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Subtítulo: Publicações atribuídas à propaganda do Comando Vermelho apontam moradores de Cassilândia, Inocência e Miranda como supostos integrantes ou ligados ao PCC; polícia investiga possível relação com ataques recentes

Uma série de publicações com 24 nomes passou a circular nas redes sociais em Mato Grosso do Sul acompanhada de ameaças de morte e referências a uma suposta disputa entre facções criminosas. As postagens, atribuídas a perfis que fazem propaganda do Comando Vermelho, apontam as pessoas citadas como integrantes ou ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

O conteúdo ganhou maior repercussão após um homem que aparecia entre os nomes, Gustavo Loschiavo Araujo, de 29 anos, ser assassinado a tiros em Cassilândia, no sábado (25 de julho). Dois dias depois, a fotografia dele voltou a ser publicada nas mesmas redes sociais, desta vez acompanhada da indicação de que teria sido “eliminado”.

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A possível ligação entre o assassinato, as ameaças virtuais e a disputa entre organizações criminosas ainda não foi confirmada pelas autoridades e permanece sob investigação.

Lista cita moradores de cidades do interior de MS

As publicações identificadas nas redes sociais apresentam fotografias, nomes, apelidos e municípios associados aos supostos alvos.

Entre as cidades mencionadas estão Cassilândia, Inocência e Miranda, todas no interior de Mato Grosso do Sul. Algumas das postagens atribuem aos citados uma suposta ligação com o PCC, mas não há confirmação independente de que todas as pessoas relacionadas tenham efetivamente vínculo com a organização criminosa.

Em parte do material, os próprios responsáveis pelas páginas apresentam a alegada recusa em aderir ao grupo rival como justificativa para as ameaças.

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O conteúdo também combina acusações, propaganda de facção e mensagens que procuram transmitir a ideia de controle territorial sobre diferentes municípios sul-mato-grossenses.

Assassinato de homem citado na lista chama atenção

O caso que elevou a preocupação em torno das publicações ocorreu em Cassilândia, onde Gustavo Loschiavo Araujo foi morto a tiros na Rua Guilherme Bezerra, próximo ao Clube da Terceira Idade, no Bairro Laranjeiras.

Segundo o registro policial, Gustavo estava dentro de um Volkswagen Gol quando um homem em uma motocicleta de cor escura se aproximou e efetuou vários disparos.

O atirador fugiu pela Rua Adaias Marques Moreira e não havia sido localizado no momento do registro da ocorrência.

Familiares informaram à polícia que Gustavo já havia cumprido pena no sistema prisional, mas afirmaram que, depois de deixar a prisão, ele não teria voltado a se envolver com atividades criminosas.

A família também relatou que o homem vinha recebendo ameaças de morte de integrantes de organizações criminosas.

Dois dias depois do homicídio, a imagem de Gustavo apareceu novamente em uma das páginas que fazem propaganda do Comando Vermelho, desta vez marcada com um “X” vermelho e a palavra “Eliminado”.

Apesar da coincidência temporal, a polícia ainda precisa estabelecer se existe efetivamente uma conexão entre o assassinato e as ameaças divulgadas nas redes sociais.

Outro homem citado sofreu atentado em Cassilândia

Na mesma segunda-feira (27), outro morador que teria identificado seu nome entre os alvos das publicações foi vítima de uma tentativa de ataque a tiros, também em Cassilândia.

A ocorrência aconteceu na residência onde o homem estava com familiares. Segundo o boletim policial, ele percebeu a presença de uma pessoa na varanda e, ao se aproximar da porta, viu um homem armado apontando em sua direção.

Um disparo foi efetuado e atingiu a parede da varanda.

O morador conseguiu correr para dentro da casa. O suspeito ainda teria avançado para o interior do imóvel, chegando à sala, mas deixou o local depois de se deparar com a mãe do alvo.

O autor fugiu em uma motocicleta.

Polícia procura suspeitos e analisa câmeras

A descrição fornecida à polícia indicava um homem de estatura mediana, vestido de preto, utilizando capacete com a viseira aberta e um curativo próximo ao supercílio esquerdo.

Equipes da Polícia Militar e da Polícia Civil realizaram buscas e analisaram imagens de câmeras de segurança instaladas nas proximidades da residência.

Os registros indicaram a participação de dois homens na ação. Um deles vestia camiseta bege e o outro, camiseta preta.

A polícia também verificou informações em uma unidade hospitalar da cidade para descobrir se alguém havia procurado atendimento recentemente por ferimento na região do rosto compatível com a descrição apresentada pela vítima.

Até o registro da ocorrência, porém, essa informação não havia sido confirmada.

Nenhum suspeito havia sido localizado durante as diligências.

Ataque pode estar relacionado à disputa entre facções

Ao prestar informações à polícia, o homem atacado afirmou que teria sido associado ao PCC por volta de 2020. Por esse motivo, levantou a possibilidade de que o atentado estivesse relacionado à disputa entre organizações criminosas.

Ele também relatou que, dias antes do ataque, havia tomado conhecimento por meio de publicações no TikTok de que seu nome aparecia entre os supostos alvos de uma lista de execução em Cassilândia.

A residência foi vistoriada pelos policiais, que encontraram uma marca compatível com impacto de projétil na parede da varanda. O projétil e eventual estojo de munição não foram localizados.

Por questão de segurança, os moradores foram encaminhados para passar a noite em um hotel. Ninguém ficou ferido durante o atentado.

O caso foi encaminhado para investigação pela Polícia Civil.

Guerra entre PCC e Comando Vermelho avança pelo interior

A circulação das listas ocorre em meio a uma disputa mais ampla entre Comando Vermelho e PCC em Mato Grosso do Sul, conflito que, segundo registros divulgados ao longo de 2026, passou a envolver diferentes regiões do Estado.

Em abril, a Operação Leviatã teve como alvo integrantes do Comando Vermelho investigados por uma tentativa de expansão da organização em Mato Grosso do Sul.

Mais recentemente, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) relacionou o aumento de confrontos e mortes à disputa pelo controle de territórios e rotas utilizadas pelo tráfico de drogas, especialmente nas regiões próximas à fronteira.

A dimensão territorial do conflito é relevante para Mato Grosso do Sul porque o Estado possui extensa faixa de fronteira internacional e importantes corredores utilizados para circulação de mercadorias e pessoas. Municípios do interior, portanto, também podem ser afetados pela expansão de disputas entre grupos criminosos.

Publicações tentam criar imagem de domínio em MS

Além dos nomes e fotografias dos supostos alvos, os perfis divulgaram uma série de conteúdos destinados a transmitir a ideia de que o Comando Vermelho teria domínio sobre diferentes áreas de Mato Grosso do Sul.

As publicações mencionam municípios como Campo Grande, Alcinópolis, Costa Rica, Inocência, Cassilândia, Três Lagoas, Dourados, Corumbá e Ponta Porã.

Também aparecem referências a códigos e expressões utilizados em conteúdos associados à facção.

Entre as mensagens divulgadas está uma suposta determinação relacionada à comercialização de drogas em Cassilândia e Inocência, cujo conteúdo procura estabelecer restrições à atuação de grupos rivais.

As publicações, entretanto, representam reivindicações feitas pelos próprios responsáveis pelos perfis e não comprovam, por si só, que uma determinada organização tenha efetivamente controle territorial ou operacional sobre os municípios mencionados.

Redes sociais se tornam ferramenta de intimidação

O episódio também evidencia o uso das redes sociais como instrumento de ameaça, intimidação e propaganda de organizações criminosas.

As listas reúnem imagens de pessoas, nomes e localidades e são acompanhadas por elementos visuais destinados a reforçar a ameaça. Em alguns casos, vídeos e montagens são utilizados para ampliar o alcance das mensagens.

A exposição pública dos supostos alvos aumenta a preocupação das autoridades porque transforma uma ameaça restrita em um conteúdo potencialmente acessível a familiares, moradores e outros integrantes de grupos criminosos.

Para a população das cidades citadas, a circulação desse material também pode provocar sensação de insegurança e ampliar o temor em comunidades onde os episódios de violência ligados à disputa entre facções passam a ganhar visibilidade.

Investigação deve esclarecer se há ligação entre os casos

Até o momento, não está comprovado que o assassinato de Gustavo Loschiavo e o atentado ocorrido na residência estejam diretamente relacionados às listas divulgadas nas redes sociais.

A Polícia Civil deverá reunir informações sobre os ataques, imagens de câmeras de segurança, depoimentos e demais elementos para verificar a eventual motivação dos crimes e identificar os responsáveis.

A apuração também deverá determinar se as ameaças virtuais correspondem a ações concretas de grupos criminosos ou se parte do material tem como objetivo produzir intimidação e propaganda.

A reportagem que originou as informações solicitou posicionamentos à Sejusp, Polícia Militar e Polícia Civil sobre a circulação das listas, a disputa entre facções e as medidas adotadas para identificar os responsáveis e proteger as pessoas citadas. Até a publicação do material original, não havia retorno dos órgãos.

O que está confirmado até agora

  • 24 nomes aparecem nas listas que circulam nas redes sociais.
  • Cassilândia, Inocência e Miranda estão entre as cidades citadas.
  • Gustavo Loschiavo Araujo, 29 anos, aparece entre os nomes e foi assassinado em Cassilândia.
  • A fotografia dele foi posteriormente republicada com a indicação de “Eliminado”.
  • Outro homem que afirmou ter visto seu nome entre os alvos sofreu um atentado a tiros em Cassilândia.
  • Ninguém ficou ferido nesse segundo episódio.
  • A Polícia Civil investiga os ataques.
  • Não há confirmação independente de que todas as pessoas citadas tenham ligação com o PCC.
  • A eventual relação entre os crimes e as listas ainda está sendo apurada.

Com informações de: Campo Grande News

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