Ayla Emanuelly, de menos de um mês, foi localizada com vida em Pedro Juan Caballero após operação conjunta entre forças policiais do Brasil e do Paraguai; rastreamento de celulares foi decisivo para encontrar a criança
A recém-nascida Ayla Emanuelly, sequestrada em Campo Grande na quinta-feira (6), foi localizada com vida na madrugada de domingo (9), em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. A bebê, que tinha apenas 28 dias de vida, foi encontrada em uma residência durante uma operação conjunta das forças de segurança dos dois países e posteriormente encaminhada para atendimento médico.
Dois brasileiros que estavam com a criança, Alex Melo de Abreu e Suzilaine da Graça Costa, foram presos em flagrante. Um terceiro suspeito, detido anteriormente em Campo Grande, teve a prisão preventiva decretada por suspeita de ter emprestado o imóvel onde a bebê teria sido mantida.
Após ser resgatada, Ayla foi levada ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero e, posteriormente, entregue ao Conselho Tutelar de Ponta Porã, onde permanece sob proteção da rede de assistência. O retorno da criança para Campo Grande ainda depende de decisão da Justiça.
Bebê teria sido levada após mãe ser atraída para uma casa
A investigação começou depois que a mãe de Ayla, uma adolescente de 17 anos, procurou a polícia e relatou ter sido atraída para uma residência no Bairro Universitário, em Campo Grande.
Segundo o relato apresentado às autoridades, ela havia conhecido uma mulher em um grupo de venda de roupas infantis. A mulher teria oferecido R$ 100 para que a adolescente cuidasse de sua filha.
A mãe aceitou a proposta e foi até o endereço acompanhada da irmã, de 12 anos, e da própria bebê. No local, entretanto, a situação teria tomado outro rumo.
Conforme o depoimento, a adolescente foi ameaçada e obrigada a entregar a filha. Ela também relatou que havia aproximadamente 10 homens na residência, além da mulher que havia feito o contato inicial.
A adolescente e a irmã permaneceram no imóvel durante algumas horas e deixaram o local somente na madrugada seguinte. O celular da mãe também teria sido levado.
A dinâmica exata da ação, incluindo quem participou diretamente do sequestro e como a criança foi retirada de Campo Grande, ainda é investigada pela Polícia Civil.
Rastreamento de celulares levou investigadores até o Paraguai
Com o desaparecimento da criança registrado, equipes da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) passaram a reunir informações para identificar os envolvidos e descobrir o paradeiro da recém-nascida.
Um dos principais elementos utilizados durante a investigação foi o rastreamento de sinais telefônicos. O cruzamento das informações obtidas pelos investigadores indicou que Ayla poderia ter sido levada para o Paraguai.
O caso ganhou também uma dimensão internacional devido à proximidade entre Mato Grosso do Sul e o território paraguaio, região marcada por intensa circulação de pessoas entre cidades fronteiriças.
Na sexta-feira (7), o Ministério da Justiça acionou o Amber Alert Brasil, sistema destinado à divulgação de casos de desaparecimento de crianças quando há suspeita de rapto ou sequestro. Foi a primeira vez que a ferramenta foi utilizada em Mato Grosso do Sul.
Cooperação entre Brasil e Paraguai foi decisiva
Com os indícios apontando para o Paraguai, a Depca acionou a Polícia Civil de Ponta Porã, que compartilhou as informações com as autoridades paraguaias.
A operação passou a envolver o Comando Bipartito, estrutura que reúne forças policiais brasileiras e paraguaias para atuação conjunta na região de fronteira, além de equipes especializadas do país vizinho.
As informações obtidas pelos investigadores brasileiros permitiram que as autoridades paraguaias identificassem um imóvel em Pedro Juan Caballero onde havia suspeita de que a criança estivesse.
A operação foi realizada na madrugada de domingo, por volta de 1h15, com participação do Comando Bipartito de Pedro Juan Caballero, do Grupo Antissequestro (DAS), da Direção de Polícia do Amambay e de operadores táticos.
Durante o cumprimento do mandado de busca, os policiais encontraram Ayla na residência, acompanhada de um casal de brasileiros.
Ayla foi encontrada com vida e passou por avaliação médica
Após ser localizada, a recém-nascida foi encaminhada ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero para avaliação médica.
Segundo as informações divulgadas pelas autoridades e pelo Conselho Tutelar, a menina estava bem e saudável.
Na residência, os policiais apreenderam aparelhos celulares, documentos e um veículo Lifan azul. Os materiais deverão ser analisados e podem contribuir para esclarecer como a criança foi transportada até o Paraguai e quem participou da operação.
O resgate encerrou a fase mais urgente das buscas, mas abriu uma nova etapa da investigação: identificar toda a estrutura utilizada para retirar a bebê de Campo Grande e levá-la ao país vizinho.
Suspeitos foram presos e devem responder no Brasil
Alex Melo de Abreu e Suzilaine da Graça Costa foram presos em flagrante após serem encontrados com a criança.
Os dois foram posteriormente entregues às autoridades brasileiras em Ponta Porã e deverão ser encaminhados para Campo Grande, onde serão ouvidos pela Depca.
No caso de Alex, as autoridades paraguaias também identificaram problemas relacionados à documentação. Segundo as informações divulgadas, ele utilizava documento falso e possuía um mandado de prisão expedido pela Justiça do Amazonas, decorrente de uma condenação de 11 anos e seis meses por homicídio.
Ainda conforme os dados divulgados, o homem possui outros registros policiais, incluindo ocorrências relacionadas a estelionato, furto e violência doméstica.
A investigação brasileira deverá esclarecer qual foi exatamente a participação de cada um dos presos no desaparecimento da criança.
Terceiro suspeito teve prisão preventiva decretada
Antes do resgate no Paraguai, um homem havia sido preso em Campo Grande, no sábado (8), por suspeita de envolvimento no caso.
Segundo a investigação, ele teria emprestado o imóvel utilizado para manter a bebê. A residência teria funcionado como uma espécie de cativeiro antes de a criança ser levada para fora do país.
A prisão, inicialmente realizada em flagrante, foi convertida em prisão preventiva durante audiência de custódia.
A defesa do suspeito afirmou que ainda estava tomando conhecimento dos detalhes da investigação e que pretendia demonstrar que o cliente não possuía relação direta com os fatos atribuídos a ele.
Bebê permanece em Ponta Porã enquanto Justiça define retorno
Depois de ser repatriada, Ayla foi entregue ao Conselho Tutelar de Ponta Porã e permanece sob os cuidados da rede de proteção.
A menina passou por avaliação médica e foi encaminhada para um abrigo no município.
O retorno para Campo Grande, onde a família reside, depende de uma decisão da Vara da Infância e Juventude de Ponta Porã. Caso a transferência seja autorizada, a Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS) deverá providenciar o transporte da criança.
Depois de retornar à capital sul-mato-grossense, Ayla deverá passar por nova avaliação. A situação da família também será acompanhada pelos órgãos de proteção, enquanto a Justiça da Infância e Juventude de Campo Grande deverá definir os próximos encaminhamentos.
Família deverá receber acompanhamento psicossocial
O sequestro mobilizou a rede de proteção à infância em Mato Grosso do Sul. Além da recuperação da criança, o caso envolve a necessidade de acompanhamento da mãe adolescente e dos demais familiares que foram diretamente afetados pelo episódio.
A família deverá receber atendimento psicossocial, com acompanhamento dos órgãos responsáveis pela proteção de crianças e adolescentes.
A definição sobre o destino da bebê será feita considerando tanto as condições familiares quanto os elementos reunidos pela investigação policial.
Investigação ainda tenta identificar todos os envolvidos
Apesar do resgate de Ayla e das prisões realizadas, a investigação ainda não está concluída.
A Polícia Civil busca reconstruir toda a sequência do crime, desde o primeiro contato com a mãe da bebê até a retirada da criança de Campo Grande e sua chegada ao Paraguai.
Entre os principais pontos que ainda precisam ser esclarecidos estão quem planejou o sequestro, quantas pessoas participaram diretamente da ação, qual foi a função de cada suspeito e quem auxiliou na transferência da criança para fora do Brasil.
Os celulares, documentos e o veículo apreendidos no Paraguai deverão passar por análise. O conteúdo desses materiais poderá ajudar os investigadores a identificar novos envolvidos e esclarecer a logística utilizada na ação.
A Depca conduz a investigação com apoio do Garras, da Defurv e da Delegacia Regional de Ponta Porã. Do lado paraguaio, participam equipes do Comando Bipartito, Grupo Antissequestro, Polícia Nacional e outras unidades especializadas.
O caso também evidencia a importância da integração entre as forças de segurança em uma região de fronteira como Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, onde a circulação entre os dois países pode dificultar a localização de pessoas e exigir respostas policiais coordenadas.
Por enquanto, o principal desfecho é a localização de Ayla com vida. As próximas etapas deverão determinar a extensão da participação dos suspeitos e se outras pessoas serão responsabilizadas pelo sequestro da recém-nascida.
