Dois pacientes com lesão medular completa, que haviam perdido totalmente os movimentos e a sensibilidade da cintura para baixo, apresentaram retomada de sensações e pequenos movimentos após receberem aplicações de polilaminina. As injeções foram realizadas há cerca de duas semanas, mediante decisões judiciais.
O que é a polilaminina e por que chama atenção
A polilaminina é uma substância de origem biológica, derivada da placenta humana, estudada por sua capacidade de estimular a regeneração da medula espinhal. Pesquisas iniciais indicam potencial para recuperar funções motoras e sensitivas em casos de paraplegia e tetraplegia decorrentes de lesões recentes.
Pesquisa ainda não chegou à fase clínica
O produto já passou por estudos científicos com autorização da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), incluindo testes em animais e em voluntários selecionados. Apesar dos resultados promissores observados na fase pré-clínica, a polilaminina ainda não recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para avançar oficialmente à fase clínica, que avalia segurança e possíveis efeitos adversos em um grupo maior de pacientes.
Mesmo assim, aplicações têm ocorrido por meio de decisões judiciais, com acompanhamento das equipes médicas e científicas envolvidas.
Casos recentes indicam recuperação sensorial e motora
Um dos pacientes sofreu lesão medular após um acidente durante uma apresentação de motocross, no Espírito Santo. Pouco tempo após a aplicação, já foram identificados sinais de sensibilidade nos membros inferiores e contrações musculares em regiões específicas do corpo.
O segundo caso envolve um paciente que ficou paraplégico após um acidente de motocicleta. Após a aplicação realizada em um hospital do Rio de Janeiro, ele passou a apresentar sensibilidade em partes das pernas e conseguiu realizar um leve movimento do pé durante avaliação médica recente.
Aplicações seguem critérios rigorosos
Mesmo nos casos autorizados pela Justiça, a polilaminina só pode ser aplicada em pacientes com lesões medulares completas e recentes, ocorridas em até 72 horas. Até o momento, não há evidências científicas que comprovem eficácia em lesões antigas ou crônicas.
Anvisa acompanha casos autorizados judicialmente
A Anvisa informou que as aplicações realizadas decorrem de decisões judiciais que precisam ser cumpridas. O desenvolvimento clínico do produto está em análise prioritária, com foco na segurança dos participantes e no cumprimento dos critérios científicos exigidos para novos medicamentos.
Mais casos em acompanhamento
Até agora, foram concedidas quatro autorizações judiciais para uso da substância, com três aplicações já realizadas. Um dos casos mais recentes envolve uma mulher de 35 anos, vítima de acidente de trânsito em Minas Gerais. Ela recebeu a polilaminina há menos de uma semana, apresenta quadro de saúde estável e segue sob monitoramento médico, sem sinais de recuperação motora até o momento.
Tema segue sob atenção da comunidade científica
Especialistas ressaltam que qualquer melhora após uma lesão medular completa é considerada rara e merece análise criteriosa. A continuidade dos estudos clínicos será fundamental para confirmar se os avanços observados estão diretamente relacionados à substância ou a outros fatores do tratamento intensivo inicial.
Fonte: https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/saude/dois-pacientes-que-receberam-polilaminina-por-ordem-judicial-apresentam-retomada-de-movimentos-diz-equipe-de-pesquisadores/