Operação Mens Occulta cumpriu mandados em Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Espírito Santo após investigação identificar quase 3 toneladas de droga saindo da fronteira entre Brasil e Bolívia
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (2) a Operação Mens Occulta, uma ampla ofensiva contra uma organização criminosa suspeita de atuar no tráfico internacional de drogas e na lavagem de dinheiro. As investigações colocam Corumbá, na fronteira de Mato Grosso do Sul com a Bolívia, como um dos principais pontos de entrada e distribuição da cocaína utilizada pelo grupo.
Segundo a corporação, a organização possuía base operacional em Uberlândia (MG), mas utilizava a região fronteiriça de Corumbá para internalizar grandes carregamentos de entorpecentes provenientes do território boliviano. A ação mobilizou aproximadamente 230 policiais federais em diversos estados e resultou no cumprimento simultâneo de mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão.
Corumbá no centro das investigações
Ao longo das apurações, a Polícia Federal realizou diversas ações de fiscalização em rodovias e áreas estratégicas da faixa de fronteira. O trabalho investigativo permitiu a identificação de 11 ocorrências em flagrante relacionadas ao grupo criminoso.
Como resultado dessas operações, foram apreendidas cerca de 2,9 toneladas de cocaína que, de acordo com os investigadores, tiveram origem em Corumbá antes de seguir para outras regiões do país.
A localização geográfica do município continua sendo um dos principais desafios das forças de segurança pública. Situada em uma extensa área de fronteira seca e fluvial com a Bolívia, Corumbá é considerada uma das principais portas de entrada de drogas ilícitas no Brasil. A cidade integra rotas historicamente monitoradas por órgãos federais devido ao intenso fluxo de pessoas, mercadorias e embarcações na região do Pantanal.
Esquema movimentou mais de R$ 70 milhões
As investigações apontam que a organização criminosa movimentou mais de R$ 70 milhões nos últimos cinco anos. O montante, segundo a Polícia Federal, não possui comprovação de origem lícita e estaria diretamente relacionado às atividades do tráfico de drogas.
Para ocultar a procedência dos recursos, os suspeitos teriam utilizado empresas de fachada e mecanismos de lavagem de dinheiro destinados a mascarar as movimentações financeiras. O esquema permitia a inserção dos valores no sistema econômico formal e financiava a aquisição de bens de alto valor.
Entre os patrimônios identificados durante a investigação estão imóveis de luxo, ranchos, apartamentos, embarcações, veículos e cavalos de raça. Os bens são considerados pelos investigadores como parte da estratégia utilizada para transformar os lucros do narcotráfico em patrimônio aparentemente regular.
Operação alcança três estados
As ordens judiciais foram expedidas pela Subseção Judiciária da Justiça Federal de Uberlândia. Ao todo, foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão e 25 mandados de prisão preventiva.
Além de Corumbá e Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, as ações ocorreram em municípios do Triângulo Mineiro, na capital mineira Belo Horizonte e em Cariacica, no Espírito Santo.
A operação demonstra o caráter interestadual da organização investigada e reforça a complexidade das rotas utilizadas pelo tráfico para transportar drogas da região de fronteira até centros consumidores e de distribuição espalhados pelo país.
Fronteira segue como desafio para a segurança pública
A nova ofensiva da Polícia Federal evidencia a importância estratégica da fronteira entre Mato Grosso do Sul e Bolívia no combate ao crime organizado. O estado concentra uma das maiores extensões de fronteira internacional do Brasil, fator que exige atuação permanente das forças de segurança para impedir o avanço das organizações criminosas.
Em Corumbá, cidade que desempenha papel fundamental para a economia regional por meio do turismo, da navegação fluvial, da mineração e do comércio fronteiriço, operações dessa magnitude também reforçam a necessidade de investimentos contínuos em inteligência policial e monitoramento territorial.
Os investigados poderão responder pelos crimes de tráfico internacional de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As apurações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e aprofundar o rastreamento dos recursos financeiros ligados ao esquema.
Com informações de: capitaldopantanal
