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Caso registrado em Mato Grosso do Sul em 2023 voltou à tona após investigação revelar que suspeita viveu por mais de um ano como filha adotiva de uma família catarinense

Histórico de falsa identidade passou por Campo Grande

A prisão de uma mulher de 37 anos em Joinville, Santa Catarina, por se passar por uma adolescente de 12 anos trouxe novamente à tona um caso que já havia mobilizado instituições de proteção social em Campo Grande. Antes de ser investigada por suposto estelionato no Sul do país, Amanda Maria Souza de Oliveira já havia utilizado uma identidade falsa para obter acolhimento em Mato Grosso do Sul.

O episódio ocorreu em novembro de 2023, quando a mulher procurou atendimento na Casa da Mulher Brasileira, na Capital sul-mato-grossense, alegando ser uma adolescente de 13 anos em situação de vulnerabilidade social. Sem apresentar documentos pessoais, ela informou ter nascido na Bahia e relatou não possuir familiares ou meios de identificação.

Diante das informações fornecidas, os órgãos responsáveis pela rede de proteção encaminharam a suposta adolescente para uma unidade de acolhimento institucional destinada a crianças e adolescentes.

Suspeitas surgiram durante atendimento

A versão apresentada inicialmente começou a despertar dúvidas entre os profissionais envolvidos no acompanhamento do caso. Durante verificações realizadas pelas autoridades, surgiram indícios de que a mulher poderia já ter utilizado narrativas semelhantes em outras regiões do Brasil.

As suspeitas levaram Amanda a ser encaminhada à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac Cepol), onde acabou revelando sua verdadeira identidade. Na ocasião, ela afirmou ser andarilha e informou enfrentar problemas relacionados à saúde mental.

Como não foram identificados indícios de obtenção de vantagem financeira ou aplicação de golpes em Campo Grande, a ocorrência foi registrada como falsa identidade. Após os procedimentos legais, ela foi liberada.

Casos semelhantes já haviam sido registrados em outros estados

As investigações apontaram que o episódio ocorrido em Mato Grosso do Sul não era isolado. Antes mesmo da passagem pela Capital, Amanda já havia sido identificada em outras unidades da federação utilizando versões semelhantes da mesma história.

Registros envolvendo a mulher foram encontrados no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul. Em diferentes ocasiões, ela teria alegado ter sido vítima de maus-tratos, exploração, cárcere privado e abandono familiar para conseguir acolhimento institucional e assistência social.

As narrativas apresentavam variações, mas mantinham elementos em comum, sempre relacionados à vulnerabilidade extrema e à necessidade de proteção imediata por parte de órgãos públicos ou entidades assistenciais.

Investigação em Santa Catarina revelou convivência com família por mais de um ano

O caso voltou ao centro das atenções após a Polícia Civil de Santa Catarina concluir uma investigação que apontou que Amanda viveu durante aproximadamente 14 meses como filha adotiva de uma família em Joinville.

Segundo as apurações, ela procurou integrantes de uma igreja local relatando ter fugido de maus-tratos e conseguiu sensibilizar membros da comunidade. A partir desse contato, recebeu acolhimento e passou a conviver com uma família que acreditava estar ajudando uma adolescente em situação de risco.

Durante o período, recebeu apoio financeiro, assistência cotidiana e participou de atividades familiares, chegando inclusive a ter uma comemoração de aniversário organizada como se estivesse completando 12 anos de idade.

Comportamentos reforçavam identidade falsa

De acordo com a investigação, Amanda mantinha comportamentos compatíveis com a idade que dizia possuir e utilizava objetos normalmente associados à infância para fortalecer a identidade apresentada às pessoas com quem convivia.

As autoridades também apuraram que ela atribuía sua aparência física a supostas condições médicas e a relatos envolvendo tratamentos hormonais durante a infância, justificativas utilizadas para explicar eventuais inconsistências em sua história.

A fraude começou a ser descoberta após familiares das pessoas que a acolheram passarem a desconfiar das informações apresentadas. Pesquisas realizadas na internet revelaram registros anteriores envolvendo situações semelhantes em diferentes estados brasileiros.

Justiça mantém prisão e determina avaliação psiquiátrica

Com base nos elementos reunidos durante a investigação, a Justiça de Santa Catarina decretou a prisão preventiva da suspeita. Além disso, foi determinada a realização de exame de sanidade mental para avaliar suas condições psicológicas.

O caso segue sob investigação e deverá avançar para novas etapas processuais após a conclusão das perícias determinadas pelas autoridades.

Caso evidencia desafios para instituições de acolhimento

A repercussão nacional do episódio também chama atenção para os desafios enfrentados por órgãos de assistência social, conselhos tutelares e instituições de acolhimento em todo o país. Estruturas criadas para proteger crianças, adolescentes e pessoas em situação de vulnerabilidade frequentemente precisam equilibrar atendimento humanizado com mecanismos de verificação capazes de evitar fraudes.

Em Mato Grosso do Sul, onde a rede de proteção social atua diariamente em casos envolvendo violência, abandono e vulnerabilidade, situações como essa reforçam a importância da integração entre órgãos públicos, forças de segurança e instituições assistenciais para garantir que os recursos disponíveis sejam destinados a quem realmente necessita de proteção.