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Rota da Celulose prevê início da duplicação entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo, cobrança eletrônica a partir de fevereiro e investimentos de R$ 10,1 bilhões em rodovias de Mato Grosso do Sul

Motoristas que trafegam pelas rodovias de Mato Grosso do Sul devem enfrentar mudanças importantes a partir de 2027. A concessão da Rota da Celulose, que abrange trechos da BR-262, BR-267, MS-040, MS-338 e MS-395, prevê o início das obras de duplicação, a implantação de melhorias na infraestrutura e a cobrança de pedágio eletrônico.

Na BR-262, principal ligação entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo, estão previstos mais de 100 quilômetros de pista dupla. A primeira etapa das obras deve começar em 2027, com a duplicação de 10 quilômetros a partir da Capital, em direção a Ribas do Rio Pardo.

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Além das intervenções na rodovia, os motoristas terão de se adaptar ao sistema de pedágio sem praças físicas, conhecido como Free Flow. Pelo contrato, a cobrança nas rodovias concedidas deverá começar em fevereiro de 2027.

Duplicação da BR-262 começa com 10 quilômetros em 2027

Durante entrevista concedida na segunda-feira (26), o presidente da concessionária Caminhos da Celulose, Luiz Fernando De Donno, confirmou a previsão de início das obras de duplicação no próximo ano.

Segundo ele, o primeiro trecho terá 10 quilômetros, começando em Campo Grande e avançando em direção a Ribas do Rio Pardo.

O projeto prevê a duplicação de mais de 100 quilômetros da BR-262 nesse corredor rodoviário, que concentra o transporte de cargas pesadas e a circulação de veículos utilizados no escoamento da produção de celulose.

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De acordo com o presidente da concessionária, os projetos de engenharia já estão em desenvolvimento. Um dos desafios é encontrar soluções para adequar a rodovia ao fluxo intenso de caminhões, considerando as características do trecho e as interferências existentes.

Os estudos também incluem a escolha de um tipo de pavimento capaz de suportar o tráfego crescente de veículos pesados.

Rota da Celulose terá 870 quilômetros e R$ 10,1 bilhões em investimentos

A concessão abrange 870,3 quilômetros de rodovias em Mato Grosso do Sul, incluindo trechos das BR-262 e BR-267 e das estaduais MS-040, MS-338 e MS-395.

O sistema é considerado estratégico para a logística estadual, especialmente para o transporte de cargas e o escoamento da produção industrial e agrícola.

O contrato prevê aproximadamente R$ 10,1 bilhões em investimentos em obras, melhorias e infraestrutura rodoviária.

Entre as principais intervenções previstas estão:

  • 292 quilômetros de faixas adicionais;
  • 46,72 quilômetros de acostamentos, principalmente na MS-040;
  • quatro contornos rodoviários;
  • um viaduto;
  • duas passagens inferiores;
  • 22 passagens de fauna.

As melhorias serão distribuídas pelos trechos concedidos, com intervenções voltadas à capacidade de tráfego, à segurança viária e à estrutura das rodovias.

Pedágio começa em fevereiro de 2027; veja como será a cobrança

Além das obras, a concessão prevê a implantação de pedágios eletrônicos pelo sistema Free Flow.

Diferentemente das praças tradicionais, o modelo não exige que o motorista pare ou reduza a velocidade para pagar a tarifa. A cobrança ocorre por meio de pórticos equipados com câmeras e sensores, que identificam os veículos automaticamente.

Ao todo, estão previstos 12 pontos de cobrança eletrônica nas rodovias concedidas:

  • quatro na BR-262;
  • quatro na BR-267;
  • três na MS-040;
  • um na MS-338.

O governador Eduardo Riedel afirmou que o sistema deverá entrar em funcionamento no início de 2027, após o período de adaptação previsto no contrato.

Pelo cronograma da concessão, os usuários deverão começar a pagar pedágio a partir de fevereiro de 2027.

Motoristas poderão pagar com TAG ou pela placa

O sistema prevê duas formas de pagamento.

Com TAG eletrônica: o veículo será identificado automaticamente pela etiqueta instalada no para-brisa. O modelo permite o pagamento da tarifa e pode oferecer descontos ao usuário.

Pela leitura da placa: quem não tiver TAG poderá passar pelo pórtico normalmente. Depois, deverá acessar os canais de atendimento da concessionária para realizar o pagamento.

O prazo previsto para regularização da tarifa é de até 30 dias após a passagem pelo pórtico. O não pagamento pode caracterizar evasão de pedágio.

Veja os valores previstos para os pedágios da Rota da Celulose

Levantamento realizado pelo Escritório de Parcerias Estratégicas (EPE), a pedido do Primeira Página, apresentou os valores previstos para automóveis nos pontos de cobrança da concessão.

As tarifas consideram o desconto de 8% oferecido pelo Consórcio Caminhos da Celulose no leilão realizado em maio de 2025.

Os valores são referentes a automóveis. Veículos de outras categorias estão sujeitos a multiplicadores tarifários conforme a classe.

BR-262

TrechoTarifa
Km 39 – entre Três Lagoas e Água ClaraR$ 12,60
Km 104 – entre Três Lagoas e Água ClaraR$ 14,75
Km 207 – entre Água Clara e Ribas do Rio PardoR$ 16,55
Km 292 – entre Ribas do Rio Pardo e Campo GrandeR$ 13,70
Total dos pontos da BR-262R$ 57,60

MS-040

TrechoTarifa
Km 47 – entre Campo Grande e Santa Rita do PardoR$ 14,95
Km 123 – entre Campo Grande e Santa Rita do PardoR$ 14,90
Km 217 – entre Campo Grande e Santa Rita do PardoR$ 11,35
Total dos pontos da MS-040R$ 41,20

MS-338

TrechoTarifa
Km 312 – entre Santa Rita do Pardo e BataguassuR$ 10,40

BR-267

TrechoTarifa
Km 21 – entre a divisa MS-SP e BataguassuR$ 5,15
Km 66 – entre Bataguassu e Casa VerdeR$ 12,10
Km 130 – entre Casa Verde e Nova Alvorada do SulR$ 10,05
Km 180 – entre Casa Verde e Nova Alvorada do SulR$ 16,40
Total dos pontos da BR-267R$ 43,70

Os totais apresentados correspondem à soma das tarifas dos pontos de cobrança de cada rodovia. O valor efetivamente pago pelo motorista dependerá do trajeto percorrido e dos pórticos pelos quais passar.

Concessionária já iniciou atendimento nas rodovias

Enquanto as obras de duplicação e a implantação dos pedágios estão previstas para 2027, os serviços de atendimento aos usuários já começaram a operar.

A concessionária apresentou, na segunda-feira (26), durante solenidade realizada no Bioparque Pantanal, em Campo Grande, a frota de veículos que será utilizada no atendimento e nos serviços de emergência.

Ao todo, 56 veículos operacionais foram disponibilizados para prestar apoio nas rodovias concedidas.

A estrutura inclui:

  • 13 ambulâncias de resgate, sendo uma unidade totalmente elétrica;
  • 13 guinchos leves;
  • seis guinchos pesados;
  • cinco caminhões-pipa;
  • sete veículos de inspeção;
  • sete veículos de supervisão operacional;
  • cinco caminhões guindauto e boiadeiros.

As equipes já estão atuando nas rodovias por meio de estruturas provisórias, enquanto as bases definitivas de atendimento são implantadas.

Bases de atendimento e estrutura de segurança serão ampliadas

O projeto prevê a implantação de 13 bases de Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU), com funcionamento programado para 2027.

Além delas, a concessão contempla:

  • oito bases da Polícia Rodoviária;
  • um posto fiscal da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz);
  • três Pontos de Parada e Descanso para caminhoneiros;
  • um Centro de Controle Operacional (CCO), na BR-262.

A estrutura deverá ampliar o suporte aos motoristas, incluindo atendimento emergencial, fiscalização, monitoramento do tráfego e apoio aos caminhoneiros.

Rota da Celulose deve gerar cerca de 1.830 empregos

A implantação e a operação da concessão também devem movimentar o mercado de trabalho em Mato Grosso do Sul.

Segundo a concessionária, o projeto deverá gerar aproximadamente 1.830 empregos diretos e indiretos, envolvendo as obras de infraestrutura, os serviços de atendimento aos usuários e a administração do sistema rodoviário.

A malha concedida abrange os municípios de Campo Grande, Ribas do Rio Pardo, Três Lagoas, Nova Alvorada do Sul, Santa Rita do Pardo, Água Clara, Anaurilândia, Bataguassu e Nova Andradina.

Com o início das obras e da cobrança eletrônica em 2027, a Rota da Celulose deverá promover mudanças na infraestrutura e na operação de um dos principais corredores de transporte de Mato Grosso do Sul.

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