram por capacitação e o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) está sendo adaptado para receber os materiais e dar suporte às atividades.

Participação da população continua essencial

Apesar de representar uma nova frente tecnológica no combate às arboviroses, o método Wolbachia será utilizado como estratégia complementar às ações tradicionais de vigilância e controle realizadas no município.

Isso significa que medidas como evitar água parada, manter quintais limpos e permitir o acesso das equipes de saúde aos imóveis continuam necessárias. Em uma cidade como Corumbá, onde as condições climáticas podem favorecer a proliferação do mosquito em determinados períodos, a combinação entre vigilância, prevenção e novas tecnologias amplia as ferramentas disponíveis para reduzir a transmissão.

A reunião do Comitê de Combate às Arboviroses contou com representantes da Unicesumar, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Marinha do Brasil, além de profissionais ligados às ações de vigilância e controle das doenças no município.

Com informações de: Prefeitura de Corumbá

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