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Consumidores relatam transtornos no acesso ao Autódromo de Campo Grande; congestionamento de 13 km na BR-262 e falhas de logística estão no centro da apuração

O número de reclamações registradas no Procon-MS relacionadas ao show da banda Guns N’ Roses, realizado em Campo Grande, cresceu de forma acelerada e acendeu um alerta sobre a organização do evento. Em apenas alguns dias, as queixas saltaram de 17 para 68 registros, segundo dados contabilizados entre 10 e 16 de abril.

O aumento expressivo evidencia a dimensão dos transtornos enfrentados por consumidores que, mesmo com ingresso válido, relatam que não conseguiram acessar o local do espetáculo devido a falhas de logística, infraestrutura insuficiente e congestionamento intenso.


Trânsito travado na BR-262 virou principal foco das reclamações

A principal reclamação apresentada pelos consumidores foi o congestionamento de aproximadamente 13 quilômetros na BR-262, apontada como única via de acesso ao Autódromo Internacional Orlando Moura, onde o show ocorreu.

De acordo com os registros, milhares de pessoas ficaram presas por horas no trânsito e não conseguiram chegar ao local a tempo de assistir à apresentação, situação que transformou a chegada ao evento em um cenário de caos rodoviário.

A falta de alternativas de acesso e de planejamento eficiente de mobilidade teria ampliado o problema, gerando atrasos em massa e impedindo parte do público de entrar no autódromo.


Fãs com ingresso ficaram do lado de fora, mesmo após atraso no início do show

Diante do volume de pessoas retidas no trânsito, a apresentação teve início com atraso de cerca de 1h30, numa tentativa de permitir que mais fãs chegassem ao local. Ainda assim, uma parcela significativa do público não conseguiu acessar o evento.

As estimativas apontam que até 30% das cerca de 40 mil pessoas esperadas podem ter ficado de fora, mesmo após o início do espetáculo. Há relatos de consumidores que afirmam que nem mesmo próximo ao encerramento conseguiram entrar no autódromo.

O show terminou por volta de 00h30, mas os congestionamentos persistiram durante a madrugada, prolongando o transtorno para quem conseguiu assistir e também para quem sequer entrou.


Órgãos e produtora trocam responsabilidades sobre falhas

A situação gerou divergência entre os envolvidos na estrutura do evento. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) atribuiu os problemas principalmente à organização do show, apontando fatores como:

  • atraso na abertura dos portões
  • falta de sinalização adequada
  • falhas no controle de fluxo e orientação de acesso

Por outro lado, a empresa responsável pela produção do evento argumentou que o controle do trânsito em rodovias federais seria atribuição dos órgãos públicos, alegando que não teria competência legal para atuar diretamente na BR-262.

A troca de responsabilidades reforça a complexidade do caso e indica que a apuração deverá avaliar tanto a estrutura interna do evento quanto o planejamento externo de mobilidade.


Procon abre investigação e prepara notificação à empresa responsável

O Procon-MS confirmou a abertura de investigação para identificar possíveis responsabilidades e avaliar se houve violação de direitos do consumidor. O órgão informou que a empresa responsável pelo evento será formalmente notificada e terá prazo de 20 dias para apresentar manifestação.

Neste momento, a apuração não tem caráter punitivo imediato, mas busca reunir informações e documentos que possam esclarecer o que causou os transtornos e quais medidas podem ser tomadas para reparar prejuízos.


Consumidores podem ter direito à reparação

O órgão reforça que consumidores que compraram ingresso e não conseguiram assistir ao show, por falhas de acesso e logística, podem ter direito à reparação, dependendo da comprovação dos fatos e da conclusão da apuração.

A situação também reacende o debate sobre a necessidade de exigências mais rígidas em grandes eventos realizados fora da área urbana, especialmente em locais com acesso limitado, onde falhas de planejamento podem gerar prejuízos coletivos e impactos diretos sobre milhares de pessoas.


Caso expõe fragilidade em eventos de grande porte em Campo Grande

O crescimento das reclamações e a abertura de investigação pelo Procon indicam que o episódio pode gerar desdobramentos administrativos e jurídicos. Além do impacto financeiro para consumidores, o caso evidencia como a falta de planejamento logístico pode comprometer eventos de grande porte e colocar em xeque a capacidade de receber grandes atrações internacionais.

Com 68 reclamações já registradas e possibilidade de novos relatos surgirem, o caso segue em monitoramento e deve continuar repercutindo nos próximos dias, tanto no setor de eventos quanto nos órgãos de defesa do consumidor.