Fenômeno ocorre na madrugada de 28 de agosto, será parcialmente visível a olho nu e terá o ponto máximo pouco depois da meia-noite em Corumbá; agosto também terá um eclipse solar, mas ele não poderá ser observado do Brasil
O céu de agosto de 2026 terá dois eclipses, mas apenas um deles poderá ser acompanhado diretamente pelos brasileiros. Depois do eclipse solar total desta quarta-feira (12 de agosto), cuja faixa de totalidade passa pelo Hemisfério Norte, o destaque para o Brasil será o eclipse lunar parcial de 28 de agosto.
O fenômeno poderá ser observado em todo o país, inclusive em Corumbá e demais municípios de Mato Grosso do Sul, desde que as condições meteorológicas permitam. Na cidade, a fase parcial começará ainda na noite de 27 de agosto, terá seu máximo pouco depois da meia-noite e terminará durante a madrugada do dia 28.
Eclipse solar de 12 de agosto não será visto no Brasil
O primeiro eclipse do mês acontece nesta quarta-feira, 12 de agosto, quando a Lua passa entre a Terra e o Sol e bloqueia a luz solar para determinadas regiões do planeta.
Apesar de ser um eclipse solar total, o fenômeno não terá visibilidade no Brasil. A faixa de totalidade atravessa áreas do Hemisfério Norte, incluindo Groenlândia, Islândia, norte da Rússia e partes da Espanha e de Portugal.
No Brasil, portanto, não haverá sequer uma etapa parcial observável do eclipse solar.
A diferença entre os dois eventos está principalmente na posição da sombra projetada pela Lua. Para acompanhar um eclipse solar, é necessário estar na região atingida pela sombra lunar; neste caso, essa área não alcança o território brasileiro.
Eclipse lunar de agosto será diferente
O segundo fenômeno do mês ocorre quando a configuração do sistema Sol-Terra-Lua se inverte.
Durante um eclipse lunar, a Terra fica entre o Sol e a Lua. A sombra do planeta é projetada sobre a superfície lunar e, quando o alinhamento não é perfeito, apenas uma parte da Lua atravessa a região mais escura dessa sombra.
É justamente isso que acontecerá em 28 de agosto.
Como o eclipse será parcial, a Lua não desaparecerá completamente. Uma parte do disco lunar permanecerá iluminada enquanto outra ficará progressivamente escurecida pela sombra da Terra.
Em determinados momentos, a região eclipsada pode adquirir uma tonalidade avermelhada ou alaranjada. Esse efeito ocorre porque parte da luz solar que atravessa a atmosfera terrestre é desviada em direção à Lua.
Que horas será o eclipse em Corumbá?
Para quem estiver em Corumbá, o evento terá uma configuração especialmente favorável: praticamente toda a sequência do eclipse poderá ser acompanhada durante a noite.
De acordo com os cálculos astronômicos para a cidade, os principais horários são:
- 21h23 de 27 de agosto: começa a fase penumbral;
- 22h33: começa o eclipse lunar parcial;
- 00h12 de 28 de agosto: ocorre o máximo do eclipse;
- 1h51: termina a fase parcial;
- 3h01: termina completamente a fase penumbral.
Os horários são locais de Corumbá (UTC-4).
O período mais interessante para quem quiser observar a parte mais evidente do fenômeno será, portanto, entre aproximadamente 22h30 e 1h50, com o máximo por volta de 00h12.
No ponto máximo, cerca de 93% do diâmetro lunar estará envolvido pela região de sombra correspondente ao eclipse parcial, segundo os cálculos para Corumbá.
Como observar o eclipse lunar em Corumbá
A observação será bem mais simples do que a de um eclipse solar.
Não é necessário utilizar telescópio ou equipamento especial para enxergar o eclipse lunar. O fenômeno poderá ser acompanhado a olho nu, desde que a Lua esteja visível e o céu apresente poucas nuvens.
Em Corumbá, um local com horizonte aberto e pouca iluminação artificial pode proporcionar uma observação mais favorável. Áreas afastadas da iluminação intensa do centro urbano tendem a oferecer melhores condições para perceber detalhes do céu noturno.
Binóculos ou telescópios podem ampliar a experiência, mas não são indispensáveis.
Outro fator decisivo será o tempo. Como o fenômeno acontece durante a madrugada, a presença de nuvens, chuva ou nebulosidade elevada poderá impedir ou dificultar a observação.
Por que a Lua pode ficar avermelhada?
A expressão “Lua de sangue” costuma ser associada principalmente aos eclipses lunares totais, quando a Lua inteira atravessa a sombra mais escura da Terra.
No evento de agosto, porém, o eclipse será parcial. Por isso, não se deve esperar necessariamente uma Lua completamente vermelha.
A tonalidade avermelhada poderá aparecer na parte do disco lunar que estiver dentro da sombra terrestre. A atmosfera do planeta funciona como uma espécie de filtro: determinados comprimentos de onda da luz solar são espalhados mais intensamente, enquanto a luz avermelhada consegue ser desviada em direção à Lua.
É o mesmo princípio físico relacionado às cores avermelhadas observadas no nascer e no pôr do Sol.
Por que eclipses não acontecem todos os meses?
À primeira vista, poderia parecer que um eclipse deveria ocorrer sempre que há Lua cheia ou Lua nova. Mas isso não acontece porque a órbita da Lua é inclinada em relação ao plano da órbita terrestre ao redor do Sol.
Na maior parte dos meses, a Lua passa um pouco acima ou abaixo do alinhamento necessário para produzir um eclipse.
Quando Sol, Terra e Lua ficam suficientemente alinhados, ocorre uma chamada temporada de eclipses, período em que esses fenômenos podem acontecer.
Por isso, apesar de os eclipses serem eventos previsíveis astronomicamente, eles continuam sendo acontecimentos relativamente específicos para cada região do planeta.
O que muda para quem estiver em Mato Grosso do Sul?
Para os moradores de Mato Grosso do Sul, o eclipse lunar representa uma oportunidade particularmente acessível de observação astronômica porque o fenômeno não exige equipamentos sofisticados.
Em Corumbá, a localização no extremo oeste do estado e o horário do evento permitem acompanhar uma parcela extensa de toda a sequência durante a noite. O máximo ocorrerá às 00h12, tornando o fenômeno especialmente interessante para quem pretende registrar imagens ou observar a olho nu.
A região do Pantanal também oferece, em determinadas áreas, condições favoráveis para observação do céu por apresentar locais com menor interferência da iluminação urbana. Entretanto, para quem estiver em áreas rurais ou próximas a estradas e cursos d’água, a prioridade deve ser sempre escolher um local seguro para permanecer durante a madrugada.
Agosto termina com um dos principais fenômenos astronômicos do ano
A sequência de eclipses transforma agosto em um mês de destaque no calendário astronômico de 2026.
O eclipse solar total de 12 de agosto ficará restrito a regiões do Hemisfério Norte, enquanto o eclipse lunar parcial da madrugada de 28 de agosto terá uma área de visibilidade muito mais ampla, incluindo todo o território brasileiro.
Para os corumbaenses, a principal data para marcar no calendário é a noite de 27 de agosto, avançando pela madrugada de 28 de agosto.
O melhor momento para olhar para o céu será próximo de 00h12, quando o eclipse atingirá seu máximo em Corumbá.
Se o céu estiver limpo, bastará procurar a Lua e acompanhar a progressiva entrada e saída de sua superfície da sombra projetada pela Terra — um fenômeno astronômico que poderá ser observado diretamente de Corumbá, sem necessidade de equipamentos especiais.
