Após ponte desabar no rio Taquari, governo de MS avalia até demolir outras estruturas consideradas inseguras
Governador Eduardo Riedel afirma que pontes construídas pela mesma empresa passarão por avaliação técnica; estruturas poderão receber reforço ou ser demolidas, enquanto reconstrução da ponte do Taquari pode superar R$ 40 milhões.
Queda de ponte abre alerta sobre infraestrutura rodoviária
O desabamento da ponte sobre o rio Taquari, na MS-214, entre Corumbá e Coxim, colocou em evidência as condições de segurança de outras estruturas rodoviárias de Mato Grosso do Sul. Após a queda, que provocou a morte de um motorista na quinta-feira (13), o governo estadual anunciou uma avaliação técnica das pontes construídas pela mesma empresa.
Segundo o governador Eduardo Riedel, sete pontes foram construídas pela empresa e três já desabaram. As demais passarão por uma análise especializada contratada pela Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul).
Pontes poderão ser reforçadas ou demolidas
A avaliação deverá determinar as condições estruturais das pontes e apontar quais intervenções serão necessárias. Entre as possibilidades estão o reforço das estruturas existentes ou, caso sejam consideradas irrecuperáveis ou inseguras, a demolição.
A previsão apresentada pelo governo é de que o diagnóstico seja concluído em aproximadamente um a dois meses. A decisão sobre cada estrutura deverá ser baseada nos resultados dos estudos técnicos, que irão indicar a capacidade de recuperação e as condições necessárias para garantir a segurança dos usuários.
A possibilidade de demolição representa uma medida de maior impacto sobre a infraestrutura rodoviária, mas está inserida em uma avaliação preventiva após o registro de colapsos em estruturas construídas pela mesma empresa.
Cargas pesadas aumentam pressão sobre rodovias
Além da idade das estruturas, o governo estadual relacionou o cenário ao aumento do peso dos veículos que circulam pelas rodovias de Mato Grosso do Sul. A expansão do transporte de cargas trouxe para as estradas combinações veiculares com maior número de eixos e capacidade de transporte superior àquela considerada quando parte da infraestrutura foi construída.
O Estado possui atualmente intensa movimentação de cargas associada a setores como celulose, mineração, agricultura e pecuária. Esse fluxo é particularmente relevante para Mato Grosso do Sul, que possui corredores rodoviários estratégicos para o escoamento da produção e para a ligação entre municípios e regiões produtoras.
A combinação entre estruturas construídas há cerca de duas décadas e veículos que podem ultrapassar 100 toneladas amplia a necessidade de avaliações periódicas da capacidade estrutural das pontes e demais componentes das rodovias.
Novos veículos de carga também entram no debate
A discussão ocorre paralelamente à autorização experimental concedida pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) para a circulação de hexatrens da Suzano em seis trechos não pavimentados de rodovias estaduais.
Essas composições podem alcançar 60 metros de comprimento e foram desenvolvidas com Capacidade Máxima de Tração de até 250 toneladas. A autorização experimental, entretanto, não estabelece o peso que será efetivamente admitido durante os testes nas vias públicas.
A operação está condicionada à concordância do órgão responsável pelas rodovias e à apresentação de estudos sobre a capacidade estrutural e geométrica dos trajetos. A análise deve considerar, entre outros pontos, pontes, bueiros e demais estruturas existentes nos trechos. A empresa também deverá responder por eventuais danos provocados durante a circulação experimental.
Reconstrução da ponte do Taquari pode custar até R$ 50 milhões
O governo estadual ainda não possui o diagnóstico definitivo sobre a extensão dos trabalhos necessários para reconstruir a ponte que caiu sobre o rio Taquari. A estimativa preliminar é de que a recuperação do acesso possa custar entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões.
O valor final dependerá dos estudos de engenharia e da definição do modelo de reconstrução. A ponte possui grande extensão e atende a um trecho rodoviário importante para a circulação entre diferentes áreas de Mato Grosso do Sul.
Outro desabamento ocorreu em fevereiro
O episódio do rio Taquari ocorre meses após o desabamento de outra ponte estadual. Em fevereiro, uma estrutura sobre o rio do Peixe, na MS-080, em Rio Negro, também caiu.
Para a reconstrução definitiva, o Estado contratou emergencialmente uma nova estrutura pelo valor de R$ 13,28 milhões, com prazo previsto de 360 dias. Enquanto a obra permanente não é concluída, uma ponte metálica provisória permite a passagem pelo trecho.
Impacto para Corumbá e o transporte regional
Para Corumbá, a discussão sobre a segurança das pontes estaduais possui relevância direta. O município está conectado a importantes corredores rodoviários utilizados para o transporte de passageiros, cargas, produtos da mineração e atividades ligadas ao agronegócio e ao turismo.
Interdições ou restrições em estruturas estratégicas podem aumentar distâncias percorridas, alterar rotas logísticas e elevar custos de transporte. Por isso, a avaliação preventiva das pontes ganha importância tanto para a segurança dos usuários quanto para a manutenção da circulação econômica entre Corumbá, Coxim e outras regiões de Mato Grosso do Sul.
O diagnóstico das estruturas construídas pela mesma empresa deverá indicar os próximos passos do governo estadual e definir se serão necessárias obras de reforço, substituição ou demolição em outros pontos da malha rodoviária.
Com informações de: Diário Online
