Reajuste começa em fevereiro de 2027 e deve pesar no bolso dos motoristas, das famílias e no preço dos produtos vendidos em Corumbá
O Governo de Mato Grosso do Sul, comandado por Eduardo Riedel, aprovou um novo aumento do ICMS sobre combustíveis e gás de cozinha. A decisão foi tomada em 27 de outubro de 2026, durante reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), e os novos valores começarão a ser cobrados em 1º de fevereiro de 2027.
Embora o governo e os órgãos fazendários classifiquem a medida como uma atualização das alíquotas, o efeito para a população será direto: gasolina, diesel e gás de cozinha ficarão mais caros. O aumento ocorre poucos dias depois do período eleitoral e se soma a outras medidas de elevação da carga tributária adotadas pelo governo após a eleição.
O Estado foi representado na reunião pelo secretário estadual de Fazenda, Flávio César Mendes de Oliveira.
Quanto o imposto vai aumentar
Com a mudança, o ICMS monofásico terá os seguintes reajustes:
- Gasolina: de R$ 1,57 para R$ 1,64 por litro — aumento de R$ 0,07 por litro;
- Diesel: de R$ 1,17 para R$ 1,30 por litro — aumento de R$ 0,13 por litro, ou 11,1%;
- Gás de cozinha: de R$ 1,47 para R$ 1,54 por quilo — alta de aproximadamente 4,8%.
No caso do gás de cozinha, o aumento representa cerca de R$ 0,91 a mais em um botijão de 13 quilos, considerando apenas o impacto do imposto.
Na gasolina, um motorista que abastecer 50 litros poderá pagar cerca de R$ 3,50 a mais por tanque somente por causa do reajuste do ICMS.
Aumento chega em um dos combustíveis mais caros do país
O reajuste atinge diretamente os motoristas de Mato Grosso do Sul, especialmente os moradores de Corumbá, onde os preços dos combustíveis já estão entre os mais altos do Brasil.
Para quem depende do veículo diariamente, trabalha com transporte ou precisa percorrer longas distâncias, qualquer aumento por litro representa uma despesa significativa no fim do mês. O impacto será ainda maior para motoristas de aplicativo, taxistas, caminhoneiros, entregadores e trabalhadores que utilizam o carro ou a motocicleta como ferramenta de trabalho.
Em uma região distante dos grandes centros consumidores, como Corumbá, o custo logístico já pesa no preço final dos produtos. A elevação do imposto tende a ampliar essa diferença e tornar ainda mais caro abastecer, transportar mercadorias e manter uma atividade comercial.
Diesel mais caro deve encarecer alimentos e produtos básicos
O maior aumento proporcional será aplicado ao diesel, que subirá 11,1%. O combustível é essencial para caminhões, ônibus, máquinas agrícolas e praticamente toda a cadeia de transporte de cargas do país.
Em Corumbá, grande parte dos produtos chega por caminhão. Isso significa que o aumento não ficará restrito aos postos de combustíveis. O custo maior do transporte será incorporado ao frete e, posteriormente, repassado aos consumidores.
Na prática, a conta pode aparecer nos preços de alimentos, bebidas, materiais de construção, medicamentos, móveis, eletrodomésticos e outros produtos que precisam ser transportados até a cidade.
Arroz, feijão, carne, frutas e legumes também podem sofrer alta, já que dependem do transporte rodoviário desde o local de produção até os centros de distribuição e os supermercados.
Motoristas pagarão mais para trabalhar e se locomover
O reajuste do diesel afeta diretamente caminhoneiros e empresas de transporte, que já enfrentam gastos elevados com combustível, manutenção, pneus, pedágios e financiamento.
Quando o custo do frete aumenta, o transporte de cada mercadoria fica mais caro. O resultado costuma ser repassado para toda a cadeia: da transportadora ao comércio e, finalmente, ao consumidor.
Para os motoristas, o problema é duplo. Eles terão de pagar mais para abastecer e, ao mesmo tempo, poderão enfrentar aumento no custo de peças, alimentação, manutenção e demais produtos transportados pelas rodovias.
Gás de cozinha também ficará mais caro
O aumento do ICMS sobre o gás de cozinha pode parecer pequeno quando calculado por quilo, mas pesa no orçamento de famílias que já enfrentam dificuldades para comprar alimentos e pagar as contas básicas.
O botijão de 13 quilos terá um impacto estimado de R$ 0,91 apenas em razão do imposto. O valor final pode ser ainda maior caso distribuidoras e revendedores repassem outros custos acumulados.
Pequenos negócios, como padarias, lanchonetes, marmitarias e vendedores de comida, também serão afetados. Como esses estabelecimentos utilizam o gás diariamente, o aumento poderá aparecer no preço das refeições e dos produtos vendidos à população.
Governo chama aumento de atualização, mas consumidor sentirá como imposto maior
O Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) afirma que não se trata da criação de um novo tributo, mas de uma atualização anual das alíquotas com base na média de preços divulgada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Para o consumidor, no entanto, a diferença de nomenclatura não muda o resultado. O imposto por litro ou por quilo será maior, e o custo será cobrado nas bombas, nas revendas de gás, nos fretes e nos preços dos produtos.
A justificativa técnica não elimina o impacto econômico da medida, especialmente em uma cidade como Corumbá, que já convive com combustíveis caros e depende do transporte rodoviário para receber boa parte das mercadorias.
Novo aumento ocorre após o período eleitoral
A decisão também provoca críticas pelo momento em que foi tomada. O aumento foi aprovado logo depois das eleições e deverá começar a ser cobrado no início do ano seguinte.
A medida se soma a outras discussões do governo estadual sobre aumento da arrecadação, incluindo a possibilidade de elevar a alíquota geral do ICMS e revisar incentivos fiscais concedidos a empresas e setores da economia.
Para a população, o cenário é de mais despesas em um período em que salários e renda não acompanham o avanço dos preços. O reajuste reduz o poder de compra, encarece o deslocamento e aumenta o custo de praticamente tudo que depende de caminhões para chegar ao consumidor.
Conta final ficará com a população
O Governo de Mato Grosso do Sul pode apresentar o reajuste como uma atualização obrigatória das alíquotas, mas a consequência prática é clara: haverá aumento de impostos sobre produtos essenciais.
A gasolina ficará mais cara para quem precisa abastecer. O diesel elevará o custo do transporte. O gás de cozinha pesará no orçamento das famílias e dos pequenos comerciantes. Em Corumbá, onde os combustíveis já estão entre os mais caros do país e os produtos dependem de longos deslocamentos rodoviários, o impacto tende a ser ainda maior.
A partir de fevereiro de 2027, a população deverá pagar mais para se locomover, trabalhar, cozinhar e comprar produtos básicos.
