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O Ministério Público Federal (MPF) deu prazo de 48 horas para que a Prefeitura de Tacuru, em Mato Grosso do Sul, esclareça denúncias de ameaças de envenenamento da água consumida por indígenas Guarani Kaiowá. O caso envolve gravações atribuídas a um servidor municipal, nas quais são mencionadas possíveis ações contra moradores da Aldeia Sassoró.

O órgão quer informações sobre a origem e a autenticidade dos áudios, a identificação dos responsáveis e as providências adotadas para proteger a comunidade. Também recomendou o afastamento do funcionário citado e a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). Segundo o prefeito Rogério Torquetti, as duas medidas já foram adotadas.

As denúncias mobilizaram órgãos federais, representantes indígenas e parlamentares. Paralelamente, o MPF apura outro episódio em Naviraí, onde fotografias de um crime familiar foram divulgadas na internet como se estivessem relacionadas a um suposto ataque contra indígenas.

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MPF cobra explicações sobre ameaças contra indígenas em Tacuru

A manifestação do Ministério Público Federal ocorre após denúncias de declarações racistas e intimidações dirigidas à comunidade indígena de Tacuru. O caso ganhou repercussão depois que gravações atribuídas a um servidor municipal circularam em aplicativos de mensagens.

Nos áudios denunciados, há referências à possibilidade de colocar substâncias tóxicas na água consumida pelos moradores da Aldeia Sassoró. A autoria das gravações, sua autenticidade e as circunstâncias em que as declarações foram feitas ainda precisam ser esclarecidas pelas autoridades.

O caso é acompanhado pelo 6º Ofício da Procuradoria da República em Dourados. Entre os pontos que o MPF pretende esclarecer estão a responsabilidade pela produção e divulgação dos áudios e a eventual participação de pessoas ligadas à administração municipal.

O Ministério Público também solicitou informações sobre as medidas adotadas para garantir a segurança dos indígenas e a continuidade dos serviços públicos essenciais prestados à aldeia.

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Prefeitura afastou servidor e abriu processo administrativo

De acordo com o prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti, o servidor mencionado nas denúncias foi afastado e passou a responder a um Processo Administrativo Disciplinar.

O nome do funcionário não foi divulgado. A identificação e a eventual responsabilização dos envolvidos dependem da apuração dos fatos.

Após a repercussão do caso, o prefeito também se manifestou publicamente e pediu que a comunidade perdoasse o comentário atribuído ao servidor.

Até o momento, não há comprovação de que a água consumida pelos indígenas tenha sido contaminada. A denúncia encaminhada aos órgãos federais solicita justamente a investigação das ameaças e a adoção de medidas preventivas para resguardar a população.

Governo federal acionou Polícia Federal para investigar o caso

A denúncia apresentada por um representante da Aldeia Sassoró foi encaminhada pelo Ministério dos Povos Indígenas à Polícia Federal na segunda-feira (26).

Segundo as informações divulgadas, o documento relata manifestações racistas e discriminatórias atribuídas a pessoas supostamente ligadas à Prefeitura de Tacuru. As gravações mencionariam a possibilidade de envenenamento da água utilizada pelos moradores.

A denúncia também aponta que pessoas citadas estariam relacionadas à prestação de serviços públicos na comunidade, incluindo o abastecimento de água por caminhão-pipa e a coleta de resíduos da escola e do posto de saúde.

O Ministério dos Povos Indígenas pediu que a Polícia Federal investigue a origem dos áudios, identifique os responsáveis e avalie a ocorrência de possíveis crimes. Também solicitou medidas preventivas para proteger os moradores e assegurar a qualidade da água consumida na aldeia.

Cacique condena ameaças e promete buscar responsabilização

O cacique Ivan Montiel, liderança da Aldeia Sassoró e vereador de Tacuru, publicou um vídeo nas redes sociais condenando as declarações atribuídas aos envolvidos na denúncia.

Na manifestação, ele afirmou que pretende buscar a responsabilização dos responsáveis nas esferas criminal e cível. Segundo Montiel, a comunidade recebeu as gravações e identificou pessoas que poderiam estar relacionadas ao episódio, mas a participação de cada uma ainda precisa ser verificada pelas autoridades.

O cacique também ressaltou que os povos indígenas têm o direito de escolher livremente seus candidatos nas eleições, sem sofrer ameaças ou discriminação por suas decisões políticas.

A Aty Guasu, Grande Assembleia dos povos Guarani e Kaiowá de Mato Grosso do Sul, também se manifestou contra o racismo, o preconceito e as ameaças denunciadas.

Deputadas federais cobram providências urgentes

As deputadas federais Sônia Guajajara e Célia Xakriabá acionaram órgãos federais para cobrar providências diante das ameaças denunciadas em Tacuru.

As parlamentares encaminharam um ofício em caráter de urgência aos Ministérios da Justiça e dos Povos Indígenas, ao Ministério Público Federal e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O documento solicita a apuração dos fatos, a identificação e a responsabilização dos envolvidos, além da adoção de medidas imediatas para garantir a segurança das comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul.

Em publicação nas redes sociais, Sônia Guajajara defendeu uma atuação rápida das autoridades para proteger as comunidades e assegurar que as ameaças sejam investigadas.

O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, também afirmou que o governo federal está reunindo denúncias de ameaças e violência contra comunidades indígenas, quilombolas e povos de terreiro em Mato Grosso do Sul e em outras regiões do país.

Segundo o ministro, equipes dos ministérios dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos e da Igualdade Racial atuam em conjunto para dar prioridade aos casos denunciados. A Polícia Federal foi acionada após o recebimento das informações sobre Tacuru.

APIB relata outras denúncias de violência em Mato Grosso do Sul

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) também encaminhou denúncias a órgãos federais após receber relatos de violência contra indígenas no Estado, incluindo episódios posteriores ao segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

Entre as ocorrências mencionadas pela entidade estão ameaças de morte, suspeitas de envenenamento da água em comunidades de Tacuru e Nioaque, atropelamentos em Coronel Sapucaia e relatos de mortes em Naviraí.

A organização pediu a investigação dos episódios, a proteção das comunidades ameaçadas e a apuração de possíveis omissões das forças de segurança.

Um dos casos citados envolve a morte de um indígena atropelado na madrugada de sábado (24), na rodovia MS-289, entre Coronel Sapucaia e Amambai. As circunstâncias do acidente não haviam sido esclarecidas nas informações divulgadas.

A APIB solicitou providências ao Ministério Público Federal, à Polícia Federal e a órgãos do governo federal, incluindo os ministérios da Justiça e Segurança Pública, dos Povos Indígenas e dos Direitos Humanos e da Cidadania.

As denúncias apresentadas pela entidade ainda precisam ser analisadas individualmente, com a apuração das circunstâncias de cada ocorrência e a confirmação das possíveis motivações.

MPF apura divulgação de fotos de crime familiar como suposto ataque a indígenas em Naviraí

Além das denúncias relacionadas a Tacuru, o procurador da República Marco Antonio Delfino de Almeida instaurou uma apuração sobre informações que associavam supostos homicídios motivados por conflitos políticos a ataques contra indígenas em Naviraí, no sul de Mato Grosso do Sul.

No entanto, lideranças das comunidades indígenas Kurupi e Mboreviry negaram a ocorrência de ataques contra seus integrantes.

Em resposta a pedidos de informação, a 4ª Promotoria de Justiça de Naviraí e a Prefeitura Municipal esclareceram que o caso registrado na cidade foi uma tentativa de duplo homicídio decorrente de um desentendimento familiar, sem motivação política ou étnica, conforme as informações encaminhadas às autoridades.

As instituições também informaram que fotografias relacionadas ao episódio circularam na internet de forma adulterada e fora de contexto, sendo associadas falsamente a um suposto ataque contra indígenas.

A análise de documentos oficiais e consultas ao sistema interno do MPF indicaram que as duas vítimas identificadas no caso, Junho Alves Fernandes e Renan Willian de Souza Vieira, não possuíam registro de pertencimento indígena. A mesma verificação foi realizada em relação aos familiares.

Para complementar a apuração, o MPF encaminhou um ofício à Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), solicitando uma consulta aos cadastros de assistência do órgão.

Sejusp contesta afirmação de genocídio contra indígenas

Diante da repercussão das denúncias, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS) afirmou que não procede a declaração de ocorrência de genocídio contra povos indígenas no Estado.

Em nota, a pasta declarou que as forças de segurança atuam quando acionadas, com o objetivo de preservar a ordem pública, prevenir conflitos e garantir a segurança das pessoas envolvidas.

A secretaria também afirmou que o trabalho policial busca contribuir para a manutenção da paz no campo e evitar confrontos em áreas rurais.

A manifestação da Sejusp não substitui a apuração individual das denúncias apresentadas por lideranças indígenas e entidades representativas. Os casos relatados seguem sujeitos à verificação das autoridades competentes.

Investigações devem esclarecer ameaças e responsabilidades

As denúncias em Tacuru e os episódios de desinformação identificados em Naviraí colocaram em evidência a necessidade de apurar separadamente cada ocorrência, distinguindo fatos documentados, relatos de testemunhas e informações que circulam nas redes sociais.

Em Tacuru, o MPF cobra explicações da prefeitura e busca esclarecer a origem das gravações com ameaças de envenenamento, além das medidas necessárias para proteger a Aldeia Sassoró. Em Naviraí, a apuração procura esclarecer como imagens de um crime familiar foram divulgadas fora de contexto e associadas a um suposto ataque contra indígenas.

Até que as investigações avancem, não há confirmação de contaminação da água na Aldeia Sassoró nem de que o caso de Naviraí tenha envolvido motivação étnica ou política. A identificação dos responsáveis e a eventual responsabilização dependerão dos resultados das apurações.

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