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Relatório do MapBiomas aponta queda histórica de 85,6% nas queimadas no Pantanal em 2025, enquanto Corumbá permanece entre os territórios com maior área devastada pelo fogo desde 1985.


Pantanal alcança marca histórica na redução das queimadas

O Pantanal registrou, em 2025, a menor área atingida por queimadas desde o início do monitoramento nacional, há 41 anos, segundo a segunda edição do Relatório Anual do Fogo no Brasil, divulgado pelo MapBiomas. Foram 121 mil hectares queimados, resultado que representa uma redução de 85,6% em relação à média histórica do bioma e a maior queda proporcional entre todos os ecossistemas brasileiros.

O levantamento representa uma mudança significativa após anos consecutivos de aumento das queimadas e reforça os efeitos das ações de prevenção, monitoramento e combate aos incêndios florestais. Apesar do avanço, especialistas alertam que o cenário ainda exige atenção, já que áreas ambientalmente estratégicas continuam sendo atingidas pelo fogo e a severidade dos incêndios permanece elevada.

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Redução interrompe sequência de anos críticos no Pantanal

Os dados mostram que o desempenho de 2025 rompe uma sequência de temporadas marcadas por incêndios de grandes proporções, que devastaram milhões de hectares do bioma e provocaram impactos ambientais, econômicos e sociais em Mato Grosso do Sul.

A redução da área queimada indica uma desaceleração importante da expansão do fogo, recolocando o Pantanal em um patamar próximo aos menores índices registrados desde o início da série histórica, iniciada em 1985.

Mesmo com esse resultado positivo, o relatório destaca que regiões sensíveis, como a Serra do Amolar, continuaram registrando focos de incêndio, evidenciando que o risco permanece elevado durante os períodos de estiagem.


Corumbá continua entre os municípios mais atingidos pelas queimadas no Brasil

Apesar da expressiva redução registrada em 2025, Corumbá, principal município do Pantanal sul-mato-grossense, segue ocupando uma posição preocupante no histórico nacional de queimadas.

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Segundo o levantamento do MapBiomas, a cidade permanece entre os municípios com maior área queimada acumulada desde 1985, dividindo o topo do ranking nacional com São Félix do Xingu (PA).

A posição reflete a enorme extensão territorial de Corumbá — um dos maiores municípios do Brasil — e sua localização em uma das regiões ambientalmente mais sensíveis do país, onde fatores naturais, períodos prolongados de seca e a atividade humana contribuem para o aumento do risco de incêndios florestais.

Além dos impactos ambientais, as queimadas afetam diretamente a biodiversidade, a pecuária pantaneira, o turismo ecológico e a qualidade do ar, gerando reflexos econômicos e sociais para toda a região de Mato Grosso do Sul.


Incêndios continuam provocando danos severos à vegetação nativa

Embora a área total queimada tenha diminuído, o relatório aponta que a intensidade dos incêndios no Pantanal continua elevada.

Mais da metade da vegetação atingida apresenta grau de severidade alto ou muito alto, indicando que o fogo provoca danos significativos aos ecossistemas, dificultando a regeneração natural da flora e comprometendo habitats essenciais para diversas espécies da fauna pantaneira.

Outro dado considerado preocupante é que mais de 80% das áreas queimadas historicamente no Pantanal atingiram vegetação nativa, cenário semelhante ao observado no Cerrado.

Esse comportamento difere da Amazônia e da Mata Atlântica, onde boa parte das queimadas ocorre em áreas anteriormente modificadas pela ação humana, como pastagens e propriedades rurais.


Cerrado segue liderando o ranking nacional de queimadas

Mesmo registrando redução em relação à média histórica, o Cerrado permaneceu como o bioma mais afetado pelo fogo em 2025.

Ao longo do ano, aproximadamente 8,7 milhões de hectares foram atingidos pelas chamas, número ainda inferior à média anual histórica de 9,6 milhões de hectares, mas suficiente para manter o bioma na liderança nacional.

O levantamento revela ainda que 66% das áreas queimadas no Cerrado sofreram incêndios mais de uma vez desde 1985, evidenciando um ciclo recorrente que pode comprometer a capacidade de recuperação da vegetação e aumentar os riscos de perda da biodiversidade.


Brasil reduz área queimada após recorde registrado em 2024

Em âmbito nacional, o Brasil contabilizou 12,7 milhões de hectares queimados em 2025, resultado 31% inferior à média histórica anual, estimada em 18,4 milhões de hectares.

O desempenho representa praticamente metade da área devastada em 2024, quando o país enfrentou um dos períodos mais críticos da série histórica.

Grande parte dessa redução foi impulsionada pela Amazônia, que passou de 15,8 milhões de hectares queimados em 2024, maior marca já registrada no bioma, para 3,1 milhões de hectares em 2025, o menor índice desde o início do monitoramento.

Mesmo com esse avanço, o histórico nacional ainda preocupa. Segundo o MapBiomas, 64% de toda a área atingida pelo fogo nos últimos 41 anos queimou mais de uma vez, sendo que, em mais da metade desses casos, os incêndios voltaram a ocorrer em um intervalo de até quatro anos.


Monitoramento contínuo será decisivo para preservar o Pantanal

Os dados demonstram que a redução das queimadas representa um avanço importante para a conservação do Pantanal, considerado a maior planície alagável do planeta. No entanto, especialistas apontam que a manutenção desse cenário dependerá da continuidade das ações de fiscalização, prevenção, manejo integrado do fogo e monitoramento ambiental.

Para Corumbá e demais municípios pantaneiros, a preservação do bioma possui importância estratégica não apenas para a conservação da biodiversidade, mas também para atividades como o turismo de natureza, a pesca, a pecuária sustentável e a manutenção dos recursos hídricos que sustentam a economia regional. O desafio agora será transformar a queda registrada em 2025 em uma tendência duradoura, reduzindo os impactos ambientais e fortalecendo a resiliência do Pantanal diante das mudanças climáticas e dos eventos extremos.

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